Temporada de Solteiro: Dia 14

Três desses nossos amigos fazem aniversário por estes dias e como todos se conhecem já é de costume aproveitar essa coincidência e fazer uma festa coletiva. O problema, claro, é quantidade de gente que todos convidam e a bagunça que a gente faz quando estamos juntos.

Québecois são pessoas discretas, calmas e, na maior parte do tempo, silenciosas. Brasileiros são, como posso dizer, exatamente o oposto. Não foram poucas as ocasiões que nos reunimos e que no mínimo deixamos quem estava olhando com a expressão de que aquilo deveria ser ou um massacre de galinhas ou um mercado árabe em dia de liquidação. A primeira vez que eu lembro que isso aconteceu e que eu estava presente foi pouco depois que havíamos chegado por aqui. Naquela época morávamos em um condo de 3 andares; nós no segundo andar e o Marmé e a Tati no primeiro. Resolvemos então fazer a “Despedida do Verão” e convidamos todo mundo que conhecíamos (por razões óbvias, eles conheciam muito mais gente que nós). Resultado: se eu contei direito eram mais de 50 pessoas subindo e descendo escadas, transitando entre os dois apartamentos, fazendo churrasco, com música alta, tocando rock bank, dançando na sacada e nas salas, as crianças correndo e gritando. Enfim, o caos. Daquela vez por pouco não fomos chamados pela polícia, mas fomos chamados a atenção pelo concièrge duas ou três vezes.

Depois daquela vez sempre acabamos fazendo algo parecido, nem próximo em escala de bagunça e pessoas mas na mesma intensidade, coisas como churrascos na praia, jogar volei e brincar na piscina nos parques, jantares em restaurantes e/ou na casa de um ou de outro. Acho que o mais assustador para as pessoas deve ser quando estamos em restaurantes porque nunca falamos baixo e tampouco somos discretos. Tenho certeza que isso puxamos dos portugueses, espanhóis e italianos que foram morar no Brasil. Coisas como gargalhar de forma estridente, xingar uns aos outros, puxar e juntar mesas, trocar de lugar várias vezes pra conversar com outros é o mínimo que fazemos. E esta festa de aniversário não poderia ser diferente.

O local escolhido foi o restaurante Chez Grecco, um restaurante de comida grega muito conhecido pelas diferentes promoções feitas em diferentes dias da semana. Quinta-feira é o dia da promoção mais conhecida onde pedimos um prato e o segundo prato sai por 1$. Teve até um episódio muito curioso que aconteceu certa vez que um de nós foi lá. A promoção não era clara quanto a exceções ou exigências para o prato que custa 1$, apenas que certos pratos não faziam parte da promoção e que, no caso da escolha de pratos com valores diferentes, o prato cobrado seria o mais caro e o mais barato sairia por 1$. Pois bem. Esses nossos amigos foram nesse restaurante. Ele, a esposa e a sogra, cada um pediu um prato. Oras, para aproveitar a promoção eles resolveram pedir um quarto prato que, caso sobrasse, levariam para casa. Quando todos fizerem seus pedidos a garçonete não falou nada demais e tomou nota do que cada um comeria. Todos comeram, a comida muito boa, etc. Quando chegou a conta , eis o momento do susto: três dos quatro pratos foram cobrados com o valor integral. Ou seja, um dos pratos que deveria custar 1$ foi cobrado normalmente. Ele chamou a garçonete e pediu explicações a respeito daquilo. Ela, na  maior naturalidade, respondeu que como eles estavam em 3 pessoas, ela supôs que o quatro prato seria consumido por uma das pessoas e que, a promoção só era válida se cada pessoas consumisse um prato. Bom, logicamente o barraco foi armado e ele se recusou a pagar por aqui. A garçonete ficou indignada e disse que nunca na vida tinha visto alguém achar a lógica dela incorreta e que ELE seria a pessoa errada.

Então, como eu havia dito, o restaurante onde foi a festa de aniversário foi nesse mesmo estabelecimento onde esse episódio se passou. Estávamos em nada menos que mais de 30 pessoas, todas discretas e silenciosas como sempre, entre crianças e adultos. Eu até agora não consegui entender como a garçonete conseguiu se entender nos pedidos e como também não nos mandaram embora depois de todo aquele barulho. Até cantar parabéns em português para outras pessoas que faziam aniversário por lá nós chegamos a fazer, só pra dar uma idéia do que aconteceu. De qualquer forma, é sempre divertido ver essa galera e a expressão de desespero nas pessoas que nos olham, especialmente os mais velhos.

Ah sim. Gump, desde já e sempre eu compartilho seu momento de indignação. Eu mesmo só fui lá porque as pessoas são meus amigos =)

Temporada de Solteiro: Dia 13

Já tinha esquecido dessa necessidade já que as roupas ainda estavam limpas no armário. Mas quando acordei esta manhã me dei conta que amanhã eu não teria nada limpo pra usar e ia ficar meio estranho eu ir fedendo a macaco morto no trabalho. Então, comecemos do básico.

Olhei a máquina de lavar e o cesto de roupa suja. Ambos pareciam que se conheciam há algum tempo. Olhei no armário de produtos de limpeza e notei que alguém estava faltando lá, meu amigo alvejante. Lembre-se que eu faço karate e que meu kimono sempre chega em estado avançado de putrefação após o treino. Felizmente ele é branco então posso usar produtos mais violentos pra lavá-lo e tirar manchas de suor, pó, gordura, sangue, comida e outras coisas que fazem parte do comercial do Omo. Aliás, alguém mais além de mim mesmo lembra daqueles comerciais ? Apareciam duas mães na lavanderia envoltas num discurso do tipo : “Omo é perfeito para as roupas das crianças. Ele tira manchas de barro, comida, lama, sangue e muito mais”. Eu sempre ficava imaginando as crianças filhas daquelas mulheres em algum tipo de ringue da morte no intervalo, armadas com correntes, tacapes com pregos e coisas parecidas…

As crianças do comercial do Omo na escola

Bom, fui pro trabalho com o lembrete de trazer algo mais violento para lavar roupas brancas. O lado ruim: hoje tem karate e eu NÃO tinha lavado meu kimono. É, o cheiro vai ser de doer mas, paciência. Terminada minha jornada diária de luta contra as forças do mal, me mando pro karate, atrasado, claro. Chego na escola 10 minutos depois que o treino já tinha começado. Conclusão: 50 flexões de castigo já pra começar. Fiquei sabendo que sábado vai ter exame de faixa. O sensei falou que eu estava pronto para fazer esse exame e perguntou se eu estaria lá ou não. Falei que ia esperar o Matsuru voltar de viagem pra que pudéssemos fazer juntos.

Por sinal, abre um parênteses aqui. Eu e Matsuru fazemos karate juntos. Tive essa idéia porque queria poder fazer alguma coisa junto com ele, alguma atividade física que nos permitisse trabalhar essas coisas juntos. A princípio tentei levá-lo para a escalada mas chegamos à conclusão que não é tão animador assim para ele pois o que interessa pra ele é ter alguém com quem interagir. Como escalar é um esporte onde a interação com outra pessoa limita-se a “pelamordedeus não me deixa cair” ou “solta essa corda, seu miserável!”, realmente é mais complicado. O karate é uma arte marcial e como tal requer atenção, perseverança, caráter, auto-controle, domínio, etc. Sinceramente todo mundo deveria fazer algo que permitisse trabalhar esses valores.

Voltando ao dojo, curso pesado, trabalhando técnicas e posicionamento. Não foi mole, mas eu sobrevivi de novo, ensopado de suor, fedendo mais que gambá morto. Isso me lembrou obviamente que eu teria que lavar aquele kimono e comprar meu alvejante. Passei no mercado e comprei um tal de Resolve, que pelo nome parecia ser promissor. E não é que foi mesmo ? Meu kimono nunca ficou tão branco. Mas agora vinha a pior parte: dobrar as roupas. PQP, alguém deveria ter inventado alguma máquina que fizesse isso sozinho…

Temporada de Solteiro: Dia 12

Realmente, só estou escrevendo este post para dar continuidade ao meu projeto de descrever meu dia-a-dia, senão não teríamos nenhuma diferença. Pra começar, ainda não estou gástrica e enterologicamente falando 100% de volta ao normal. Por causa disso, minhas marmitas e minhas refeições noturnas não tem sido exatamente… deliciosas. Minha alimentação está baseada em tofu e vegetais que não causem acúmulo de gases. Hoje ainda consegui ter um pouco de imaginação e fiz um salteado de vegetais e tofu. Por fim essa temporada de dieta tem tido seus méritos. Perdi 3.2kg desde que entrei nessa brincadeira e um pouco da minha alegria de viver também, mas uma hora tudo volta ao normal.

Não vou comentar do trampo hoje. Vou apenas dizer que, na minha subida pessoal do Everest não consegui nem mesmo chegar no acampamento base e vou me sentir muito feliz se chegar lá. Em casa consegui finalmente terminar de assistir a “Angel”, seriado que passava na Fox derivado de “Buffy”. Lembro que na época que passava na TV eu não conseguia assistir por “n” razões e hoje, graças ao Netflix consegui assistir à série inteira. Só achei muito chato que ela acabou no clímax da história. Felizmente deram continuidade a ela na forma de quadrinhos, os quais já estou devidamente providenciando (não que eu não saiba já como termina, mas eu curto quadrinhos =D).

Temporada de Solteiro: Dia 11

O vôo dele é as 16h, mas combinei com ele de chegarmos lá pelas 2h-2h30 porque o aeroporto de Québec não é realmente um lugar de muito rush aeroviário a menos que o assunto seja viajar para a América Central. É incrível como as pessoas viajam para países como Cuba, República Dominicana, México, Caribe e afins. É muito fácil encontrar pacotes em torno de 650$/pessoa, incluindo 1 semana no hotel com tudo incluso (comida, bebida à vontade), passagem e estadia! Duvida ? Então veja isto aqui. Ainda não tivemos a oportunidade de aproveitar esse tipo de passeio, principalmente porque durante o verão a Márcia prefere tirar férias e viajar para o Brasil para visitar os pais junto com o Matsuru (e aproveitar o “fantástico” inverno curitibano à 3C, sem aquecedor e sem isolamento térmico).

Claro! Nada como passar as férias de verão no Brasil...

Bom, voltando à viagem do Luiz, saímos de casa já com as malas dele no carro, assim evitaríamos de passar de volta por aqui para pegá-la a caminho do aeroporto. Fomos em direção ao centro e, enquanto eu ficava no trabalho ele aproveitava os últimos momentos antes de voltar pra casa revendo ou conhecendo outros lugares lá por perto. Enquanto isso, eu voltava para minha montanha de tarefas pra fazer. Já estou até me sentindo sir Edmund Hillary subindo o Everest, só estou sentindo falta de um Sherpa pra subir comigo…

Chegada as 13h me encontro com o Luiz e partimos em direção ao aeroporto. No caminho ainda páro pra comprar cordas pra guitarra que o Junior mão-de-bombril pediu para mandar pra ele. Mesmo passando na loja de música nosso trajeto completo compreendeu menos de 20 minutos e, chegando no Jean Lesage e olhando pra dentro, notei que ia ser um embarque como eu imaginava: ninguém na fila da Air Canada. Em compensação, no guichê da companhia que embarca pro caribe, uma fila kilométrica.

Depois de me despedir do Luiz voltei pro meu Everest particular. Ainda tinha uma semana até a Márcia e o Matsuru voltarem de férias, mas pela quantidade de coisas pra fazer já pude ter uma idéia que seria uma semana sem muitas emoções e alegrias.

Temporada de Solteiro: Dia 10

De novo, 10h30 da manhã. Pelamadrugada! Eu só lembro de ter dormido tanto assim quando ainda morava na casa da minha mãe e fazia faculdade. A primeira faculdade (Vamos deixar datas fora deste assunto, ok?) Desço as escadas, ainda com a cara amassada. O Luiz já tá de pé (claro! Só urso no inverno dorme tanto quanto eu!) De novo, como já é quase meio-dia, saímos pra tomar café fora. Outro brunch, desta vez no Le Cochon Dingue aqui perto de casa. Como o próprio nome diz, comemos iguais uns porcos num café da manhã à base de bagel, bacon, manteiga de maçã, fèves au lard, ovos, salada de frutas, suco de laranja, panqueca e mais alguma coisa que eu não consigo nem lembrar senão já começo a passar mal.

Batatas! Era isso que eu tinha esquecido!

Ah sim. Lembram da chuva que me fez dormir a noite (e um bom pedaço da manhã) inteira ? Pois é. Ela continuou caindo o dia inteiro, em volume suficiente pra deixar qualquer espertalhão que sai de bermuda de casa completamente ensopado. Mas, é melhor isso do que a neve cubrindo a sua casa.

Saímos do restaurante e fomos dar uma volta pra ver se encontrávamos um presente pro filho do Luiz. Depois de andar em algumas lojas, compramos o presente do guri e voltamos pra casa, ainda estufados como peru em véspera de Natal. Depois daquela enrolada padrão e de lavar a louça da semana, o ócio bateu em casa e era preciso fazer algo pra passar o tempo enquanto a chuva AINDA desabava lá fora. Solução clássica: filme com pipoca. Netflix ao meu socorro, sugeri que assistíssemos “Predators”. Em três palavras? NUNCA ASSISTAM ISSO! Filmezinho sem vergonha, mequetrefe. Perdi meu tempo vendo o que pretendiam que fosse uma versão atualizada do Schwarzenegger. Aff…

Enfim, café da manhã digerido, hora de jantar, resolvi fazer um yakisoba pra gente. Apesar de ter ficado BEEEM meia boca, o Luiz foi educado e disse que estava bom. ehhehehe. Bom guri =)

Amanhã é segunda-feira de novo e dia de batalhar. Pro Luiz é dia de viagem. O vôo dele sai as 16h, então eu devo deixá-lo no aeroporto em torno das 13h30. Logo, é bom ir domir (algo que eu QUASE não fiz hoje).

Temporada de Solteiro: Dia 9

Bom, pra começar acabei dormindo mais do que deveria. Acordei as 10 da manhã, um pouco tarde pra tomar um café da manhã e ainda cedo demais pra almoçar. Acabamos indo tomar um brunch aqui perto e depois fomos no shopping. Enquanto estávamos por lá o Cesar me liga perguntando onde eu estava e convidando para passar na casa nova dele mais tarde. Como eu não sou de recusar convites E eu achei que seria uma boa oportunidade para o Luiz conhecer outros brasileiros que imigraram pro Québec, falei que iria passar lá mais tarde.

Enquanto estávamos nos shopping acabei passando em uma loja de quadrinhos a qual nunca lembro o nome. Encontrei um jogo de tabuleiro que me chamou violentamente a atenção. Chama-se “Axis & Allies” e se passa durante a Segunda Guerra. O jogo foi lançado originalmente em 1984 e já teve inúmeras expansões tais como “Pacífic”, “D-Day”, “Guadalcanal”, “Europa”, entre outros. Os tabuleiros das expansões juntos pode chegar a quase 2 metros de comprimento, com diversas unidades e Nações. Fiquei extremamente tentado em comprar uma das edições mas os 79$ que envolviam isso acabou deixando meus planos para outra oportunidade.

Saímos do shopping e fomos na casa nova do Cesar, completamente mobilhada com a mudança terminada. Passamos um fim de tarde e uma noite super agradáveis à base de cerveja e churrasco. Ficamos batendo papo por um bom tempo, falando besteira. Ah! E o melhor de tudo isso, consegui duas pessoas pra dividir o custo do Axis & Allies! Então, aguardem mais notícias nerds minhas logo em breve =)

Temporada de Solteiro: Dia 8

Durante o jantar da noite passada descobri uma coisa curiosa: o cara conhece o Alexei, colega de trabalho da Márcia, também conhecido como nosso bateirista =) Liguei pra ele ontem a noite e marquei de sairmos pra beber e jogar papo fora hoje. Acabamos combinando de ir na Festibière, o festival da cerveja de Québec. Dizia a matéria no jornal que bastava comprar um copo promocional que dá direito a apreciar os mais de 50,000 litros de cervejas diferentes disponíveis na festa.

Aproveitando que estava descansado, nosso herói saiu para passear novamente no centro da cidade, desta vez devidamente trajado com roupas que estavam de acordo com os 30C e poucos graus que fazia neste dia. Ao final do passeio, marcamos de nos encontramos com o Alexei em frente ao Marché du vieux Port, próximo de onde seria a festa. Como eu não bebo e o Alexei estava dirigindo, o único que ia poder aproveitar a festa ia ser o Luiz. Triste ilusão. Ao chegarmos na entrada e irmos ao balcão para comprar o copo para degustação, a grande surpresa: além dos esperados 10$ do copo era preciso pagar para provar as cervejas, num módico preço que poderia variar de 2$ a 6$. Bem, nosso caro amigo achou que ia ser extorquido antes mesmo de começar a ficar bêbado, então decidimos ir parar num boteco ali perto para comer algo e beber algo (porque, afinal, estava um calor dos carvalhos)

Escolhemos o Le Veravin,  o único que tinha lugar entre todos os bares ali perto. Nesse link do Google Maps não mostra o quanto estava calor nem tampouco as mesas e cadeiras que estavam do lado de fora, onde escolhemos ficar. Apresentei ao Luiz o que é uma poutine e claro, o cara teve a chance de provar uma das muitas cervejas de microbrasseries que existem por aqui.

Amanhã é sábado, dia de não ter que trabalhar e de levar o rapaz para comprar presentes.

Temporada de Solteiro: Dia 7

Logo cedo tínhamos uma reunião das 8h30 as 9h30 e logo em seguida outra que iria até as 10h30. Bem, a primeira correu como sempre pra mim: muitas surpresas e eu imaginando quanto tempo demoraria pra criar uma máquina do tempo ou uma árvore de clones. A surpresa veio mesmo durante a segunda reunião. Nada relacionado ao trabalho, na verdade. Em torno das 10h alguém bate na sala de reunião e chama por mim dizendo que tem um amigo meu com duas malas me esperando lá fora. OI!?

Pois é. Na hora pensei em todas as pessoas do mundo que poderíam estar lá, inclusive bêbados e desconhecidos (não queiram saber porquê). Saí da sala e, ao olhar para o lado, vejo um cabeludo com uma mochila e uma malona de rodinhas com a cara de quem havia viajado as últimas 24 horas num pau-de-arara. Era ninguém menos que Luiz Capitulino, um cara que tinha trabalhado com minha esposa ainda em Curitiba, na Conectiva/Mandriva. Havíamos trocados vários e-mails no decorrer dos últimos meses e em nossa última conversa ele teria me dito que estaria passar alguns dias aqui em Québec. Adivinha só? Eu esqueci 🙂 Sorte minha que a Márcia não tinha e já tinha preparado o quarto de hóspedes no sub-solo.

Coitado. Depois de dizer pra ele deixar as malas lá comigo e dar alguns informações ultra-básicas sobre como andar no centro velho, deixei-o por sua própria conta e risco nas subidas e descidas de Québec. Felizmente, apesar do ultra-cansaço, ele conseguiu se virar bem sob o calor dos 30ºC que fazia na cidade. Havia combinado com ele de virmos para minha casa as 16h~16h30 para deixar suas malas e sairmos para jantar. Bom, as surpresas não tinham acabado ainda. Ao chegarmos em casa, abro a porta da sala e me deparo com uma cena de guerra: o cão havia aberto um dos sacos de semente de grama que eu havia comprado e inocentemente esquecido em cima da cadeira. Não satisfeito em apenas ter aberto o saco ele carregou aquele troço com micro sementes pela sala inteira! Maldito filho da p…! Lá tive eu que fazer toda a faxina antes de pudermos sair pra jantar.

Faxina feita e cachorro advertido, fomos aos Scores apresentá-lo ao famoso Côte Levées deles.

Só explicando o que aconteceu. Luiz, sua esposa e filho têm a intenção de imigrar para Québec nos próximos dois anos. Durante esse intervalo estão tentando escolher em qual cidade morar. Como Québec é uma das suas opções (juntamente com Gatineau), ele resolveu aproveitar a oportunidade de estarmos morando por aqui para fazer um tour e tentar juntar informações para tomar esse decisão. Ele deve ficar aqui em casa até próxima segunda (22). Bem, vamos vez o que consigo mostrar nos próximos dias.

Temporada de Solteiro: Dia 6

Bom, nada de novo no trampo. Continuo seguindo minha dieta de não comer carne, nada de sementes, nada de alimentos que dêem gases. Enfim, comida de bebê. Nunca tinha comido tanto tofu, que por sinal virou meu substituto de carne. Já quase esgotei todas as minhas receitas que podem ser feitas rapidamente numa wok. Logo em breve vou ter que apelar para as receitas só com base em macarrão ou para saladas… Dureza…

Então, quarta-feira, dia de karatê. Chegando na academia tenho uma surpresa: um novo dojo, completamente reformado pelo Jacques, totalmente em estilo japonês. Maior, mais espaçoso e muito legal! O treino foi mais puxado que o normal e ficamos trabalhando exercícios de base. Conclusão: preciso treinar mais. Com o exame da faixa roxa em vias de acontecer é bom eu começar a me espertar. Isso me faz lembrar: já faz um ano que comecei a fazer karate nos Studios Unis de Ste-Foy e, mesmo após termos nos mudado para Neufchatel, não troco Sensei Jacques, Sensei France e Sensei Germain.

Temporada de Solteiro: Dia 5

Hoje, mais outro dia de trampo. A insanidade continua a 1000 km/h. Coisas acumulando e eu me sentindo como Indiana Jones sendo perseguido pela pedra gigante. MAS, tudo vai dar certo. Sim, tudo vai dar certo.

Por outro lado, consegui sair pra correr com o cão hoje. Ele é sem noção, não tem essa história de “vamos aquecer, japonês”, é correndo no cacete. Eu aguentei os primeiros 2km e depois, claro, ambos começaram a diminuir o ritmo antes que o coração pifasse. O engraçado era que nenhum dos dois queria dar o braço (ou a pata) a torcer, mas no fim ambos acabamos… ACABADOS! BWAHHAHAHAHAH

Enfim, a semana está chegando na metade e eu não vejo a hora que meu clone amadureça pra poder trabalhar por mim.

Temporada de Solteiro: Dia 4

Mas, nem só de desespero e ansiedade vive um programador. Meu amigo André me trouxe um belo presente de Montréal (de Chinatown, pra ser mais exato): ganhei uma faca de cozinha! No princípio eu a achei meio leve demais e quando tentei passar o dedo pra ver o quão afiada ela era fui advertido na última hora pra não fazer isso porque ela era realmente muito afiada. De fato, como pude constatar à noite quando fazia meu jantar, ela ERA mesmo muito afiada. Quase decepei meu dedo médio cortando uma cebola. Foi o melhor presente do ano, sem dúvida, especialmente depois da minha mega decepção ao ter comprado uma faca da Kitchen Aid achando que ia ser a salvação dos meus problemas e semanas depois ela simplesmente TRINCA e enferruja! Lastimável…

Enfim, voltando par casa, eu e o cão resolvemos dar uma volta mas acabamos adiando o plano pois, antes de viajar, minha querida esposa havia chamado uma empresa que cuida de jardins pra ver o que poderíamos fazer com nosso gramado que mais e mais se enche de mato e malditos dentes-de-leão. No fim acabei descobrindo coisas muito interessantes sobre como cuidar da grama. Basicamente, o segredo de uma grama bonita e homogênea é basicamente tê-la sempre densa e úmida. Para isso é preciso:

  1. Plantar nova grama regularmente: com a grama densa fica mais difícil que matos e pragas se propaguem. É preciso fazer isso na primavera e no outono.
  2. Mantê-la aparada numa dada altura e úmida: a altura da grama é variável de acordo com a época do ano pois a retenção de umidade muda com a exposição ao calor.
  3. Passar herbicida: infelizmente é um mal necessário. Verdade seja dita, dentes-de-leão e trevinhos são uma praga por aqui e não tem como vencê-los sem o uso desses produtos.
Por fim acabamos fechando um contrato com essa empresa pelo módico preço de 21$ por mês que inclui todo o serviço de manutenção do gramado, incluindo poda, adubação e controle do pH. Bem, considerando que de dezembro a abril não tem NADA pra eles fazerem já que a grama não existe, é um negócio e tanto onde eu jogo fora 105$ por ano, mas é melhor eu não pensar nisso senão eu desisto do que eu já fiz…

Temporada de Solteiro: Dia 3

Por aqui o hábito da bricolagem e do DIY (do it yourself) é muito comum, com programas, revistas e até mesmo um canal de TV exclusivo pra esse tipo de hábito. Eu acredito que isso se deve basicamente a dois fatores:

  1. Desde cedo as crianças são incentivadas a fazer atividades manuais
  2. Tudo é feito de forma que seja realmente simples de ser feito.

Em conseqüência disso é muito comum encontrar pessoas fazendo suas próprias reformas em casa, desde coisas simples como pintar paredes até reformar um banheiro e trocar um telhado.

Meu amigo Marmé não é diferente. Ele já fez tanta coisa na casa deles que eu mesmo já perdi a conta. Neste final de semana ele resolveu colocar um assoalho de madeira no sub-solo, e eu fui lá dar uma ajuda. A teoria dizia que tínhamos piso suficiente para cobrir todo o sub-solo, mas a prática mostrou o contrário. Conseguimos terminar a sala mas ficou faltando o quarto e o corredor. Nada de incrivelmente complexo e que venha a ser demorado, mas pessoalmente frustrante já que eu esperava ver tudo colocado. O piso realmente ficou muito bonito na sala e o Marmé disse que deveria terminar durante a semana. Quem sabe eu consigo uma foto pra mostrar como ficou uma outra hora.