Temporada de Solteiro: Dia 8

Durante o jantar da noite passada descobri uma coisa curiosa: o cara conhece o Alexei, colega de trabalho da Márcia, também conhecido como nosso bateirista =) Liguei pra ele ontem a noite e marquei de sairmos pra beber e jogar papo fora hoje. Acabamos combinando de ir na Festibière, o festival da cerveja de Québec. Dizia a matéria no jornal que bastava comprar um copo promocional que dá direito a apreciar os mais de 50,000 litros de cervejas diferentes disponíveis na festa.

Aproveitando que estava descansado, nosso herói saiu para passear novamente no centro da cidade, desta vez devidamente trajado com roupas que estavam de acordo com os 30C e poucos graus que fazia neste dia. Ao final do passeio, marcamos de nos encontramos com o Alexei em frente ao Marché du vieux Port, próximo de onde seria a festa. Como eu não bebo e o Alexei estava dirigindo, o único que ia poder aproveitar a festa ia ser o Luiz. Triste ilusão. Ao chegarmos na entrada e irmos ao balcão para comprar o copo para degustação, a grande surpresa: além dos esperados 10$ do copo era preciso pagar para provar as cervejas, num módico preço que poderia variar de 2$ a 6$. Bem, nosso caro amigo achou que ia ser extorquido antes mesmo de começar a ficar bêbado, então decidimos ir parar num boteco ali perto para comer algo e beber algo (porque, afinal, estava um calor dos carvalhos)

Escolhemos o Le Veravin,  o único que tinha lugar entre todos os bares ali perto. Nesse link do Google Maps não mostra o quanto estava calor nem tampouco as mesas e cadeiras que estavam do lado de fora, onde escolhemos ficar. Apresentei ao Luiz o que é uma poutine e claro, o cara teve a chance de provar uma das muitas cervejas de microbrasseries que existem por aqui.

Amanhã é sábado, dia de não ter que trabalhar e de levar o rapaz para comprar presentes.

Temporada de Solteiro: Dia 7

Logo cedo tínhamos uma reunião das 8h30 as 9h30 e logo em seguida outra que iria até as 10h30. Bem, a primeira correu como sempre pra mim: muitas surpresas e eu imaginando quanto tempo demoraria pra criar uma máquina do tempo ou uma árvore de clones. A surpresa veio mesmo durante a segunda reunião. Nada relacionado ao trabalho, na verdade. Em torno das 10h alguém bate na sala de reunião e chama por mim dizendo que tem um amigo meu com duas malas me esperando lá fora. OI!?

Pois é. Na hora pensei em todas as pessoas do mundo que poderíam estar lá, inclusive bêbados e desconhecidos (não queiram saber porquê). Saí da sala e, ao olhar para o lado, vejo um cabeludo com uma mochila e uma malona de rodinhas com a cara de quem havia viajado as últimas 24 horas num pau-de-arara. Era ninguém menos que Luiz Capitulino, um cara que tinha trabalhado com minha esposa ainda em Curitiba, na Conectiva/Mandriva. Havíamos trocados vários e-mails no decorrer dos últimos meses e em nossa última conversa ele teria me dito que estaria passar alguns dias aqui em Québec. Adivinha só? Eu esqueci 🙂 Sorte minha que a Márcia não tinha e já tinha preparado o quarto de hóspedes no sub-solo.

Coitado. Depois de dizer pra ele deixar as malas lá comigo e dar alguns informações ultra-básicas sobre como andar no centro velho, deixei-o por sua própria conta e risco nas subidas e descidas de Québec. Felizmente, apesar do ultra-cansaço, ele conseguiu se virar bem sob o calor dos 30ºC que fazia na cidade. Havia combinado com ele de virmos para minha casa as 16h~16h30 para deixar suas malas e sairmos para jantar. Bom, as surpresas não tinham acabado ainda. Ao chegarmos em casa, abro a porta da sala e me deparo com uma cena de guerra: o cão havia aberto um dos sacos de semente de grama que eu havia comprado e inocentemente esquecido em cima da cadeira. Não satisfeito em apenas ter aberto o saco ele carregou aquele troço com micro sementes pela sala inteira! Maldito filho da p…! Lá tive eu que fazer toda a faxina antes de pudermos sair pra jantar.

Faxina feita e cachorro advertido, fomos aos Scores apresentá-lo ao famoso Côte Levées deles.

Só explicando o que aconteceu. Luiz, sua esposa e filho têm a intenção de imigrar para Québec nos próximos dois anos. Durante esse intervalo estão tentando escolher em qual cidade morar. Como Québec é uma das suas opções (juntamente com Gatineau), ele resolveu aproveitar a oportunidade de estarmos morando por aqui para fazer um tour e tentar juntar informações para tomar esse decisão. Ele deve ficar aqui em casa até próxima segunda (22). Bem, vamos vez o que consigo mostrar nos próximos dias.

Temporada de Solteiro: Dia 6

Bom, nada de novo no trampo. Continuo seguindo minha dieta de não comer carne, nada de sementes, nada de alimentos que dêem gases. Enfim, comida de bebê. Nunca tinha comido tanto tofu, que por sinal virou meu substituto de carne. Já quase esgotei todas as minhas receitas que podem ser feitas rapidamente numa wok. Logo em breve vou ter que apelar para as receitas só com base em macarrão ou para saladas… Dureza…

Então, quarta-feira, dia de karatê. Chegando na academia tenho uma surpresa: um novo dojo, completamente reformado pelo Jacques, totalmente em estilo japonês. Maior, mais espaçoso e muito legal! O treino foi mais puxado que o normal e ficamos trabalhando exercícios de base. Conclusão: preciso treinar mais. Com o exame da faixa roxa em vias de acontecer é bom eu começar a me espertar. Isso me faz lembrar: já faz um ano que comecei a fazer karate nos Studios Unis de Ste-Foy e, mesmo após termos nos mudado para Neufchatel, não troco Sensei Jacques, Sensei France e Sensei Germain.

Temporada de Solteiro: Dia 5

Hoje, mais outro dia de trampo. A insanidade continua a 1000 km/h. Coisas acumulando e eu me sentindo como Indiana Jones sendo perseguido pela pedra gigante. MAS, tudo vai dar certo. Sim, tudo vai dar certo.

Por outro lado, consegui sair pra correr com o cão hoje. Ele é sem noção, não tem essa história de “vamos aquecer, japonês”, é correndo no cacete. Eu aguentei os primeiros 2km e depois, claro, ambos começaram a diminuir o ritmo antes que o coração pifasse. O engraçado era que nenhum dos dois queria dar o braço (ou a pata) a torcer, mas no fim ambos acabamos… ACABADOS! BWAHHAHAHAHAH

Enfim, a semana está chegando na metade e eu não vejo a hora que meu clone amadureça pra poder trabalhar por mim.

Temporada de Solteiro: Dia 4

Mas, nem só de desespero e ansiedade vive um programador. Meu amigo André me trouxe um belo presente de Montréal (de Chinatown, pra ser mais exato): ganhei uma faca de cozinha! No princípio eu a achei meio leve demais e quando tentei passar o dedo pra ver o quão afiada ela era fui advertido na última hora pra não fazer isso porque ela era realmente muito afiada. De fato, como pude constatar à noite quando fazia meu jantar, ela ERA mesmo muito afiada. Quase decepei meu dedo médio cortando uma cebola. Foi o melhor presente do ano, sem dúvida, especialmente depois da minha mega decepção ao ter comprado uma faca da Kitchen Aid achando que ia ser a salvação dos meus problemas e semanas depois ela simplesmente TRINCA e enferruja! Lastimável…

Enfim, voltando par casa, eu e o cão resolvemos dar uma volta mas acabamos adiando o plano pois, antes de viajar, minha querida esposa havia chamado uma empresa que cuida de jardins pra ver o que poderíamos fazer com nosso gramado que mais e mais se enche de mato e malditos dentes-de-leão. No fim acabei descobrindo coisas muito interessantes sobre como cuidar da grama. Basicamente, o segredo de uma grama bonita e homogênea é basicamente tê-la sempre densa e úmida. Para isso é preciso:

  1. Plantar nova grama regularmente: com a grama densa fica mais difícil que matos e pragas se propaguem. É preciso fazer isso na primavera e no outono.
  2. Mantê-la aparada numa dada altura e úmida: a altura da grama é variável de acordo com a época do ano pois a retenção de umidade muda com a exposição ao calor.
  3. Passar herbicida: infelizmente é um mal necessário. Verdade seja dita, dentes-de-leão e trevinhos são uma praga por aqui e não tem como vencê-los sem o uso desses produtos.
Por fim acabamos fechando um contrato com essa empresa pelo módico preço de 21$ por mês que inclui todo o serviço de manutenção do gramado, incluindo poda, adubação e controle do pH. Bem, considerando que de dezembro a abril não tem NADA pra eles fazerem já que a grama não existe, é um negócio e tanto onde eu jogo fora 105$ por ano, mas é melhor eu não pensar nisso senão eu desisto do que eu já fiz…

Temporada de Solteiro: Dia 3

Por aqui o hábito da bricolagem e do DIY (do it yourself) é muito comum, com programas, revistas e até mesmo um canal de TV exclusivo pra esse tipo de hábito. Eu acredito que isso se deve basicamente a dois fatores:

  1. Desde cedo as crianças são incentivadas a fazer atividades manuais
  2. Tudo é feito de forma que seja realmente simples de ser feito.

Em conseqüência disso é muito comum encontrar pessoas fazendo suas próprias reformas em casa, desde coisas simples como pintar paredes até reformar um banheiro e trocar um telhado.

Meu amigo Marmé não é diferente. Ele já fez tanta coisa na casa deles que eu mesmo já perdi a conta. Neste final de semana ele resolveu colocar um assoalho de madeira no sub-solo, e eu fui lá dar uma ajuda. A teoria dizia que tínhamos piso suficiente para cobrir todo o sub-solo, mas a prática mostrou o contrário. Conseguimos terminar a sala mas ficou faltando o quarto e o corredor. Nada de incrivelmente complexo e que venha a ser demorado, mas pessoalmente frustrante já que eu esperava ver tudo colocado. O piso realmente ficou muito bonito na sala e o Marmé disse que deveria terminar durante a semana. Quem sabe eu consigo uma foto pra mostrar como ficou uma outra hora.

Temporada de Solteiro: Dia 2

Tinha prometido chegar na casa do malandro as 9h. Que horas eu acordo ? 8h30, claro. Dou um salto que me teletransporta do colchão pro chuveiro e depois de um banho mais rápido que aquela corrida que você dá quando está à procura de um banheiro e está ultra-apertado, pego o carro e me mando pra fazer força. No caminho, passo no Tim Hortons e pego dois croissants e um suco de laranja (não falei que eu tinha mudado =D). Ainda assim chego na casa do cara as 9h30, não tão ruim quanto eu esperava.

Depois de carregarmos todas as caixas que estavam previstas pra mudança dele no meu carro e nas vans dele e de outro amigo, partimos pra viajem e pro trabalho de descarregá-las na casa nova (que por sinal, muito show de bola meeesmo). Churrasco pra discontrair, o garoto aqui fica na base do Nestea e do Peixe Grelhado. Quê? To falando sério! Nada de bera, nada de carne, nada de porco; época de desintoxicação depois de um verão que mais pareceu uma suruba gastronômica.

Dou o fora da casa dele em torno das 15h e vou pra casa depois de ter falado com meu compadre no Brasil e descobrir que nem a esposa nem o filho haviam chegado no voo previsto pras 13h30. Chegando em casa, vejo meu correio e recebo uma notificação de que o trajeto deles tinha mudado e que deveriam chegar as 16h30 em Curitiba. Sem saber exatamente o porquê, eu tinha minhas suspeitas já que, São Paulo é São Paulo e Aeroporto É Aeroporto… Dito e feito. Após ligar de volta pro Carlitos e avisá-lo da mudança do trajeto ele me fala que o voo que supostamente eles estariam chegando havia acabado de aterrizar. Vários minutos depois consigo falar com a esposa e descubro o que eu já imaginava: perderam a conexão graças à fantástica organização de Guarulhos. Uma recepção como eu poderia esperar =)

Bem, em casa, resolvo fazer o improvável: cortar grama e arrancar mato. Sim, Japonês modo Jardineiro: ON. Luto com a máquina de cortar grama (se arrependimento matasse… eu sabia que deveria ter sido um pouco menos mão-de-vaca e comprado a outra, à gasolina…) e consigo terminar tudo direitinho, apesar do terreno estar insanamente irregular. Vou pro quintal e começo a arrancar trevos. Nunca pensei que essas plantas fossem me dar tanta dor de cabeça na vida. É incrível como essa coisa se entranha na grama e a sufoca. O mais bacana mesmo e tentar arrancar tudo.

Uma hora e meia depois e dois sacos de malditos trevos depois, São Pedro me avisa que vai me poupar do trabalho de molhar o gramado e parto pra dentro de casa com a inusitada missão: O que jantar ? Depois de quase sucumbir às tentações de descongelar uma pizza e de se aproveitar da comida do cachorro (essa ia ser o cúmulo do hardcore), decido tirar forças das minhas próximas 15 vidas e vou cozinhar um Udon pra mim (um dia eu posto a receita. É bom e prático, apesar do que possa parecer). Pra acompanhar: Gioza e uma sopinha de Misso que me faz companhia neste momento junto com o cão que parece ter voltado de uma rave e que não reage nem aos meus estímulos de jogá-lo de um lado pro outro.

Dia 3, espere por mim =)

Temporada de Solteiro: Dia 1

Então, mulher e filho viajam pro Brasil. Em casa, o bonitão aqui e seu fiel cachorro. O que vai acontecer nas próximas duas semanas ? Isso é uma boa pergunta e nada melhor que ressuscitar o blog e reportar o que acontece. Vamos ver ? Então…

Dia 1

O dia 1 começa, claro, no primeiro momento em que os dois membros da família são deixados no aeroporto. Durante o dia, nada melhor do que o convite dos amigos pra uma noite de Texas hold’em. Logo, momentos depois de deixar o aeroporto, parto pra casa do Marmé pra uma noite de poker. No caminho passo no mercadinho e compro uma garrafa de suco de laranja e um Cup Noodles. Quê!? Sim! Suco de laranja, não da pra crer ? Então creia! Sou um novo homem =)

A noite foi produtiva. Cinco adversários, 1$ por partida. Entrei com uma moedinha e saí com 5 doletas!!! Isso comprova o velho ditado do “sorte no jogo bla bla bla”. Como em casa só estaremos eu e o cão, nada mais normal que pelo menos sair com grana da jogatina. Fui dormir quase as 3 da manhã, e já não era sem tempo já que no dia seguinte vou ajudar um camarada na mudança dele.

Apartamento para Alugar

Parece que estamos na onda de passar os contratos de aluguel pra frente…

Bom, como acontece na grande maioria dos contratos de aluguel daqui, eles são anuais e, normalmente, tem fim em 30 de Junho de cada ano. No nosso caso não é diferente. Estamos nos mudando e precisamos passar nosso contrato de aluguel para alguém entre final de Dezembro/início de Janeiro.

Quem tiver interesse ou conhecer alguém com interesse em alugar o imóvel, pode entrar em contato comigo pelo Blog mesmo.

CESSION DE BAIL (17 photos)
23 outubro 2010, G1W 4X3
Beau et grand appartement 4 1/2 chez le Mistral, situé au coeur de Ste-Foy, au 12e étage, avec très belle vue sur le fleuve. Immeuble en béton, ascenseur, entrée laveuse/sécheuse, entré lave-vaisselle, balcon et locker. Garage interne, piscine interne chauffée, académie de gymnastique et dépanneur avec entrée par le bâtiment. Excellente localisation, à proximité des services et de parcours, lignes du Metrobus 800/801, Shopping Laurier, épicerie, pharmacie, Tim Hortons. Disponible pour décembre/janvier. 945$

  
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Caldo Verde

Então, o verão tá indo embora e o outono chegando no pianinho. Como diz meu amigo Gump, nada melhor do que COMER! Aproveitando que a Márcia comprou um pacotão de couve na Fruiterie 440, resolvi matar a vontade de comer um Caldo Verde que já me atormentava há muito tempo.

Pra quem quiser se arriscar a fazer em casa, vão por mim. É fácil e vale a pena (to falando sério, Gump!):

  • 6 batatas médias descascadas
  • 1 cebola grande picada
  • 6 dentes de alho (EU GOSTO DE ALHO! Se não é seu caso, dose seu apetite)
  • 2 ramos de couve bem fatiadas
  • Linguiça calabreza (o ideal era ter um chouriço português, mas na falta dele…)
  • sal
  • Azeite de Oliva (UM BOM AZEITE!)

O esquema é ultra simples. Pegue os dentes de alho, descasque e corte em pedaços de qualquer tamanho. Não se esquente com isso porque eles vão desaparecer durante o preparo (a menos que você seja daqueles que não pode nem notar que tem alho na panela. Se for seu caso, désolé). Junte o alho com a cebola picada e deixe refogar no azeite de oliva. Quando começar a dourar, coloque as batatas. Eu sugiro cortar as batatas em pedaços menores pra poder mexer na panela. Não precisa ficar meia hora picando em cubinhos porque a batata vai amolecer de qualquer jeito; é só pra fazer o trabalho mais fácil.

Enquanto a batata tá lá fritando com o alho e a cebola, coloque água pra ferver. O suficiente pra cobrir as batatas. Não deixe a batata fritar, é só pra pegar o gosto do alho e da cebola. Cubra as batatas com a água e logo em seguida coloque a calabreza cortada em rodelas. Se você estiver no Canadá e tiver o mesmo problema que o meu (não acho lingüiça calabreza por aqui), então tem uma solução que quebra um bom galho que são os Skillet Strips da Schneiders (tranches à la poële). É um tipo de lingüiça que vem fatiada e que não tem gosto de érable (mapple).

Enfim, com tudo isso na panela, deixe cozinhar até as batatas ficarem macias o suficiente pra esmagar. Diminua o fogo e, com a ajuda de um garfo (ou qualquer outro instrumento que você tenha e queira usar) esmague as batatas na panela mesmo, sem frescura. O ponto fica a seu critério. Eu não gosto que vire purê mas também não quero pedações de batata no meu prato.

Com as batatas esmagadas, deixe cozinha por mais alguns minutos.

“tá, cade a couve, japonês?”

Bom, chegou a hora dela. Com o fogo ainda baixo, coloque a couve fatiada na panela, o suficiente pra ela amolecer, tipo, uns 3 minutos. Regue com azeite de oliva (eu realmente CURTO azeite de oliva) e ponha pra dentro. É realmente bom demais, o suficiente pra me tirar da frente do micro agora porque to dormindo de tanto que comi…

Caldo Verde

Caldo verde à la Japonês

Festival d’été 2010 – Dream Theater e Iron Maiden

Nestes 2 anos de Québec foi meu primeiro festival; e não poderia ter sido melhor. Nosso primeiro dia de show (apesar do festival ter começado na quinta-feira) foi alucinante. Estávamos cercados de brasileiros por todos os lados, o Márcio com uma bandeirona do Brasil e a gente ali, atolado em frente ao palco mas mantendo uma distância saudável.

O dia começou como qualquer outro da semana, um calor infernal, mas com a previsão de uma tempestade antes ou depois do almoço que acabou caindo quase no fim da tarde. Parecia que ficaríamos embaixo d’água, mas a tal da “orage” caiu com violência e se foi. Apesar disso, fomos abençoados por uma bela chuva que caía e parava durante os dois shows, perfeita pra espantar o calorão de 40 e poucos graus que fizera durante a semana.

Sobre os shows, indescritíveis. Já tinha visto os Dream Theater tocando uma outra vez aqui em Québec, mas escutá-los ao vivo é sempre uma parada fenomenal. Foi exatamente 1 hora de show, eles fizeram tudo que sabem fazer e deixaram a galera pronta pros Senhores do Metal logo em seguida. Quando o espetáculo principal começou só dava pra ver braços e mãos levantadas honrando o Grande Deus Metal e gritando “Maiden! Maiden! Maiden!” ao melhor estilo de festivais. Foi nosso primeiro show do Maiden e com certeza fica pra sempre com a gente. Alucinante! Fenomenal! Metal!

E esta semana ainda tem mais. Renaissance, Jimmy Cliff, Santana, RUSH!!!

Setlists

Dream Theater :

1. As I Am
2. A Rite Of Passage
3. Home
4. Constant Motion
5. Panic Attack
6. Pull Me Under

Iron Maiden:

1. The Wicker Man
2. Ghost Of The Navigator
3. Wrathchild
4. El Dorado
5. Dance Of Death
6. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
7. These Colours Don’t Run
8. Blood Brothers
9. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Biz:
14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free

Iron Maiden and Dream Theater - Festival d'été (48 photos)
9 julho 2010, Plains d'Abrabham, Québec, QC
Concerto do Iron Maiden e Dream Theater no Festival d'été de 2010. Tournê Final Frontier. Alucinante!

  
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Você não gosta de rendez-vous? Pense novamente

Uma coisa que as pessoas acham incômoda quando chegam em Quebec é o fato de marcar rendez-vous pra tudo, desde abrir uma conta no banco chegando até ao ponto de ir no cabeleireiro. Pois bem, se vocês acham isso ruim, pensem novamente. As coisas podem parecer ( e as vezes até serem burocráticas mesmo ) mas com certeza não chegam aos pés de ter que depender do serviço brasileiro. Vou relatar um breve episódio ocorrido conosco quando precisamos dos serviços do consulado em Montreal.

Antes de sair do Brasil tivemos a idéia de deixar procurações para nossas mães evitando assim o incômodo de ter que se envolver com qualquer coisa relacionada ao Brasil. Como estávamos na correria pra viajar pra cá acabamos otimizando o tempo da maneira que dava. Assim, fiz minha procuração em um cartório diferente do da minha mulher. Era pra ambas terem o mesmo conteúdo, afinal, pedimos a mesma coisa, mas por alguma razão ela ficaram diferentes. Infelizmente só ficamos sabendo disso quando precisamos utilizá-las. Minha mãe precisava de uma procuração autorizando minha mulher a vender alguma coisa. Era pra ser simples, bastava que minha sogra fosse no cartório e pedisse que redigissem a tal da procuração. Acabou que não deu certo porque a procuração que deixamos pra ela não dava direitos de assinar uma procuração praqueles fins. Resultado: tivemos que usar o consulado.

Bom, seguimos os procedimentos descritos no site do Consulado de Montréal para solicitação de procuração e entramos em contato com eles para informar que havia uma certa urgência e se existiria a possibilidade de concluir a declaração antes dos 5 dias previstos pelo site. Fomos então informados que sim mas que precisavam que enviassemos os documentos scaneados. Fizemos isso e nos enviaram uma data para que estivéssemos lá. Seria uma sexta-feira e teríamos que estar lá as 10h da manhã.

No tal dia, estávamos lá. Nunca estivéramos antes no consulado, então tratamos de chegar cedo. Ao chegar lá, nos deparamos com uma sala com cadeiras, um balcão envidraçado e uma máquina de senhas! Depois de quase 2 anos aqui, dar de cara com aquilo era no mínimo… inusitado. Bom, pegamos a próxima senha e esperamos. Não lembro o número agora, mas era algo como se tivéssemos pego o 22 e ainda estavam atendendo o 8 e, a julgar pela demora de chamar o próximo número, aquilo ia demorar muito ainda. Mas, como macaco velho que sou, resolvi dar uma de curioso e fui conversar com o funcionário atrás do vidro.

– Oi. A gente entrou em contato com vocês pra fazer uma procuração. Falamos com <nome omitido pra proteger a criatura> e fomos informados que bastava vir aqui hoje e pegá-la. Estamos com a senha 22.

– Nããããããããão. A senha é só pra quem está pedindo visto. Bastava você vir aqui e falar com a gente.

Ao olhar ao redor, não vi placa ou papel ou bilhete ou qualquer outra coisa dizendo que a senha era só pra vistos, mas tudo bem. Foi a primeira vez que me senti idiota no dia.

– Ahm, ok então. E a procuração tá pronta ?

– Quando vocês vieram aqui ?

– ahm, a gente tá vindo hoje. Conversamos com a <fulana> por e-mail e ela nos informou que bastava que enviássemos os documentos por e-mail e que trouxéssemos os originais aqui hoje, assinar o livro e ponto final.

– Nãããããããããããããão. A gente não faz isso, não. A gente vai fazer isso agora e daqui a 5 dias a gente entrega pra vocês.

Depois do sangue subir à cabeça e quase destruir meus vasos, de me sentir idiota pela segunda vez no dia e quase ter um AVC, resolvi perguntar com moderação ao rapazinho.

– Viu, tem como a gente falar com a<fulana>?

– Só um pouco. Eu vou ver se ela pode atender vocês.

Eis que chega a <fulana> e nos diz que deve ter acontecido um mal-entendido e que a nossa procuração já estava pronta, bastando que o “Ministro” a assinasse. Pediu que esperássemos um pouco e que já voltaria a falar conosco.

Pausa pra reflexão: Alguém com conhecimento consular ou jurídico ou qualquer coisa parecida poderia me dizer que o cônsul tem o título de ministro ou algo parecido pra que a <fulana> o chamasse assim ?

Apesar da procuração já “estar pronta”, só depois de uma hora esperando ela volta a nos chamar na janela com a folha da procuração impressa e pede que validássemos o que estava escrito. Texto revisado, estávamos satisfeitos pois ainda nem era meio-dia e voltaríamos para Québec a tempo de descansar.  Ledo engano. Ela nos informa que o “ministro” saíra para almoçar e que estaria de volta somente as 15h30 mas que seria melhor que chegássemos as 16h pois as vezes ele demorava no almoço (QUATRO HORAS DE ALMOÇO!?).

Sem muita opção e com cara de idiota pela terceira fez no dia, saímos pra almoçar ali perto. Mesmo que quiséssemos não tinha como ficar no consulado já que este fechava durante o almoço.

Quatro horas depois, chegamos pontualmente as 16h e fomos direto no guichê. Pedimos pela <fulana>, que chega com cara de desesperada pra dizer que ela já entregaria a procuração ao “ministro” pois agora ele estava ocupado. Cinco horas da tarde, depois de ter o saco quase consumido por um dia perdido, ainda dava tempo de ser feito de idiota uma vez pelo funcionário do consulado. Ao perguntar se demoraria muito que a <fulana> voltasse com nossa procuração assinada, o rapazinho se volta pra mim e disse:

– Olha, se eu fosse você ficava bem tranqüilo porque a <fulana> só está fazendo isso pra vocês porque ela é tua amiga.

Agora sim, com o sangue causando múltiplos rompimentos de capilares , eu querendo quebrar aquelo vidro e esmagar a cabeça do espertalhão do outro lado vidro só pude me distanciar e ir respirar bem longe dali. Só não acabei xingando ninguém porque momentos depois chega a <fulana> com a procuração assinada pelo cônsul como precisávamos.

Moral da história. O que eu posso dizer sobre rendez-vous. Eles são um mal necessário. Pelo menos, você pode se programar pra fazer as coisas, não precisa ficar como um palhaço a mercê dos outros, principalmente do consulado brasileiro.