Ottawa – Parte I

Este final de semana fomos conhecer mais uma cidade nova e acabamos conhecendo três por conseqüência. Dia 1º começou em Ottawa o Festival das Tulipas, evento anual promovido em Ottawa e que minha mulher fez questão de ir. Claro, viajar quase 450 km SÓ pra ver um bando de flores é um dos meus passeios preferidos, mas como de lambuja ia dar pra conhecer um pouco a cidade…

439km até a capital do país

439km até a capital do país

Saímos de Québec sexta-feira a noite e passamos a noite na casa de uns amigos nossos que também iriam conosco. Eles moram em Drummondville, uma cidade no meio do caminho com pouco mais de 65 mil habitantes (eu volto a falar mais de Drummond em outro post). Acordamos a manhã seguinte realmente cedo, em torno de 5 da manhã, já com a intenção de sair cedo em Ottawa pra aproveitar o dia. Nosso trajeto passava pelo meio de Montréal, mas isso não é problema algum já que a cidade é cortada por auto-estradas totalmente liberadas na hora que passamos, sem pontos de engarrafamento.

Alguma dezena de quilômetros depois chegamos à fronteira das províncias de Québec e Ontario e já dava pra perceber que não estávamos mais no Kansas. A estrada era toda em concreto, deixando aquele maldito barulho de assobio do contato dos pneus com a estrada.  Apesar disso, não há o que reclamar da qualidade das rodovias. Assim com no Québec, as rodovias são bem cuidadas e limpas, muito bem sinalizadas e com motoristas que respeitam a sinalização. Tá, forcei demais nessa última parte. Nem todo mundo respeita os limites de velocidade, mas não tem jeito. Como a estrata é sempre plana, sem morros e quase nenhuma curva perceptível, chega uma hora que você precisa arranjar alguma coisa pra fazer, senão dorme mesmo na direção.

Quilômetro e quilômetros de retas e árvores.

Quilômetro e quilômetros de retas e árvores. Não tem como não morrer de tédio.

Por sinal, as estradas têm um outro problema também chamado “Animais Silvestres”. Não é raro ver um veado, um guaxinim ou qualquer outro bicho atropelado pelo caminho. Em todo o trajeto existem placas de aviso sobre animais silvestres mas parece ser inevitável esse tipo de coisa acontecer. Os bichos saem correndo do meio do mato sem olhar para os lado e quando se vê, já foi. E não é só isso. Além do pobre do bicho morrer pelo caminho, muitas vezes os acidentes são fatais também para os motoristas.

Essas coisas podem acontecer também.

Essas coisas podem acontecer também.

Após mais de 3 horas dirigindo chegamos na capital do país. Muito diferente do que eu imaginava, Ottawa é uma cidade moderna, com prédios novos e muito bonita, cortada pelo canal Rideau e centro da atividade política do país. Nosso primeiro destino foi atrás do Rideau Hall, residência oficial da Governadora Geral do Canadá, Mme. Michaëlle Jean. Tivemos a sorte de conseguir uma guia que nos mostrou o lugar e várias curiosidades sobre a função do governador geral e ainda nos permitir dar um passeio pelo lugar. Tudo isso de graça, sem custo e com paciência. Teria sido melhor se em nosso grupo não tivesse se juntado um casal de québecoises que pareciam saber tudo sobre tudo e, pra cada comentário da guia não tivessem que tecer seus próprios comentários. A primeira e a segunda vezes até passou, mas TODAS AS PERGUNTAS?!?!?! Caras chatos…

Momento Cultural

Pra quem não sabe (assim como eu não sabia), o Governador Geral é o cargo do representante real da Rainha da Inglaterra em terras canadenses. Nomeado pelo Primeiro-Ministro, esse cidadão, ou neste caso, esta cidadã, tem funções basicamente sociais, muito semelhantes às da Rainha mesmo, passeando prá lá e prá cá, mas com duração de cinco anos, recebendo um salário médio de 100,000 CND, limpos, sem descontos. Devido aos episódios históricos com o lado francês do país, a função do Governador Geral é alternada entre anglófonos e francófonos, com a intenção de manter um eqüilíbrio entre os lados. Qualque pessoa pode vir a ser eleita para esse cargo, desde que seja canadense, bilíngue e com um papel exemplar para com a sociedade. No caso de Mme. Jean, ela é haitiana, naturalizada canadense e ex-jornalista da rede CBC, nomeada para o cargo em 2005.

O "Palácio de Lego" do Governador Geral

O "Palácio de Lego" do Governador Geral

Como a própria guia descreveu, o Rideau Hall foi concebido como um grande Lego, tendo sido inicialmente construído em 1817 como residência do primeiro governador e ampliado a medida que fosse sendo necessário pelos seus sucessores. Inclusive, o fato desse prédio ter sido expandido aos poucos é uma das razões pelas quais podemos visitar só o Hall de entrada, o salão de bailes e a sala de conferências. De acordo com a guia, o resto do prédio não é nada suntuoso se comparado a essas salas, todas decoradas e reformadas com colunas de mármore e com teto, janelas e cortinas em estilo Vitoriano. Além disso, o prédio é realmente utilizado como residência da Governadora e como escritório dela, outra boa razão para não deixarem aberto para visitas.

Observem só como o negócio foi montado aos pedaços

Observem só como o negócio foi montado aos pedaços

Na volta passamos na frente da residência oficial do primeiro ministro, um p*ta casarão à beira do canal do Rideau, com apenas uma simples viatura da polícia parada na guarita de entrada. Incrivelmente diferente da Casa Branco ou da Casa da Dinda =). Em seguida fomos dar um passeio do Byward Market, uma espécie de mercado municipal realmente menor, com mais ou menos umas 20 lojas, 90% delas vendendo comidas. Nas imediações do mercado dezenas de restaurantes e lojinhas das mais diversas que vendem desde queijos e vinhos a produtos europeus, árabes, chineses e outros. O bairro tem cara de ser um lugar mais alternativo, cheio daquelas lojas de piercing, rave e coisas afins. Um bairro cultural de onde não consegui tirar foto alguma porque meu estômago estava grudado nas costas já.

To morto de sono agora e não vou terminar de escrever a viagem já. Continuo nos próximos posts porque tem realmente bastante coisa pra contar ainda.

Bateu a curiosidade e quer saber mais?

One thought on “Ottawa – Parte I

  1. Claro que sim, só tô esperando a parte das tulipas!
    Vejo que ‘sobreviveram’ o inverno e agora o negócio é aproveitar a primavera e o verão.

    Mas vem cá, não seria emocionante ver um bisão no meio da estrada?

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