Relato da Entrevista

Bom, dizer que estamos “meio” atrasados pra relatar nossa entrevista é dizer uma baita mentira, mas antes tarde do que nunca, certo? Então, de qualquer maneira, aqui vai o relato de nossa entrevista de imigração.

Dia 17/11, perto do meio-dia, seguimos em direção ao aeroporto. Encontramos uma boa promoção com a VARIG nessas épocas de passagens ficando tão caras. Foi bom porque, não queria ter ido de carro. São Paulo pra quem mora em Curitiba é sempre um bicho-de-sete-cabeças. Como a ansiedade era tamanha melhor não arriscar. Fomos de ônibus até o Afonso Pena aproveitando a viagem num ônibus vazio em pleno feriadão.

O vôo saiu no horário (em pleno feriado) e chegou até antes do previsto. Pelo jeito todo mundo que pretendia viajar resolveu ir logo no início do feriado. Nosso avião foi até meio vazio; se haviam umas 30 pessoas era muito. Além disso, viajar com a VARIG além de ser mais barato que ir pela GOL (quem diria, não?) ainda tem direito a sanduíche. Nada de barrinha de cereal!

Chegando em Congonhas resolvemos ir direto pro Hotel. Escolhemos o IBIS da Paulista por dois motivos:

  1. Era perto do Hotel
  2. Dava desconto pra quem era do HSBC (mesmo sendo 3o consegui dar minha bicada).

Jogamos as malas no quarto e saímos para dar uma volta. Já era quase 9 da noite quando voltamos pro Hotel e não deu tempo de fazer nada além de cair na cama e dormir.

Domingo obviamente saímos para dar uma volta, mas não fomos muito longe. A idéia era só dar uma volta e retornar ao Hotel para ensaiar nosso discurso. Acreditem se quiser, essa deve ter sido a primeira vez que realmente sentamos para discutir o que falaríamos, então era bom aproveitar o tempo e MUITO BEM. Depois de rever a pasta de documentos e termos certeza de que não esqueceramos de nada passamos o resto do dia e um pedaço da noite acertando bem o que falaríamos, se não havia discrepâncias entre o que pensávamos nem o que faríamos. Parecia estar tudo certo, então bastava relaxar e ir pro “abate”.

Acordamos cêdo na segunda-feira, tomamos um bom café da manhã no hotel e seguimos em direção ao Crowney Plaza. Estávamos agendados para as 10:00 da manhã, mas (como todo mundo que conheço que já passou por isso) resolvemos chegar antes do previsto. Assim, 9:15 estávamos lá, sentados no sofá do Hotel. Eu estava bem tranquilo, honestamente falando. Sequer me preocupava com “ses” ou “senãos”. Já tinha me conscientizado que, se não fosse dessa vez não faltaríam oportunidades no futuro e que eu estava tranqüilo quanto ao que já havia feito até então. Logo, já não tinha mais porquê se desesperar.

Chegara a hora. 9:55, eu e minha esposa fomos em direção à recepção e pedimos para avisar à Mme Anne Legout que estávamos presentes. Fomos então convidados à subir ao famigerado 12o andar. Desembarcamos do elevador e lá estava uma placa com uma seta apontando para direita: “Governo do Québec”. Chegamos na sala e fomos muito bem recebidos pela Mme Legout, que nos pediu para sentarmos e que esperássemos alguns momentos pois seu computador estava apresentando problemas de conexão com a Internet. Pensei comigo: “PUTAQUEOPARIU!!! TINHA QUE ACONTECER LOGO COMIGO!!!”

Instantes depois chega o técnico da manutenção e se senta em frente ao laptop dela. Mexe prá cá, mexe prá lá e lá se foram 10 minutos. Vendo que não havia muito avanço por parte do cidadão, resolvi me adiantar e botar em prática os anos como suporte técnico em provedor de Internet, mas sem grandes resultados. Nervosa com a demroa e vendo que eu conversara com o rapaz em português, Mme Anne me perguntava o que eu conversava com ele ao mesmo tempo em que eu servia de intérprete pro pobre do técnico para quem inglês e turco é a mesma coisa.

Já angustiada com a demora eis que ouvimos da Mme que ela achara melhor adiar para outra oportunidade pois já demorávamos demais. Novamente pensei comigo mesmo: “PUTAQUEOPARIU DE NOVO!!! Só faltava essa agora mesmo, perder a entrevista por causa da Internet não estar funcionando!” Mas então que ela se vira para mim e pede para que eu falasse para o rapaz para que ele voltasse depois do almoço pois ela já havia perdido muito tempo com aquilo. Num misto de alegria e alívio quase mandei o cara ir embora na mesma hora, mas me contive e transmeti a mensagem dela.

Finalmente, 15 minutos depois, chegar a hora de começar nossa entrevista. Primeiramente ela explicou como seria a entrevista, dizendo que aquela era uma avaliação de seleção para imigração para a província do Québec, verificaria nossa documentação e nos faria algumas perguntas a respeito de nossos planos. Ao final ela nos diria se estávamos aprovados ou não.

Como eu era o requerente principal, fui o primeiro a ser interrogado, começando pelos passaportes e depois partindo para o histórico escolar.

Neste momento cabe um parênteses na história pois minha situação é um pouco diferente da maior parte das pessoas que já aplicou para esse processo. Sou formado num curso de tecnologia em processamento de dados mas, depois de quase 4 anos de formado, minha faculdade ainda não me entregou meu diploma. O que consegui levar foi um comprovante de conclusão de curso emitido pela própria instituição, juntamente com meu histórico escolar. Eu cursara também um curso de Pós-Graduação em Engenharia de Software mas, como ele sua duração era menos de 390h e ainda não estava concluído, acabou nem contando como nada.

Enfim, expliquei a história do meu diploma mas parece que ela nem ligou. Só tomou nota do meu tempo de formado e confirmou se eu era realmente formado como tecnólogo. Ao término disso ela começa a me pedir toda a comprovação de trabalho.

Momento de outro parênteses. Minha última experiência com registro em carteira foi em 2003. De lá prá cá resolvi investir na carreira de empreendedor, mas não tive grandes avanços. Nesse “breve” período tive duas empresas, das quais uma dela ainda continuo na ativa como consultor, mas já chego nessa parte. De qualquer maneira resolvemos não correr o risco de sermos pegos desprevinidos e levamos todas as declarações de imposto de renda que tínhamos, desde 1999. Bom, voltemos à entrevista.

Expliquei então minha situação à Mme Anne e ela apenas pediu para me monstrar a comprovação desse tempo. Mostrei então os contratos sociais das empresas e os contratos que executei nesse período. Duas coisas que contaram muito nessa hora foi exatamente a sinceridade com que relatei tudo isso e duas cartas de recomendação que obtive de um ex-empregador e de um colega que conheci em New York, funcionário da Accenture e que mora em Toronto. Conversamos um bom período em francês, quando relatei todas minhas experiências profissionais e no meio viramos para o inglês.

Depois de falar tudo isso e quase dar um nó na língua ela deve ter ficada de saco cheio de ouvir falar e partiu para a minha esposa. Mesmo processo: documentos, perguntas, documentos, perguntas. Ela se saiu super bem também até a parte de começar a falar inglês. Nessa hora notei que rolou um “efeito Omo” (Branco total) nela e não saía nada, mas depois de alguns “je, je, je” ela se saiu bem.

Terminada essa etapa ela pediu nossos certificados de idiomas continuava a anotar tudo no seu laptop. Alguns instantes depois ela vira-se para nós e diz o famigerado: “Vous êtes acceptés”, mas com uma ressalva. Nos falou que havíamos passados por pouco. Segundo ela nosso maior erro foi não ter colocado minha esposa como requerente principal (já que ela é formada em bacharelado em informática) pois dessa maneira obteríamos no mínimo 6 pontos a mais. De fato tínhamos chegado a pensar nisso, mas achamos melhor que eu fosse o principal pois meu nível de francês era o melhor entre nós dois. Ainda segundo a Mme Anne, nosso dossiê deveria ter sido rejeitado logo no início por conta da diferença de pontuação entre nós dois, mas o importante é que deu certo. Ela nos falou nos passou principalmente porque estávamos muito bem preparados e que tínhamos um bom conhecimento sobre o Québec.

O importante mesmo é que saímos de lá com os CSQs na mão e prontos para voltar pra casa com o sentimento de missão cumprida. Agora é continuar a estudar francês, continuar a pesquisar sobre onde ir e enviar a documentação federal o mais breve possível.

Gene, merci à nouveau!

Obrigado a todo mundo que nos apoiou e nos acompanhou até aqui.

2 thoughts on “Relato da Entrevista

  1. lucas joao mendes says:

    boa tarde! parabens, sou lucas moro eu mossoro rio grande do norte eu gostaria de saber se demorou para sair o processo federal apos entrevista de quebec, agora farei entrevista neste mes, estou com aquela ansiedade, fique bem boa sorte

  2. Ola Lucas.

    Nossa entrevista foi dia 19.11.2007, em Sao Paulo. Demos a entrada no processo federal dia 04.12.2007 e so viemos a receber nossos vistos dia 29.08.2008. Demoramos um pouco porque tive alguns problemas na validacao do meu exame medico. Como tive Hepatite C, os medicos exigiram uma serie de exames para confirmar meu estado de saude. Se nao fosse por isso acredito que tivesse demorado uns 3 meses menos.

    Boa sorta na entrevista!

    Nosso Timeline
    http://www.hoshi.com.br/blog/brasileiros-no-canada/

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