Passeando em Manhattan

05.05.2007

A idéia era acordar cedo e ir passear em Manhattan. A parte do acordar cedo não deu muito certo. Eu fui acordado na marra pelo Marcelo que me ligou as 10AM perguntando que diabos eu ainda tava fazendo dormindo. Bem, foi culpa minha mesmo. Não botei o despertador pra tocar e tava ultra-cansado. Aquela cama nunca me pareceu tão boa. Mas, bem, tínhamos mais uma razão pra ter saído cedo: lavar roupa. É, lavar roupa. É o preço que se pagar por passar tanto tempo morando longe por conta da empresa e também ser mão de vaca (se não fosse teria pago uma lavanderia pra fazer tudo pra mim, mas não, o Nonô Correia aqui é capaz de nadar o atlântico inteiro com um sonrisal na mão e chegar inteiro do outro lado).

Fomos no mercado comprar sabão e amaciante. Pra variar, tudo lá é vendido em tonelada. Não tinha nada menor que 2kg de sabão e 2 litros de amaciante. Mas o preço compensava. Era comprar Omo pelo preço do Sabão Vigor. Incrível como as coisas são baratas aqui. Não páro de me surpreender. E se tivesse pego os cupons de desconto teria pago menos ainda!

Bom, passada a breve maratona no super-mercado, chegou a hora de lavar roupa. Deve ser fácil. Três caras, todos maiores de idade, curso superior e tudo o mais. Seria a tarefa mais fácil do mundo. Fomos pro apê do Espiga, que tinha máquina e secadora inclusos, e levamos as cosias prá lá. Depois de 15 minutos ainda estávamos olhando pra máquina de lavar, apertando todos os botões possíveis, numa típica cena de 2001 onde os macacos olham pro monolito. Chegava a hora do óbvio. Quando a lógica parecia ter ido pro pau, era a vez da ignorância. Num acesso de frustração o Marcelo deu um murro na máquina de lavar… e ela começou a funcionar!!! Incrível, não sabia que isso acontecia de verdade. Só viemos descobrir depois que a tampa funcionava com sensor de pressão e, nós, com medo de quebrar as coisas, fechamos-na com a maior delicadesa do mundo. Bastava soltar a porra da tampa e ser feliz.

Ah! Teve outro episódio antes também. Na confusão de aperta botão aqui e ali, colocamos o sabão no lugar errado… Depois de 14 minutos lavando roupa com água, descobrimos que não existe aquele lugar pra colocar sabão, você joga por cima da roupa (pelo menos era o que estava escrito nas instruções da caixa de sabão). Mas, vencida a batalha com a máquina era só esperar lavar as cuecas, as camisas e as calças pra poder sair. E lá fomos nós, as 14h, passear em Manhattan. Pro Marcelo foi bom esse horário. O cara tava morto de sono. Ficou plugado na Internet até as 4h da manhã e acordou às 9h. Resultado: enquanto as roupas lavavam ele desmaiava na cama.

Pegamos o PATH e partimos pra Manhattan. Destino: WTC Station.

Foi a coisa mais bizarra que eu vi. O trem pára numa estação onde costumavam estar as torres do World Trade Center e onde agora só tem um buraco. É aterrador. A sensação é terrível. Uma tristeza toma conta de você de maneira indescritível. Nunca fui pró EUA, mas você não tem como negar o tamanho da ignorância que foi isso. É uma área do tamanho de um campo de futebol, somando ainda os estacionamentos. Tudo reduzido a pó. Um buraco, é isso que tem lá. Um mega buraco. Vem gente de todos os lugares pra ver, tirar fotos. E, incrivelmente, um silêncio só quebrado pelo passar dos carros nas ruas e alguns murmurinhos. As torres devem ter sido muito grandes. Ao olhar um postal onde elas ainda estava lá nota-se que eram aproximadamente 2x mais altas que o resto dos prédios, que pra gente eram gigantescos. Só estando lá pra entender as coisas.

Saindo de lá, fomos passear pelo distrito financeiro, aproximadamente Wall Street. Prédios muito bonitos, em estilo neo-clássico, alguns góticos e muita suntuosidade, com detalhes em mármore de diferentes cores. Alguns com gárgulas, outros com leões e muitas, muitas colunas em todos os prédios, numa comparação ao extinto império romano. Não tem como deixar de pensar na quantidade de dinheiro que deve circular por ali, principalmente quando você olha os carros que andam por lá. Hummer, Audi, BMW, Mercedez, Mustang, Ferrari, todos esses totens de ostentação sobre quatro rodas circulando por ali. É muito dinheiro. É muito desperdício.

Saindo de lá, fomos em direção ao Battery Park, um parque que fica às margens do rio Hudson, donde se tem um vista muito bacana da baía, com aquele ir e vir de barcos que fazem a ligaçãom com Long Island e outros lugares. Aliás, foi muito bom ficar ali. Deu pra dar uma boa descansada. Ah! Outra coisa interessante. Estava ventando pacas no dia, apesar do sol forte lá em cima. Enquanto parávamos num carrinho de sorvete pra pegar algo pra tomar (tem desses caras por toda a cidade) parou uma loira com uma micro saia daquelas de estudantes. Bom, o que vocês acham que dá da equação: mulher boa + saia curta + muito vento? Exatamente, foto bacana. Mas, não vou colocar aqui… ainda =)

Saindo do parque pegamos um trem em direção à tal da Murray Street, porque o Espiga queria tirar uma foto de onde tinha sido o estúdio onde o Sonic Youth havia ensaiado. Aqui vale um comentário: ESPIGA, EU TE ODEIO! Andamos igual umas lhamas subindo morro pra chegar numa rua onde o tal do estúdio nem existe nem tem referência alguma, pro cara tirar fotos de nada. Só pra frisar: ESPIGA, EU TE ODEIO! (pronto, falei. to mais feliz).

Não contei que descemos numa estação no meio do que eu chamaria da 25 de maio daqui. Bicho, era gente pra tudo quanto era lado, naquelas calçadas apinhadas de gente comprando quinquilharia. QUINQUILHARIA! Carregadores de celular, lenços, panos, camisetas “I LOVE NY”, DVDs e CDs piratas, televisões, rádios e coisas do gênero. Era quase impossível se mexer por ali. E não adiantava trocar de lado da rua, era a mesma muvuca. Impossível de andar, mas seguimos pela tal da Canal Street em direção ao tal do estúdio do Sonic Youth.

Peraí, o ódio voltou: ESPIGA, EU TE ODEIO! To melhor de novo.

Acho que passamos quase 1 hora pra poder andar pela rua. Muito cheio. Esse foi o principal motivo da raiva. Depois de andar e andar e andar, chegamos num lugar que não existia, sem coisa alguma, pro cara tirar fotos da Rua. Se ainda fossem os Ramones, ou os Beatles… mas SONIC YOUTH?! Aff, tá bom.

Enfim, após passar pela tal da era hora de ir ver a tal da Murry Street, fomos ver a ponte do Brooklyn. Eu tava tão cansado que não queria nem olhar pra ponto, mas o Espiga queria ir até o outro lado, a pé! Chegamos ao consenso de ir até um pouco antes da metade e voltar. Realmente, a vista é bem bacana, legal mesmo, mas seria melhor aproveitar um pouco menos cansados. A tal da ponte é bem legal mesmo, bem mantida pelos órgãos competentes e com três diferentes caminhos: carros, trens e pessoas, este último com gente andando o dia inteiro, de bicicleta, correndo ou mesmo só passeando. Até agora essa cidade me surpreendeu. Muito bonita e muito voltada para a diversão e a satisfação das pessoas.

Bom, foi um dia cheio, com muitas coisas pra ver e trocentas fotos tiradas, realmente muito cheio de cultura, mas tem muita coisa por vir ainda. Domingo a idéia é acordar cedo mesmo e continuar nosso passeio, desta vez com algumas paradas bem definidas, como a Guitar Center e a J&R Computer Store, um ótimo lugar para nerds (tipo eu). Vamos lá. Tem coisas pra fazer ainda e eu to super cansado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *