TI e Imigração

Eu e minha esposa ficamos algum tempo pensando quanto a escrever ou não este texto, já tendo em vista evitar eventuais flames, mas achamos que seria mesmo uma boa idéia darmos nossa opinião pois talvez isto venha a ajudar quem está pensando em vir pra cá ou que esteja aqui a pouco tempo.

Quando estávamos pensando em imigrar pra cá tudo era muito misterioso para nós quanto ao Québec e o Canadá. Ambos, eu e minha esposa, já tínhamos vários anos de experiência na área de TI, inclusive trabalhando para empresas nos EUA, Inglaterra, França e o escambau a quatro, mas tudo isso dentro dos regimes de trabalho brasileiros, seja CLT ou PJ. Morar no Canadá, começar num mercado recém-chegado no país, quanto ganhar e como se encaixar. Essas e muitas outras eram nossas dúvidas naquele tempo. Infelizmente naquele tempo não tinha uma lista de informática, missões de contratação, facilidade para encontrar informações a respeito desses nem muitas das facilidades que hoje se pode contar.

Finalmente, gostaríamos de deixar aqui algumas coisas que aprendemos a respeito do mercado e que, se alguém tivesse nos dito naquele tempo, teria feito uma grande diferença.

“Meu francês não é muito bom e minha especialidade (PM, Analista, etc.) depende que eu fale e/ou escreva bastante. Será que continuo na minha área no Québec?”

Não, não continue. Principalmente se sua intenção é trabalhar num meio predominantemente francófono. Você corre vários riscos se optar por esse caminho: não ser contratado por falta de segurança em você; se você tiver a sorte de ser contratado, pode vir a passar por situações de extrema pressão e eventualmente pode acabar sendo dispensado e perdendo uma boa oportunidade de carreira. Se mesmo assim você resolver assumir o risco, boa sorte. Mas pelo menos tente compensar seu idioma o mais rápido possível estudando o máximo que puder.

“Sou desenvolvedor, tenho experiência nas linguagens X,Y,Z mas como estou chegando no Québec agora, aceito qualquer proposta pra começar”

Com todas as letras ? NÃO FAÇA ISSO. Não é porque você nunca trabalhou aqui que é melhor ou pior do que os profissionais daqui. A mesma tecnologia que você usa no Brasil existe aqui. A mesma experiência técnica que você adquiriu aí eles também tem aqui. O mesmo código que você gera é o que eles geram aqui. Então, porque trabalhar por menos ? Porque você não tem a “experiência canadense”? Na área de desenvolvimento, esqueça isso! Negocie seu salário sabendo que você está no mesmo patamar que um desenvolvedor daqui.

“Mas eu sou imigrante (ou tenho work permit, whatever). Preciso começar ‘por baixo’ até me provar no mercado”

Se provar? Por quê? NO quê? Independente se você é canadense ou brasileiro ou venezuelano ou indiano ou o que quer que seja, sua maior barreira é a de conseguir que te chamem para uma entrevista. E não é sua nacionalidade o problema. Aqui em Québec, as empresas que têm brasileiros no quadro de funcionários os têm como altamente qualificados e extremamente versáteis. Então, se em algum lugar dentro de você houver essa síndrome de inferioridade, esqueça. Trabalhe seu currículo, busque caminhos (redes sociais, telefones, eventos, etc.) para conseguir ser “visto” pelas empresas e busque sua entrevista. Quando isso acontecer, saiba negociar muito bem sua entrada.

Diferente do Brasil que tem uma política trabalhista que é uma mãe para o empregado (e uma madrasta pro empregador), aqui tudo depende da sua negociação. É possível que você trabalhe ao lado de uma pessoa no mesmo cargo que você que ganha 25%, 30% ou mesmo 50% a menos que você e que tem apenas 2 semanas de férias, comparadas às suas 4. Sim, isso é possível e acontece. Se a empresa precisar de você não vai ser porque você pediu “n” que vão deixar de te contratar. Tenha certeza de que pode haver uma contra-proposta e fica a seu critério continuar negociando. Em muitos casos, infelizmente essa vai ser sua única chance de conseguir um bom salário. Depois disso, aumentos devem ficar restritos ao reajuste anual, que muitas vezes fica entre 1% e 5% (com muita sorte). Ah sim. Aqui não tem 13o, não tem 1/3 de férias e, se você trabalhar no setor privado, o teto da sua aposentadoria pública não vai passar de 1,000$. Tenha certeza de ter na sua negociação um bom plano de assistência dentária, médica e uma boa estratégia de contribuição do seu REER (RRSP).

Quer um outro motivo de porque você não deve aceitar um salário muito menor que a média ? Porque sua atitude prejudica quem está no mercado. Se o salário médio de um desenvolvedor .NET sênior em Québec é de 65,000$, por quê você deveria aceitar ganhar 40,000$ pela mesma posição? Sua capacidade técnica é a mesma que a de qualquer um daqui, quem sabe até melhor no lugar onde você acabar indo trabalhar, então isso não justifica 40% de diferença. Caso contrário, lembre-se que isso pode ser negativo pra você mesmo, pois se esse for o resultado da sua negociação, talvez esse seja o seu salário por um boooooom tempo.

“Posso ter certeza de que vou ser tratado como igual no Québec?”

Veja só, o Canadá se orgulha de ser um dos países mais etnicamente e culturalmente abertos do mundo. MAS, isso não quer dizer que “o céu é sempre azul”. Você não nasceu aqui, nem o inglês nem o francês são seus idiomas nativos e você está em desvantagem numérica (a menos que você seja chinês e vá morar em Vancouver).

Sendo bem franco, a maioria dos québequences é ignorante no tocante a como funciona o programa de imigração. Boa parte deles acha que falamos espanhol, obviamente, e por isso mesmo devemos ser como “os outros hispanofônicos” que vêm para cá, que é uma comunidade muito maior que a de brasileiros.

Falando especificamente de hispanofônicos, um grande número dos que vêm para o Québec chegam aqui em programas de imigração ou são refugiados. Geralmente são rotulados como de origem humilde, com pouca instrução. Talvez porque é comum contratar mão de obra de mexicanos e colombianos para trabalhar em colheitas (durante os períodos de safra). Eventualmente aqueles que não retornam acabam ficando trabalhando no comércio ou em trabalhos mais braçais. Obviamente que isso não é uma regra. Muitos são médicos, engenheiros, advogados, químicos, bioquímicos e a lista vai longe. Minha esposa mesma trabalha com um mexicano que é desenvolvedor Java, fala francês, inglês e espanhol, que é vítima desse rótulo de quem trabalha com colheita. Ele mesmo já faz piada com sua própria realidade. Toda vez que as pessoas perguntam como um mexicano trabalha com desenvolvimento aqui em Québec, ele conta que um dia, enquanto trabalhava colhendo morangos na Ilha de Orleans, o CEO da empresa o encontrou e perguntou-lhe se ele saberia falar bonjour. Ao responder “oui” o CEO disse : “ótimo! você está contratado como desenvolvedor java!”

Os refugiados são um assunto que sempre gera controvérsias. Alguns nem mesmo chegam a falar o francês e, em alguns casos, chegam mesmo a formar guetos e gangues (vide situações que acontecem em Montréal e que chegaram a acontecer aqui mesmo em Québec). Geralmente por estarem fugindo de situações muito difíceis em seus países (guerras, catástrofes, etc.) essas pessoas não vêm buscando a integração e é aí que os rótulos nascem. Alguns anos atrás o Canadá inclusive mandou de volta vários refugiados argumentando exatamente a falta de integração dessas pessoas ao serem trazidas para cá, episódio este que causou muita discussão (pra variar).

O processo hoje está mais exigente do que quando viemos morar aqui ? Sim, está, mas acompanhando os avanços nas políticas de imigração e como o mercado tem se comportado, eu considero as mudanças algo natural visto que cada vez mais fica claro o tipo de profissional necessário para o país. Não adianta falar os idiomas “mais ou menos” e achar que ser suficiente pra viver aqui. Talvez até seja, mas você nunca vai saber o quanto pode estar perdendo em não aprender mais. Pense assim: ninguém está te obrigando a vir para cá, você está vindo porque quer. É a vida que você escolheu, no país que você escolheu viver. Então, invista em evoluir seu francês E o seu inglês (ISTO AINDA É UMA NAÇÃO BILÍNGUE, MME. PAULINE MAROIS!) ao ponto deles serem tão naturais para você quanto é seu português. Aprenda a cultura e a história do país. Tenha certeza de que isso vai fazer de você uma pessoa diferenciada e apreciada pelos próprios canadenses.

Pode acontecer de você ter seu trabalho criticado e/ou desvalorizado por não ser daqui? Sim, pode e acontece, mas isso nem sempre é claro ou direto o suficiente. Felizmente, eu nunca sofri comentários discriminatórios, mas tenho amigos que infelizmente passaram por esse tipo de situação. Coisas como “você está roubando o emprego de alguém daqui” ou “você deveria voltar pro seu país” ou ainda “você é marrom (em tom de ‘que nojo’)”. Obviamente, nenhuma dessas situações aconteceu em ambiente de trabalho porque se acontecesse com certeza daria prisão ou no mínimo uma situação MUITO, mas MUITO desconfortável. Como contornar esse tipo de situação? Vou contar uma historinha:

Meu pai imigrou para o Brasil quando tinha 18 anos. Foi sozinho pro país, sabia “zero” de português. Ele casou, criou 3 filhos, assumiu uma empresa com mais de 300 funcionários onde ele entrou sendo entregador e acabou como presidente. Até hoje o português dele é uma piada, mas ele nunca desistiu e apesar de todas as chances que teve de voltar pro Japão, ele nunca desistiu do sonho dele e continua morando no Brasil. Tirando as piadas clássicas que a gente ouve sobre japonês e que acaba rindo junto pra descontrair, presenciei cenas muito duras dos mesmos níveis e até piores do que essas que aconteceram por aqui com meus amigos, muitas das quais são responsáveis por meu repúdio ao povo brasileiro e pela minha saída definitiva daí; mas isso não tem que ser uma regra. O Canadá é um país civilizado, onde as regras e as leis são iguais para todos e onde todos lutam por uma vida melhor. Cabe a nós mesmos fazer com que aqueles que venham a menosprezar quem somos saibam o quanto realmente lutamos para conseguir sermos quem somos e estarmos onde estamos.

Finalizando este texto que com certeza foi o mais longo que eu escrevi em uma sentada desde minha última monografia, peço minhas mais sinceras desculpas se cheguei a insultar alguém por expor situações ou opiniões previamente discutidas nesta lista. Perdão também pelos erros de português (o corretor ortográfico do GMail não faz milagre com que não escreve há tanto tempo em português). Não espero que este texto vá mudar a vida de ninguém, mas tenho a esperança de que vai ser útil em algum momento, nem que seja como template pra filtro de spam =)

Abraços cordiais e boa sorte.

Informações financeiras:
  1. Calculadora de salários: http://www.paycheckcity.com/canada/coeatonca/cacalculator.aspx
  2. Informações sobre impostos: http://www.taxtips.ca/
  3. Planejamento da aposentadoria:  http://www.servicecanada.gc.ca/eng/lifeevents/retirement.shtml
  4. Tendo uma família:  http://www.servicecanada.gc.ca/eng/lifeevents/family/index.shtml
Informações gerais:
  1. Melhores cidades para morar no Canadá: http://www.moneysense.ca/2012/03/20/canadas-best-places-to-live-2012/
  2. Empresas de TI no Québec:  http://www.vetiq.org/membres/index.html
  3. Informações úteis para profissionais de TI no Québec: http://www.najar.ca/fr/main-fr/88-immigration/22-ressources-pour-professionels-ti-quebec

Québec e o mercado financeiro mundial

Tá perdido sobre o mercado também?

 

Tá perdido sobre o mercado também?

Semana passada alguém me enviou um e-mail perguntando sobre a atual situação financeira do Québec com relação aos efeitos causados por conta da crise financeira nos E.U. Bom, o e-mail rendeu frutos e ficou bem longo. Achei interessante copiá-lo aqui porque pode ser útil para outras pessoas.

Só lembrando, as coisas que escrevi aqui são resultado de pesquisas e leituras. Não sou especialista em economia nem nada afim, mas gosto do assunto e procuro ficar informado. Se alguém tiver informações/opiniões diferentes, respondam porque o assunto é interessante e bem diversificado.

Como está o mercado do Québec em relação aos problemas da crise financeira mundial?

Por aqui tudo anda tranquilo, até demais na verdade. O Québec sofreu sim com a c*gada dos E.-U., mas não teve grande impacto na sociedade. As três indústrias mais afetadas são a florestal, a aeroespacial e minérios (inclua nesse último a Vale do Rio Doce que entrou na hora errada por aqui). Fiquei sabendo recentemente também que o mercado petrolífero também entrou no grupo dos que apanharam bastante com isso, mas não tenho detalhes da situação. O principal aspecto que afetou as três primeiras indústrias é o fato de que o principal mercado era o estadosunidense. Contudo, mesmo com esse aspecto, o país luta para que os efeitos sejam salvaguardados pelo Governo a ponto de proteger as instituições bancárias. As pessoas esperam as conclusões das últimas eleições provinciais com otimismo. Pra te ser bem honesto não tenho acompanhado muito de perto esta parte (política), por isso não sei te dizer ao certo como está por aqui, mas só vejo o (Stephen) Harper sempre falando que tudo está indo bem (parece até o Lula falando do Brasil ser o paraíso e que nunca vai ser afetado por crise nenhuma).

Não dá pra te dizer ao certo o impacto dos preços nessa época do ano, principalmente porque no inverno boa parte dos alimentos fica mais caro. Por outro lado, o combustível tem baixado bastante ultimamente. Alguns amigos insistem em dizer que isso acontece todos os anos porque, como no inverno as pessoas usam mais carro o Governo tenta forçar a baixa dos preços no sentido de favorecer a população, mas eu discordo um pouco. Acredito que isso é reflexo do retorno do valor do barril de petróleo no mercado internacional para um valor próximo ao que era praticado antes da última alta desgovernada de preços.

Mercado de trabalho ainda continua aquecido. Do nosso lado (IT) sempre tem vagas pra gente especializada. Por chegar próximo ao final do ano, comércio também tem contratado bastante. Todas as semanas eu vejo anúncios novos para trabalhos temporários, mas isso deve esfriar (metafórica e meteorologicamente falando) até depois do Natal, voltando a esquentar de novo (agora só to falando do Mercado, nada do clima) por Fevereiro.

E o mercado de trabalho?

Sobre emprego, tem bastante coisa mesmo. Programador então, é só dizer que você programa que tem emprego, sem exageros. Claro, francês é importante, importante mesmo. Em Montreal já ouvi dizer que atualmente nem é tão importante assim, basta você ter inglês suficiente para conversação que já consegue ser empregado. Isso muda quando você vai pra outras cidades, tipo Québec (onde estou eu e minha família). Claro, tudo isso é relativo. Por aqui isso é exigência porque 90% das empresas trabalham para o Governo provincial, o que implica em ter uma boa conversação e (dependendo da sua função) escrita e técnicas de negociação também. Mas isso pode ser relativo mesmo, vai depender da empresa onde você pretende trabalhar. Opinião pessoal: estude francês. Se você vier para uma cidade onde isso é fortemente exigido, você já está garantido. Senão, francês (e inglês) SEMPRE é um diferencial para a contratação.

A área de infra-estrutura também tem bastante coisa. Ao contrário do que acontece no Brasil, o governo prefere tecnologias proprietárias (Microsoft, Oracle, IBM, etc), enquanto que (algumas, não todas) empresas privadas se arriscam em tecnologias OpenSource (Linux e afins).

Se eu tivesse que te indicar algo, diria pra se especializar em tecnologias Microsoft, Oracle e Java, tanto para infra-estrutura quanto para desenvolvimento. Isso sempre tem vaga por aqui.

Se quiser ter uma idéia de salários, sugiro que você se cadastre no PayScale (http://www.payscale.com/) e monte seu perfil. As estimativas de lá são bem próximas da realidade, isso por experiência própria e com relatos de amigos que também trabalham na área.

Dicas sobre o Canadá

Olá. Encontrei este site por acaso enquanto lia uma das inúmeras listas de discussão que existem sobre lá. Gostei muito do conteúdo e da forma com que é abordado, dando importância a pontos chaves do dia-a-dia, tais como gastos com habitação, alimentação, energia elétrica, aquecimento, aluguel, estudo, trabalho e outras coisas que fazem parte do imaginário de quem não tem nem idéia por onde começar.

Vale lembrar que o conteúdo é escrito levando em conta a média do país, não especificamente de uma província, mas de qualquer forma é muito interessante para se ter uma idéia aproximada de custos.

Site: RBC Groupe Financier – Bienvenue au Canada.

PayScale

Interessado em saber se o que você está ganhando está de acordo com a realidade ao seu redor? Bom, o site PayScale tem exatamente essa intenção. Ainda pouco conhecido no Brasil o projeto tem como objetivo principal angariar informações sobre as médias salariais pagas pelas empresas para as profissões do mercado. Um bom termômetro pra saber como anda sua profissão e seus rendimentos.

Adicionei este final de semana o link para o site PayScale, uma espécie de site feito pra coletar informações sobre salários e profissões. Bem interessante, ele não requer que você preencha nada mais além da sua renda e eventuais benefícios. Além disso, você tem a disposição um Research Center onde pode consultar como anda a média salarial das pessoas que preencheram o site com seus rendimentos. Deveras interessante.

Sempre achei meio furadas essas pesquisas de revistas sobre média salarial, principalmente porque elas levam em questão um determinado cargo e/ou função mas desconsideram a região. Ora, é óbvio que ainda existe uma diferença considerável entre custo de vida entre regiões e, como conseqüência um Médico que trabalho no SUS em São Paulo tem ganhos bem diferentes de outro que trabalha pra uma prefeitura em Santo Antônio da Platina. Além disso, tem o fator “Reportagem Comprada” o que nem sempre pode gerar dados condizentes com a realidade. O interessante desse site é que você pode fazer a pesquisa por Estado (ou província, dependendo do país em questão).

Bem interessante, ele não requer que você preencha nada mais além da sua renda e eventuais benefícios. Além disso, você tem a disposição um Research Center onde pode consultar como anda a média salarial das pessoas que já preencheram a pesquisa e compará-los por região e por país. Deveras interessante. Além disso, os interessados têm a sua disposição serviços adicionais (pagos, obviamente) para recolocação salarial.

Gostei tanto da idéia que resolvi colocar um banner no site pra divulgá-lo mais. Vale a pena conferir (principalmente se você quiser ter uma noção de como pode ser sua situação financeira lá fora e se comparar com o que ganha aqui dentro). Apesar de não ser novo (o projeto foi lançado em 2002) ainda é pouco conhecido por aqui. Com certeza é uma excelente idéia.

Le quart des Québécois surchargés de travail

Près du quart (23%) des travailleurs québécois disent avoir une charge de travail trop élevée et les femmes sont celles qui sont les plus touchées par cette affirmation.

C’est ce qui ressort d’un sondage CROP-Express réalisé du 19 au 29 octobre auprès de 1000 répondants dans la province pour l’Ordre des conseillers en ressources humaines et en relations industrielles agréés du Québec.

Ainsi, 17% des hommes et 30% des femmes se plaignent d’une charge de travail trop lourde.

«Cette différence chez les femmes vient probablement du fait qu’elles doivent encore assumer plusieurs responsabilités familiales en marge de leur carrière», avance Alain Desgagné, président du conseil d’administration de l’ORHRI.

«D’où l’importance pour les organisations de mettre en place des mesures efficaces de conciliation du travail avec la vie personnelle», ajoute M. Desgagné.

Toutefois, il faut rappeler que 69% des sondés disent que le poids de leurs tâches est juste, contre 8% qui disent pouvoir en faire davantage.

Parmi les répondants qui affirment en avoir trop sur les épaules, 73% croient que leur employeur en est conscient, contre 27% disant le contraire.

Au total, 56% des travailleurs surchargés jugent que la rémunération tient compte du boulot accompli, dont 65% chez les hommes et 45% chez les femmes.

Toutefois 42% soutiennent ne pas être payés à leur juste valeur. Aussi, 56% des ménages dont les revenus se situent de 20 000 $ à 40 000 $ tiennent le même discours.

Comment régler ce problème ?

«Il est évident que l’évaluation du rendement est une excellente occasion pour aborder cette problématique, dit Alain Desgagné. L’évaluation annuelle permet notamment de revoir les objectifs et la description des tâches confiées aux employés.»

La marge d’erreur du sondage est de 3%, 19 fois sur 20.