Temporada de Solteiro: Dia 14

Três desses nossos amigos fazem aniversário por estes dias e como todos se conhecem já é de costume aproveitar essa coincidência e fazer uma festa coletiva. O problema, claro, é quantidade de gente que todos convidam e a bagunça que a gente faz quando estamos juntos.

Québecois são pessoas discretas, calmas e, na maior parte do tempo, silenciosas. Brasileiros são, como posso dizer, exatamente o oposto. Não foram poucas as ocasiões que nos reunimos e que no mínimo deixamos quem estava olhando com a expressão de que aquilo deveria ser ou um massacre de galinhas ou um mercado árabe em dia de liquidação. A primeira vez que eu lembro que isso aconteceu e que eu estava presente foi pouco depois que havíamos chegado por aqui. Naquela época morávamos em um condo de 3 andares; nós no segundo andar e o Marmé e a Tati no primeiro. Resolvemos então fazer a “Despedida do Verão” e convidamos todo mundo que conhecíamos (por razões óbvias, eles conheciam muito mais gente que nós). Resultado: se eu contei direito eram mais de 50 pessoas subindo e descendo escadas, transitando entre os dois apartamentos, fazendo churrasco, com música alta, tocando rock bank, dançando na sacada e nas salas, as crianças correndo e gritando. Enfim, o caos. Daquela vez por pouco não fomos chamados pela polícia, mas fomos chamados a atenção pelo concièrge duas ou três vezes.

Depois daquela vez sempre acabamos fazendo algo parecido, nem próximo em escala de bagunça e pessoas mas na mesma intensidade, coisas como churrascos na praia, jogar volei e brincar na piscina nos parques, jantares em restaurantes e/ou na casa de um ou de outro. Acho que o mais assustador para as pessoas deve ser quando estamos em restaurantes porque nunca falamos baixo e tampouco somos discretos. Tenho certeza que isso puxamos dos portugueses, espanhóis e italianos que foram morar no Brasil. Coisas como gargalhar de forma estridente, xingar uns aos outros, puxar e juntar mesas, trocar de lugar várias vezes pra conversar com outros é o mínimo que fazemos. E esta festa de aniversário não poderia ser diferente.

O local escolhido foi o restaurante Chez Grecco, um restaurante de comida grega muito conhecido pelas diferentes promoções feitas em diferentes dias da semana. Quinta-feira é o dia da promoção mais conhecida onde pedimos um prato e o segundo prato sai por 1$. Teve até um episódio muito curioso que aconteceu certa vez que um de nós foi lá. A promoção não era clara quanto a exceções ou exigências para o prato que custa 1$, apenas que certos pratos não faziam parte da promoção e que, no caso da escolha de pratos com valores diferentes, o prato cobrado seria o mais caro e o mais barato sairia por 1$. Pois bem. Esses nossos amigos foram nesse restaurante. Ele, a esposa e a sogra, cada um pediu um prato. Oras, para aproveitar a promoção eles resolveram pedir um quarto prato que, caso sobrasse, levariam para casa. Quando todos fizerem seus pedidos a garçonete não falou nada demais e tomou nota do que cada um comeria. Todos comeram, a comida muito boa, etc. Quando chegou a conta , eis o momento do susto: três dos quatro pratos foram cobrados com o valor integral. Ou seja, um dos pratos que deveria custar 1$ foi cobrado normalmente. Ele chamou a garçonete e pediu explicações a respeito daquilo. Ela, na  maior naturalidade, respondeu que como eles estavam em 3 pessoas, ela supôs que o quatro prato seria consumido por uma das pessoas e que, a promoção só era válida se cada pessoas consumisse um prato. Bom, logicamente o barraco foi armado e ele se recusou a pagar por aqui. A garçonete ficou indignada e disse que nunca na vida tinha visto alguém achar a lógica dela incorreta e que ELE seria a pessoa errada.

Então, como eu havia dito, o restaurante onde foi a festa de aniversário foi nesse mesmo estabelecimento onde esse episódio se passou. Estávamos em nada menos que mais de 30 pessoas, todas discretas e silenciosas como sempre, entre crianças e adultos. Eu até agora não consegui entender como a garçonete conseguiu se entender nos pedidos e como também não nos mandaram embora depois de todo aquele barulho. Até cantar parabéns em português para outras pessoas que faziam aniversário por lá nós chegamos a fazer, só pra dar uma idéia do que aconteceu. De qualquer forma, é sempre divertido ver essa galera e a expressão de desespero nas pessoas que nos olham, especialmente os mais velhos.

Ah sim. Gump, desde já e sempre eu compartilho seu momento de indignação. Eu mesmo só fui lá porque as pessoas são meus amigos =)

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