Temporada de Solteiro: Dia 13

Já tinha esquecido dessa necessidade já que as roupas ainda estavam limpas no armário. Mas quando acordei esta manhã me dei conta que amanhã eu não teria nada limpo pra usar e ia ficar meio estranho eu ir fedendo a macaco morto no trabalho. Então, comecemos do básico.

Olhei a máquina de lavar e o cesto de roupa suja. Ambos pareciam que se conheciam há algum tempo. Olhei no armário de produtos de limpeza e notei que alguém estava faltando lá, meu amigo alvejante. Lembre-se que eu faço karate e que meu kimono sempre chega em estado avançado de putrefação após o treino. Felizmente ele é branco então posso usar produtos mais violentos pra lavá-lo e tirar manchas de suor, pó, gordura, sangue, comida e outras coisas que fazem parte do comercial do Omo. Aliás, alguém mais além de mim mesmo lembra daqueles comerciais ? Apareciam duas mães na lavanderia envoltas num discurso do tipo : “Omo é perfeito para as roupas das crianças. Ele tira manchas de barro, comida, lama, sangue e muito mais”. Eu sempre ficava imaginando as crianças filhas daquelas mulheres em algum tipo de ringue da morte no intervalo, armadas com correntes, tacapes com pregos e coisas parecidas…

As crianças do comercial do Omo na escola

Bom, fui pro trabalho com o lembrete de trazer algo mais violento para lavar roupas brancas. O lado ruim: hoje tem karate e eu NÃO tinha lavado meu kimono. É, o cheiro vai ser de doer mas, paciência. Terminada minha jornada diária de luta contra as forças do mal, me mando pro karate, atrasado, claro. Chego na escola 10 minutos depois que o treino já tinha começado. Conclusão: 50 flexões de castigo já pra começar. Fiquei sabendo que sábado vai ter exame de faixa. O sensei falou que eu estava pronto para fazer esse exame e perguntou se eu estaria lá ou não. Falei que ia esperar o Matsuru voltar de viagem pra que pudéssemos fazer juntos.

Por sinal, abre um parênteses aqui. Eu e Matsuru fazemos karate juntos. Tive essa idéia porque queria poder fazer alguma coisa junto com ele, alguma atividade física que nos permitisse trabalhar essas coisas juntos. A princípio tentei levá-lo para a escalada mas chegamos à conclusão que não é tão animador assim para ele pois o que interessa pra ele é ter alguém com quem interagir. Como escalar é um esporte onde a interação com outra pessoa limita-se a “pelamordedeus não me deixa cair” ou “solta essa corda, seu miserável!”, realmente é mais complicado. O karate é uma arte marcial e como tal requer atenção, perseverança, caráter, auto-controle, domínio, etc. Sinceramente todo mundo deveria fazer algo que permitisse trabalhar esses valores.

Voltando ao dojo, curso pesado, trabalhando técnicas e posicionamento. Não foi mole, mas eu sobrevivi de novo, ensopado de suor, fedendo mais que gambá morto. Isso me lembrou obviamente que eu teria que lavar aquele kimono e comprar meu alvejante. Passei no mercado e comprei um tal de Resolve, que pelo nome parecia ser promissor. E não é que foi mesmo ? Meu kimono nunca ficou tão branco. Mas agora vinha a pior parte: dobrar as roupas. PQP, alguém deveria ter inventado alguma máquina que fizesse isso sozinho…

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