Uma viagem do BIP

29.04.2007

Após passar por tudo aquilo no aeroporto, agora chegou o merecido descanso no avião da Delta Airlines até o aeroporto JFK em New York. 9 horas, saindo de noite, cansado. Parecia que tudo perfeito, mas não foi exatamente assim.

Essa história de sentar junto realmente parece muito gay, mas não é. Você lembra das viagens que fez em que sentou ao lado de uma mulher gorda que ocupava seu espaço da poltrona ou de um cara que parecia não tomar banho faz duas semanas ou ainda a mistura dos dois?! Pois é por esta razão que buscamos sentar juntos. Como dizem por aí, é melhor pegar um demônio conhecido. À princípio tínhamos conseguido o lugar perfeito: próximo a uma televisão, poltronas confortáveis e espaçosas e bem arejado. Bem, não foi bem assim. No final conseguimos um lugar gelado, ao lado da turbina do avião, ao lado do banheiro, ultra-gelado e logo abaixo do alto-falante que avisa quando as aeromoças são chamadas. Não poderia ter sido pior. Sim, poderia. Esqueci da filha da mulher que viajava algumas cadeiras atrás que chorou a viagem inteiro e não deixou ninguém (nem o Supla) dormir sossegado.

O frio foi uma coisa a parte. Se não fosse pela brilhante idéia da minha esposa de fazer um mega sobre-tudo com lã de bisão ela teria ganho um velório de um picolé. Acho que pegamos as companhias aéreas bem na época de economia. É como aconteceu com o papel higiênico; no princípio reduziram o comprimento, depois os picotes ficaram são espaçados que parecia fichário de caderno e por fim descobriram como diminuir mais ainda a espessura do papel, de tal maneira que agora dá pra ver do outro lado. Foi o mesmo com as companhias aéreas. Acreditem se quiser, o papel higiênico do banheiro acabou durante a viagem, entregaram um cobertor que parecia lençol das Casas China (e tão fino quanto o papel higiênico de hoje em dia), o travesseiro era igual pastel de rodoviária (você apertava ele sumia) e por fim os fones de ouvido que se desmontaram quando eu fui tentar ligados igual acontecia com aqueles bonecos antigos do Falcon que você guardou por 20 anos e um dia quando foi abrir ele desmontou porque o plástico ressecou.

Ao menos tivemos comissárias super legais na viagem, o que contradisse o que algumas amigas haviam falado sobre a companhia, onde as mulheres eram tão mal humoradas que pareciam que iam bater em você. Além disso, a comida estava boa, muito boa mesmo, mas eu sou suspeito de falar porque acho comida de hospital gostosa também. O filme foi legal, um tal de Freedom Writers, que recomendo a quem ainda não viu. Mais um daqueles filmes americanos onde a professora salva a turma que era considerada revoltada e sem futuro numa escola sem grandes previsões de sucesso. Pelo que contam a história é real, mas, vai saber.

Ah! Outra coisa que não tinha visto em avião (não me critiquem, faziam mais de 10 anos que não fazia uma viagem mais comprida que Curitiba-São Paulo-Curitiba) são aquelas televisões onde mostra o avião em relação ao mundo, inclusive onde você está, distância percorrida, velocidade média e tempo decorrido. Muito bacana e diminui aquela sensação que você tem de “pelo amor de Deus, me tira desse troço de metal senão vou acabar com a mulher gorda atrás de mim”.

E, pasmem: o voo chegou na hora no JFK. Agora basta passar na imigração e tudo vai dar certo.

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