TI e Imigração

Eu e minha esposa ficamos algum tempo pensando quanto a escrever ou não este texto, já tendo em vista evitar eventuais flames, mas achamos que seria mesmo uma boa idéia darmos nossa opinião pois talvez isto venha a ajudar quem está pensando em vir pra cá ou que esteja aqui a pouco tempo.

Quando estávamos pensando em imigrar pra cá tudo era muito misterioso para nós quanto ao Québec e o Canadá. Ambos, eu e minha esposa, já tínhamos vários anos de experiência na área de TI, inclusive trabalhando para empresas nos EUA, Inglaterra, França e o escambau a quatro, mas tudo isso dentro dos regimes de trabalho brasileiros, seja CLT ou PJ. Morar no Canadá, começar num mercado recém-chegado no país, quanto ganhar e como se encaixar. Essas e muitas outras eram nossas dúvidas naquele tempo. Infelizmente naquele tempo não tinha uma lista de informática, missões de contratação, facilidade para encontrar informações a respeito desses nem muitas das facilidades que hoje se pode contar.

Finalmente, gostaríamos de deixar aqui algumas coisas que aprendemos a respeito do mercado e que, se alguém tivesse nos dito naquele tempo, teria feito uma grande diferença.

“Meu francês não é muito bom e minha especialidade (PM, Analista, etc.) depende que eu fale e/ou escreva bastante. Será que continuo na minha área no Québec?”

Não, não continue. Principalmente se sua intenção é trabalhar num meio predominantemente francófono. Você corre vários riscos se optar por esse caminho: não ser contratado por falta de segurança em você; se você tiver a sorte de ser contratado, pode vir a passar por situações de extrema pressão e eventualmente pode acabar sendo dispensado e perdendo uma boa oportunidade de carreira. Se mesmo assim você resolver assumir o risco, boa sorte. Mas pelo menos tente compensar seu idioma o mais rápido possível estudando o máximo que puder.

“Sou desenvolvedor, tenho experiência nas linguagens X,Y,Z mas como estou chegando no Québec agora, aceito qualquer proposta pra começar”

Com todas as letras ? NÃO FAÇA ISSO. Não é porque você nunca trabalhou aqui que é melhor ou pior do que os profissionais daqui. A mesma tecnologia que você usa no Brasil existe aqui. A mesma experiência técnica que você adquiriu aí eles também tem aqui. O mesmo código que você gera é o que eles geram aqui. Então, porque trabalhar por menos ? Porque você não tem a “experiência canadense”? Na área de desenvolvimento, esqueça isso! Negocie seu salário sabendo que você está no mesmo patamar que um desenvolvedor daqui.

“Mas eu sou imigrante (ou tenho work permit, whatever). Preciso começar ‘por baixo’ até me provar no mercado”

Se provar? Por quê? NO quê? Independente se você é canadense ou brasileiro ou venezuelano ou indiano ou o que quer que seja, sua maior barreira é a de conseguir que te chamem para uma entrevista. E não é sua nacionalidade o problema. Aqui em Québec, as empresas que têm brasileiros no quadro de funcionários os têm como altamente qualificados e extremamente versáteis. Então, se em algum lugar dentro de você houver essa síndrome de inferioridade, esqueça. Trabalhe seu currículo, busque caminhos (redes sociais, telefones, eventos, etc.) para conseguir ser “visto” pelas empresas e busque sua entrevista. Quando isso acontecer, saiba negociar muito bem sua entrada.

Diferente do Brasil que tem uma política trabalhista que é uma mãe para o empregado (e uma madrasta pro empregador), aqui tudo depende da sua negociação. É possível que você trabalhe ao lado de uma pessoa no mesmo cargo que você que ganha 25%, 30% ou mesmo 50% a menos que você e que tem apenas 2 semanas de férias, comparadas às suas 4. Sim, isso é possível e acontece. Se a empresa precisar de você não vai ser porque você pediu “n” que vão deixar de te contratar. Tenha certeza de que pode haver uma contra-proposta e fica a seu critério continuar negociando. Em muitos casos, infelizmente essa vai ser sua única chance de conseguir um bom salário. Depois disso, aumentos devem ficar restritos ao reajuste anual, que muitas vezes fica entre 1% e 5% (com muita sorte). Ah sim. Aqui não tem 13o, não tem 1/3 de férias e, se você trabalhar no setor privado, o teto da sua aposentadoria pública não vai passar de 1,000$. Tenha certeza de ter na sua negociação um bom plano de assistência dentária, médica e uma boa estratégia de contribuição do seu REER (RRSP).

Quer um outro motivo de porque você não deve aceitar um salário muito menor que a média ? Porque sua atitude prejudica quem está no mercado. Se o salário médio de um desenvolvedor .NET sênior em Québec é de 65,000$, por quê você deveria aceitar ganhar 40,000$ pela mesma posição? Sua capacidade técnica é a mesma que a de qualquer um daqui, quem sabe até melhor no lugar onde você acabar indo trabalhar, então isso não justifica 40% de diferença. Caso contrário, lembre-se que isso pode ser negativo pra você mesmo, pois se esse for o resultado da sua negociação, talvez esse seja o seu salário por um boooooom tempo.

“Posso ter certeza de que vou ser tratado como igual no Québec?”

Veja só, o Canadá se orgulha de ser um dos países mais etnicamente e culturalmente abertos do mundo. MAS, isso não quer dizer que “o céu é sempre azul”. Você não nasceu aqui, nem o inglês nem o francês são seus idiomas nativos e você está em desvantagem numérica (a menos que você seja chinês e vá morar em Vancouver).

Sendo bem franco, a maioria dos québequences é ignorante no tocante a como funciona o programa de imigração. Boa parte deles acha que falamos espanhol, obviamente, e por isso mesmo devemos ser como “os outros hispanofônicos” que vêm para cá, que é uma comunidade muito maior que a de brasileiros.

Falando especificamente de hispanofônicos, um grande número dos que vêm para o Québec chegam aqui em programas de imigração ou são refugiados. Geralmente são rotulados como de origem humilde, com pouca instrução. Talvez porque é comum contratar mão de obra de mexicanos e colombianos para trabalhar em colheitas (durante os períodos de safra). Eventualmente aqueles que não retornam acabam ficando trabalhando no comércio ou em trabalhos mais braçais. Obviamente que isso não é uma regra. Muitos são médicos, engenheiros, advogados, químicos, bioquímicos e a lista vai longe. Minha esposa mesma trabalha com um mexicano que é desenvolvedor Java, fala francês, inglês e espanhol, que é vítima desse rótulo de quem trabalha com colheita. Ele mesmo já faz piada com sua própria realidade. Toda vez que as pessoas perguntam como um mexicano trabalha com desenvolvimento aqui em Québec, ele conta que um dia, enquanto trabalhava colhendo morangos na Ilha de Orleans, o CEO da empresa o encontrou e perguntou-lhe se ele saberia falar bonjour. Ao responder “oui” o CEO disse : “ótimo! você está contratado como desenvolvedor java!”

Os refugiados são um assunto que sempre gera controvérsias. Alguns nem mesmo chegam a falar o francês e, em alguns casos, chegam mesmo a formar guetos e gangues (vide situações que acontecem em Montréal e que chegaram a acontecer aqui mesmo em Québec). Geralmente por estarem fugindo de situações muito difíceis em seus países (guerras, catástrofes, etc.) essas pessoas não vêm buscando a integração e é aí que os rótulos nascem. Alguns anos atrás o Canadá inclusive mandou de volta vários refugiados argumentando exatamente a falta de integração dessas pessoas ao serem trazidas para cá, episódio este que causou muita discussão (pra variar).

O processo hoje está mais exigente do que quando viemos morar aqui ? Sim, está, mas acompanhando os avanços nas políticas de imigração e como o mercado tem se comportado, eu considero as mudanças algo natural visto que cada vez mais fica claro o tipo de profissional necessário para o país. Não adianta falar os idiomas “mais ou menos” e achar que ser suficiente pra viver aqui. Talvez até seja, mas você nunca vai saber o quanto pode estar perdendo em não aprender mais. Pense assim: ninguém está te obrigando a vir para cá, você está vindo porque quer. É a vida que você escolheu, no país que você escolheu viver. Então, invista em evoluir seu francês E o seu inglês (ISTO AINDA É UMA NAÇÃO BILÍNGUE, MME. PAULINE MAROIS!) ao ponto deles serem tão naturais para você quanto é seu português. Aprenda a cultura e a história do país. Tenha certeza de que isso vai fazer de você uma pessoa diferenciada e apreciada pelos próprios canadenses.

Pode acontecer de você ter seu trabalho criticado e/ou desvalorizado por não ser daqui? Sim, pode e acontece, mas isso nem sempre é claro ou direto o suficiente. Felizmente, eu nunca sofri comentários discriminatórios, mas tenho amigos que infelizmente passaram por esse tipo de situação. Coisas como “você está roubando o emprego de alguém daqui” ou “você deveria voltar pro seu país” ou ainda “você é marrom (em tom de ‘que nojo’)”. Obviamente, nenhuma dessas situações aconteceu em ambiente de trabalho porque se acontecesse com certeza daria prisão ou no mínimo uma situação MUITO, mas MUITO desconfortável. Como contornar esse tipo de situação? Vou contar uma historinha:

Meu pai imigrou para o Brasil quando tinha 18 anos. Foi sozinho pro país, sabia “zero” de português. Ele casou, criou 3 filhos, assumiu uma empresa com mais de 300 funcionários onde ele entrou sendo entregador e acabou como presidente. Até hoje o português dele é uma piada, mas ele nunca desistiu e apesar de todas as chances que teve de voltar pro Japão, ele nunca desistiu do sonho dele e continua morando no Brasil. Tirando as piadas clássicas que a gente ouve sobre japonês e que acaba rindo junto pra descontrair, presenciei cenas muito duras dos mesmos níveis e até piores do que essas que aconteceram por aqui com meus amigos, muitas das quais são responsáveis por meu repúdio ao povo brasileiro e pela minha saída definitiva daí; mas isso não tem que ser uma regra. O Canadá é um país civilizado, onde as regras e as leis são iguais para todos e onde todos lutam por uma vida melhor. Cabe a nós mesmos fazer com que aqueles que venham a menosprezar quem somos saibam o quanto realmente lutamos para conseguir sermos quem somos e estarmos onde estamos.

Finalizando este texto que com certeza foi o mais longo que eu escrevi em uma sentada desde minha última monografia, peço minhas mais sinceras desculpas se cheguei a insultar alguém por expor situações ou opiniões previamente discutidas nesta lista. Perdão também pelos erros de português (o corretor ortográfico do GMail não faz milagre com que não escreve há tanto tempo em português). Não espero que este texto vá mudar a vida de ninguém, mas tenho a esperança de que vai ser útil em algum momento, nem que seja como template pra filtro de spam =)

Abraços cordiais e boa sorte.

Informações financeiras:
  1. Calculadora de salários: http://www.paycheckcity.com/canada/coeatonca/cacalculator.aspx
  2. Informações sobre impostos: http://www.taxtips.ca/
  3. Planejamento da aposentadoria:  http://www.servicecanada.gc.ca/eng/lifeevents/retirement.shtml
  4. Tendo uma família:  http://www.servicecanada.gc.ca/eng/lifeevents/family/index.shtml
Informações gerais:
  1. Melhores cidades para morar no Canadá: http://www.moneysense.ca/2012/03/20/canadas-best-places-to-live-2012/
  2. Empresas de TI no Québec:  http://www.vetiq.org/membres/index.html
  3. Informações úteis para profissionais de TI no Québec: http://www.najar.ca/fr/main-fr/88-immigration/22-ressources-pour-professionels-ti-quebec

Imigrando com filhos adolescentes

Recentemente acompanhei uma discussão sobre como tratar de imigração quando você tem filhos adolescentes. Não foi o nosso caso, mas deve ser o de muita gente. Como eu gostei realmente da opinião de uma das pessoas, resolvi publicá-la aqui.

1. deixe bem claro pros seus filhos que esta e a nova realidade. nao deixe que eles se apeguem a uma esperanca/possibilidade de retomar a vida no brasil do mesmo ponto que eles deixaram. a vida segue e mesmo que que voltassem nunca poderiam continuar do mesmo ponto que deixaram. transmitam confianca no que diz respeito a este passo que vcs estao dando.

2. de apoio emocional. mostre empatia ao que eles estao sentindo: ‘sim, eu sei que vc gostaria de ficar no brasil”, “”sim, eu imagino que vc sinta-se frustrado por ter que deixar a vida que vc construiu aqui e recomecar”, “mudanca gera incertezas e insegurancas, eu entendo que vc nao queira dar este passo”, etc.
mostrem a eles que vcs tb tem medos e receios. que vcs tb sentirao saudades dos amigos, familias, do emprego, etc. quando eles perceberem que vcs estao no mesmo barco que eles, se aproximarao. evita-se assim o pensamento: “minha mae/pai nao me entendem. pra eles e facil, nao tem que abrir mao de tudo como eu”, etc. deixem eles perceber que vcs sao humanos tanto quanto eles, que tem medos e incertezas. facam-no de uma forma que ainda assim eles os vejam como fortes e vencedores, e o + importante: que vcs sigam sendo a coluna de sustentacao de seus filhos.

3. deixe bem claro que independente do que venha acontecer e das diferentes opinioes vc e sua esposa estao com eles pro que der e vier e que irao apoia-los no que for preciso.

4. certifique-se de que seus filhos se sentem a vontade pra conversar com vc e sua esposa sobre seus medos e tristezas. incentive-os a conversar com vcs e expor seus receios. eles precisam de uma valvula de escape.

5. estudem juntos sobre as inumeras possibilidades que esperam por eles no canada.
surfem na net sobre escolas diferentes, summer camping, atividades de inverno, cursos extra-curriculares (musica, esporte, linguas, danca etc.), lugares que gostariam de passear juntos, etc. se eles estao deixando algo que fazem no brasil e gostam muito, comecem a procurar juntos uma alternativa. a intencao e deixa-los empolgados com as novidades que virao. fazer com que vejam o lado positivo da coisa.
o novo/desconhecido muitas vezes e visto como ameacador. o remedio e diminuir o desconhecido.

6. repitam sempre que o objetivo da mudanca e de dar a familia uma melhor perspectiva de vida, que todos vcs – sem excecao – estao investindo no futuro familiar e individual de cada um. eles podem fazer pouco caso disso hoje, dizer nao acreditar, mas funciona. e como osmose. e como diz o ditado: agua mole em pedra dura tanto bate ate que fura. entao podem comecar cantarolar nos ouvidos deles! rsrsrs

7. talvez eles parecam ja grandinhos, mas na verdade ainda sao criancas em seus coracoes. e como toda crianca eles precisam saber acima de qq coisa que vc e sua esposa os amam muito. que enfretarao esta mudanca juntos. “um por todos e todos por um”.

8. depois que ja chegarem ao canada dividam com seus filhos suas dificuldades. quando vcs coemcarem a contar suas experiencias eles se sentirao mais a vontade pra contar as deles. e ainda se sentirao aliviados de ver que e normal ter dificuldades, e nao sentirao que estao decepcionando vcs ou nao respondendo a expectativa de que eles se adaptem facilmente.

Morando no Canadá

Mais de um ano se passou desde que chegamos aqui e chegou a hora de fazer algumas reflexões a respeito desse tempo. A Márcia andou falando de suas impressões alguns dias depois de termos chegado aqui e esporadicamente eu colocava alguma coisa sobre o que acabávamos passando por aqui. Agora, sentamos juntos e fizemos um balanço desse tempo aqui.

Como acontece com muita gente que escreve um blog só pra mostrar o que vem passando durante a imigração, as atualizações tendem a ficar mais distantes umas das outras e pouca coisa nova é adicionada. É normal acontecer porque realmente a gente entra na rotina e o que era novidade pra gente acaba sendo quotidiano. Bom, pra evitar que essas coisas aconteçam e buscando tornar a pesquisa pra quem está interessado em morar aqui, vamos colocar informações mais comuns em um FAQ , um formato mais prático e de fácil atualização.

Aproveitei e coloquei os tópicos mais genéricos sobre imigração e sobre morar por aqui em um quadrinho na barra do site pra que fique mais fácil encontrar as informações. O blog não morreu, eu é que ando muito preguiçoso mesmo.

Coisas que não te preparam

Tem um lado da imigração que ninguém te prepara, não importa o quanto você leia ou converse com as pessoas, geralmente não se comenta sobre esse assunto que você tocou. A distância de casa.

Quando você pensa em morar fora, seja imigrar ou simplesmente morar fora em qualquer lugar, seja no exterior ou mesmo em outra cidade, você precisa se conhecer antes. Não vá somente na empolgação, pense e se prepare e seja bem ciente das coisas que podem te acontecer. Por exemplo, se você é muito chegado à sua família, a primeira coisa que você tem que ter consigo é que ELES NÃO VÃO ESTAR LÁ FORA COM VOCÊ.

Se pra você Internet, telefone e cartas são suficientes pra matar a saudade, você não vai ter problema algum em conviver longe de toda essa gente. Pode acreditar, esses serviços são muito mais baratos por aqui e extremamente acessíveis. Minha esposa, por exemplo, tem o hábito de falar com a mãe pelo menos uma vez por dia. É fácil, barato e sempre vai poder conversar com eles. Por outro lado. se você sempre foi daquele tipo de pessoa que, sua família e amigos é parte essencial do seu dia-a-dia, que não consegue se imaginar vendo o por do sol sem que algum deles esteja por perto, que sempre que vê qualquer coisa ao seu redor espera ter alguma dessas pessoas ao seu lado, você vai sofrer. Não importa onde você esteja, isso é um fato. Isso passa? Não sei te dizer porque este não é o meu caso, mas conheço pessoas que passam por isso.

E tem o outro lado também. Não é apenas você que vai sentir falta deles, eles vão sentir sua falta. Pelo que eu vejo e ouço, as criaturas que mais sofrem com essas mudanças são as mães. Elas choram, se derramam em lágrimas, sofrem como se estivessem sendo torturadas até a morte. E não pense que isso acaba quando você junta dinheiro pra visitar. Parece que tudo começa de novo, toda a choradeira, as chantagens e tudo o mais. Eu não julgo atitudes de ninguém, acho que é a maneira de cada um encarar as coisas.

Minha esposa compara a imigração com uma espécie de “morte em vida”. É uma situação curiosa que você se depara quando começa a se despedir das pessoas quando chega a hora de ir embora. Uma choradeira como se você fosse um defunto num caixão e ninguém nunca mais fosse te ver na vida.

Uma vez um monge me contou a história da maneira como o homem vive. Alguns crescem como o gambá, carregando os filhotes nas costas pra lá e pra ca, dando lhes de comer e protegendo-os onde quer que vão. Um dia os filhotes resolvem ir embora e a mamãe gambá vê o preço de ter carregado os filhotes pois perderam pêlo e peso, ficando extremamente fragilizadas.

Outras pessoas vivem como as árvores. A medida que as árvores crescem seus brotos acabam nascendo abaixo delas. Como o gambá, as árvores protegem os seus “filhotes” usando seus grandes galhos, mas diferente do gambá, as árvores não carregam os filhos “nas costas”. Nenhum dos dois está errado, é a maneira de ser de cada um, mas se fizer uma árvore criar os brotos nas costas ou um gambá ficar correndo atrás dos filhotes onde quer que eles vão, algo não vai dar muito certo…

9 meses depois

Pois é. 9 meses aqui e realmente não deu pra ver o tempo passar (por boas razões e outras nem tanto). Antes de contar as novidades, vou situar todo mundo um pouco.

Nosso processo de imigração começou em junho de 2006, quando assisti a palestra do M. Roque Paquette. Após 1,5 anos, embarcamos para Ville de Québec, onde chegamos em Agosto de 2007.

Desde que casamos não tivemos uma vida que pudemos dizer que realmente aproveitamos. Sempre fomos de guardar dinheiro para as eventualidades que a gente nunca sabia o que ia ser. Foram 7 anos sem férias, sem viajar, sem comprar nada além do necessário. A natureza de nós dois ajudou bastante. Nós dois somos capazes de atravessar um mar inteiro com um punhado de sal de fruta na mão, chegar do outro lado com tudo intacto e ainda guardar para uma eventual viagem de volta. Bom, isso acabou sendo bom por um lado porque com toda essa economia (leia-se “pãodurice”) que fizemos nossa viagem pro Canadá foi simples em termos de despesas. Por outro lado, isso também acabou com a saúde mental da gente.

Sobre nossa adaptação, tanto eu quanto minha mulher aprendemos a nos virar falando inglês e francês o dia inteiro no trabalho. Também já tivemos nossa experiência com o sistema de saúde e temos nosso médico da família. O filhote vai fazer seu primeiro aniversário aqui e já fala francês muito melhor que nós dois, tendo ido à escola desde nossa primeira semana aquina. Estamos na fase final das estações do ano, na que todo mundo considera a melhor das épocas daqui: o verão. O inverno não é um bicho de 7 cabeças mas realmente quem nunca viu never assim se assusta ao ver o quanto cai por aqui.

Apesar de ainda não estar no ritmo de “trabalhar pra viver” que eu tanto gostaria de ter (ainda estou no “viver pra trabalhar”), nosso ritmo melhorou e finalmente estamos aproveitando a vida. Vejam só pelas coisas que já fizemos: vamos em jogos de hockey, assistimos ao Cirque du Soleil, vimos o Disney on Ice, andamos de bicicleta, brincamos na neve e acima de tudo, estamos viajando. Tem muuuuuito lugar pra conhecer ainda, mas prá ter uma idéia, só aqui perto já fomos pra Île d’Orleans, conhecemos a Chute-Montmorency e outras pequenas (MESMO) cidades aqui por perto. Além disso já fomos a Drummondville, Montréal, Laval e até Ottawa. Isso sem contar que já fomos pra New York passar o Natal! Mas o melhor ainda estava por vir.

Nos próximos posts vou contar um pouco das nossas últimas viagens. Deve ser uma série de muitos posts que eu vou tentar terminar de escrever antes que o ano acabe (ou que o trabalhe acabe comigo).

Reportagem TV Paranaense

Salut a tous!

Hoje passou uma reportagem na TV Paranaense sobre aqueles daqui que estão imigrando ou que já foram para o Québec. Eles chegam a entrevistar a Géneviève, québecoise e proprietária do Centre Québec, escola voltada para o pessoal que deseja imigrar para o Québec e que mora aqui em Curitiba.

Publiquei no YouTube a reportagem de hoje e se possível devo publicar também a que vai passar no programa “Revista RPC” de amanhã (10-02-2008), que vai falar um pouco mais sobre o assunto.

Brasileiros fora do Brasil

Extraído de: http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/01/15/ult23u946.jhtm

A notícia é interessante, principalmente pra que está em processo de sair do país ou mesmo para aqueles que já estão fora há algum tempo. O governo brasileiro disponibilizou uma “cartilha ‘Brasileiros no Exterior, Informações Úteis’ (…) com o objetivo de orientar os brasileiros que pretendem emigrar para outros países. A informação é do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).”

“O material orienta o emigrante sobre políticas migratórias, as vacinas exigidas pelos outros países, seu sistema de saúde, os tipos de vistos que podem ser concedidos e a validade de cada um, o perigo de entrar clandestinamente no país, a atenção às propostas de emprego, os órgãos que devem ser procurados em caso de emergência, as dificuldades mais comuns, e conselhos e depoimentos de brasileiros residentes no exterior.”

Download da cartilha

Relato da Entrevista

Bom, dizer que estamos “meio” atrasados pra relatar nossa entrevista é dizer uma baita mentira, mas antes tarde do que nunca, certo? Então, de qualquer maneira, aqui vai o relato de nossa entrevista de imigração.

Dia 17/11, perto do meio-dia, seguimos em direção ao aeroporto. Encontramos uma boa promoção com a VARIG nessas épocas de passagens ficando tão caras. Foi bom porque, não queria ter ido de carro. São Paulo pra quem mora em Curitiba é sempre um bicho-de-sete-cabeças. Como a ansiedade era tamanha melhor não arriscar. Fomos de ônibus até o Afonso Pena aproveitando a viagem num ônibus vazio em pleno feriadão.

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O Canadá pelo olhar do estrangeiro

Encontrei um site muito interessante essa semana sobre imigração para o Québec e o resto do Canadá. O site é escrito boa parte por pessoas que imigraram e outras que nasceram por lá e resolvem ajudar quem está chegando agora. Também oference trocentos serviços como avaliação de changes de adaptação, formatação e preparação de CV, entre muitas outras parafernálias.

Aliás, tudo escrito em francês.

http://www.immigrer.com/

Vão começar as novas rodadas de entrevistas

Bom, de acordo com o calendário do site oficial do Québec, dia 24 de Outubro começam as novas rodadas de entrevistas aqui no Brasil. Pra ser mais exato, em São Paulo. Então, se você já recebeu seu comunicado do escritório do Québec avisando que deve ser chamado, prepare-se. Chegou a hora de revisar a documentação e acalmar os ânimos. Em pouco mais de um mês o jogo vai começar.

Bonne chance!

Escritório do Québec será aberto em SP no final do ano

Notícia fresquinha tirada do site do Governo do Québec.

QUÉBEC, le 23 juillet /CNW Telbec/ – La ministre des Relations internationales et ministre responsable de la Francophonie, Mme Monique Gagnon-Tremblay, dirigera une mission au Brésil du 24 août au 3 septembre 2007, dans les villes de Sao Paulo, Brasilia et Rio de Janeiro. La ministre sera accompagnée d’une quinzaine de personnes représentant les secteurs du commerce, de l’éducation, de l’immigration, de la science, de la technologie et de l’innovation ainsi que de l’économie sociale.

«Les rencontres viseront à renforcer nos liens politiques et à appuyer les démarches des personnes qui m’accompagneront dans ce pays considéré prioritaire dans la Politique internationale du Québec», a mentionné la ministre des Relations internationales. «Tel que le prévoit cette politique et compte tenu de l’émergence de l’économie du Brésil, a-t-elle poursuivi, un Bureau du Québec sera ouvert d’ici la fin de l’année 2007 à Sao Paulo. Cette nouvelle représentation du Québec offrira des services principalement dans les secteurs de l’économie, des relations institutionnelles et de l’immigration.»

La délégation se rendra d’abord dans l’État de Sao Paulo. Outre des rencontres avec des autorités politiques de l’État, la ministre accompagnera des membres de la mission dans des visites institutionnelles, industrielles et commerciales. À Brasilia, des rencontres sont prévues avec les autorités du gouvernement fédéral brésilien alors qu’à Rio de Janeiro des discussions avec les autorités de l’État permettront de venir appuyer les efforts de nos institutions et de nos gens d’affaires pour développer de nouveaux liens dans des secteurs clefs pour le Québec.

Outre les relations déjà établies au fil des ans avec les États de Sao Paulo et de Rio de Janeiro, le Québec entretient des relations avec les États de Minas Gerais et du Parana. Elles couvrent plusieurs secteurs : l’éducation, la culture, la santé, la science et la technologie, l’économie sociale, l’agroalimentaire. Elles s’appuient sur nos relations avec de nombreuses institutions, des experts, des régions et des villes brésiliennes.

Près de 2000 personnes au Québec sont d’origine brésilienne. Le gouvernement du Québec souhaite intensifier ses efforts afin qu’un plus grand nombre de Brésiliens choisissent de s’établir au Québec.

Le Brésil est le premier partenaire commercial du Québec en Amérique du Sud. Au cours des cinq dernières années, les exportations québécoises ont augmenté mais elles demeurent en deçà des possibilités qu’offre ce vaste marché de plus de 180 millions d’habitants. Pour l’année 2006, elles se sont situées à 348 M$ CA, une augmentation de 58% par rapport à l’année précédente. Plusieurs secteurs industriels se révèlent prioritaires, notamment les technologies de l’information, les télécommunications, l’aéronautique, les équipements miniers, l’énergie et la foresterie.

Veja também a notícia traduzida para o português:

Missão da ministra das relações internacionais no Brasil

Québec, 23 de Julho – A ministra das relações internacionais e ministra responsável pela Francofonia, Monique Gagnon-Tremblay, comandará uma missão ao Brasil de 24 de agosto a 3 de setembro de 2007, nas cidades de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. A ministra faz parte de uma comitiva representando os setores do comércio, da educação, da imigração, da ciência, da tecnologia e da inovação, bem como da economia social.

“Os encontros visam reforçar as relações políticas e apoiar as negociações dos representantes que compõem a comitiva, considerado prioridade na Política internacional do Québec”, mencionou a ministra. “Como prevê a política, devido a importância do Brasil como economia emergente, um escritório do Québec será aberto até o final do ano de 2007 em São Paulo. Essa nova representação da província oferecerá principalmente suporte aos setores da economia, relações institucionais e imigração.”

O destino incial da delegação é o Estado de São Paulo. Além dos encontros com as autoridades políticas do Estado, a ministra acompanhará os membros da missão em visitas institucionais, industriais e comerciais. Em Brasília a comitiva deve encontrar-se com autoridades do governo federal brasileiro. Já no Rio de Janeiro as discussões com as autoridades permitirão apoiar os esforços das instituições e das pessoas de negócio com fins de estreitar ligações entres os setores-chave junto ao Québec.

Além das relações já estabelecidades no decorrer dos anos com os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o Québec tem estreitado relações com os Estados de Minas Gerais e Paraná. Tais iniciativas envolvem diversos setores: educação, cultura, saúde, ciência e tecnologia, economia social e agricultura, envolvendo principal diversas instituições e especialistas das regiões e das cidades brasileiras.

Em torno de 2000 pessoas no Québec são de origem brasileira. O governo do Québec deseja intensificar os esforços a fim que cada vez mais brasileiros escolham o Québec como local de residência.

O Brasil é o primeiro parceiro comercial do Québec na América do Sul. No decorrer dos últimos 5 anos, as exportações québequenses tem aumentado consideravelmente mais poderão ser muito mais beneficiadas com a abertura de um mercado de mais de 180 milhões de habitantes como é o caso do país. O ano de 2006 estabelece um marco de CAN$ 348 milhões, um aumento de 58% em relação ao ano anterior de acordo com um relatório do governo. Diversos setores industrial se revelam prioridade, principalmente os de tecnologia de informação, telecomunicações, aeronáutica, equipamentos de mineração, energia e florestal.

Novas notícias para os profissionais que imigram para o Québec

Le gouvernement du Québec a annoncé mardi la création de cinq projets pour faciliter la reconnaissance des compétences professionnelles des immigrants qui veulent occuper des postes d’avocat, de comptable en management accrédité, de dentiste, d’hygiéniste dentaire et de technicien dentaire.

Les cinq ordres impliqués dans les projets offriront des programmes et des formations pour faciliter l’insertion de ces professionnels venant de l’étranger. Le gouvernement va leur verser 300 000 $ pour la réalisation de ces programmes.

La ministre de l’Immigration et des Communautés culturelles du Québec, Yolande James, rappelle dans un communiqué que le dossier des reconnaissances des acquis fait partie des priorités du gouvernement. « Ces nouvelles ententes aideront les ordres professionnels à être mieux outillés pour évaluer et reconnaître les formations et expériences acquises hors du Québec par les immigrants. Par conséquent, ceux-ci seront mieux préparés à joindre le marché du travail québécois dans leur domaine de compétences », a déclaré la ministre.

Les ordres professionnels sont par ailleurs désormais habilités, par une modification au Code des professions, à instaurer de nouvelles catégories de permis qui faciliteront l’intégration professionnelle des personnes immigrantes.

Les organisations étudient actuellement la possibilité de délivrer de tels permis et les modalités de mise en application de cette mesure feront l’objet d’un rapport qui sera remis en juin 2008 à l’Office des professions du Québec.

Depuis 2005, le gouvernement québécois a annoncé la conclusion de 17 ententes avec les ordres professionnels visant à faciliter la démarche de reconnaissance des diplômes et des formations des personnes immigrantes.

Chaque année, 4000 immigrants s’adressent aux 45 ordres professionnels du Québec pour qu’on reconnaisse leurs compétences.

Actuellement, pour obtenir un permis d’exercice d’un ordre professionnel, un candidat doit satisfaire aux exigences de scolarité, avoir une connaissance suffisante de la langue française et remplir d’autres conditions qui varient selon les ordres professionnels. Ces autres conditions sont souvent évaluées au moyen d’examens écrits.

Afin d’assurer la transparence du processus de reconnaissance des acquis des personnes formées à l’étranger, chaque ordre professionnel doit disposer d’un règlement qui détermine les normes d’équivalence de diplôme et de formation.”

Segue a versão traduzida:

“O governo do Québec anunciou na última terça-feira (09/07) a criação de cinco projetos para facilitar o reconhecimento das competências dos profissionais que desejam trabalhar com advocacia, contabilidade e administração de empresas, destista, higiene dentária e técnico dentário.

As cinco ordens envolvidas nos projetos oferecerão programas e formações para facilitar a inclusão dos profissionais que vêm do estrangeiro. O governo destinará $300.000 para a realização desses programas.

A ministra da Imigração e das Comunidade culturais do Québec, Yolande James, lembrou em um comunicado que o dossiê de reconhecimento faz parte das prioridades do governo. “As novas superintendências ajudarão as ordens profissionais a a melhor avaliar e reconhecer as formações e experiências adquiridas fora do Québec pelos imigrantes. Como conseqüência, eles serão melhor preparados a ingressar no mercado de trabalho québécois dentro de suas próprias competência”, declarou a ministra.

As ordens profissionais recebem o direito de criar novas categorias de licenciamento a fim de facilitar a integração profissional dos imigrantes.

As organizações estudam atualmente a possibilidade de liberar tais permissões e as as novas modalidades afetadas por essa medida como objeto de um relatório qeu será emitido em junho de 2008 pelo Office des professions du Québec.

Desde 2005, o governo do Québec anunciou a conclusão de 17 secretarias junto às ordens profissionais visando facilitar o processo de reconhecimento de diplomas e das formações dos imigrantes.

A cada ano, 4000 imigrantes são encaminhados às 45 ordens profissionais do Québec para reconhecimento de suas competências.

Atualmente, para obter a permissão de exercer sua profissão de uma ordem, o candidato deve satisfazer às exigências de escolaridade, ter conhecimento suficiente da língua francesa e preencher as outras condições que variam de acordo com cada ordem. Tais condições são geralmente avaliadas por meio de exames escritos.

A fim de garantir a transparência do processo de reconhecimento das pessoas formadas no exterior, cada ordem profissional deve dispôr de um regulamento que determina as normas de equivalência do diploma e da formação.”

No Blog do Marcelo e da Tati eles comentam sobre como estão realizando o processo de reconhecimento do diploma de engenheiros por meio de uma dessas organizações.

Vale lembrar também que profissionais de informática não possuem uma “Ordem” regulamentadora também no Québec. Assim, muitas pessoas recomendam que pessoas de TI busquem experiência internacional de alguma maneira, mesmo que seja trabalhando para empresas fora do Brasil. Outra sugestão é adquirir certificações internacionais, tais como MCSE, CCNA, Java Developer, entre outras. Isso conta bastante para comprovar sua experiência lá fora.