Nikujaga

Existe uma categoria de comidas japonesas que quase não são conhecidas pelo público em geral, principalmente porque quem conhece esse tipo de comida é quem cresceu numa família ou numa comunidade de japoneses, são os chamados “Ofukuro no Aji” (おふくろの味), um tempo mais velho que andar pra frente que representa o tipo de comida mais deliciosa na minha opinião.

Traduzido ao pé da letra, o termo significa “tempero de mãe”, bastante utilizado pra denominar um tipo de tempero que não tem como explicar como é realmente bom. Têm certos tipos de comida que a gente automaticamente associa como sendo desse tipo, e geralmente são as mais gostosas. Infelizmente geralmente esse tipo de receitas nem chega aos ouvidos do público em geral, mas eu posso dizer que são os clássicos da comida japonesa. É muito bom.

Pra parar de contar o milagre e entregar logo quem é o santo, vou deixar aqui uma receita de Nikujaga (肉じゃが), o clássico “carne com batata” da culinária japonesa. O preparo é simples e rápido, bem como boa parte das comidas desse tipo. Aliás, isso é uma boa explicação pra elas terem esse nome. Mãe (ou mulher) alguma gosta de ficar na cozinha e as mulheres que não venham me dizer que é mentira! Então, nada melhor que fazer algo simples e rápido pra encher o bucho dos pimpolhos em casa, não é ?

Bom, vamos aos ingredientes:

Nikujaga - Carne bom batata

Nikujaga - Carne bom batata

  • 900g de batatas.
  • 200g de bife de vaca ou porco
  • 1 cebola grande
  • 1 pedaço de gengibre
  • 4 a 5 copos de molho de dashi
  • 6 colheres de sopa de açúcar
  • 3 colheres de sopa de sake
  • 3 colheres de sopa de shoyu
  • 1 colher de sopa de mirim
  • Óleo vegetal
  • 1 colher de sopa de óleo de gergelim
  • Cebolinha pra decorar

Como diz o professor, vamos começar pelo começo. Pegue as batatas, descasque (pode parecer incrível, mas tem comidas em que a batata é feita com casca, então deixe de ser preguiçoso(a) e faça como eu disse). Corte as em 4 e separe.

Os bifes têm que estar cortados em fatias finas, mas não tão finas que dê pra enxergar do outro lado mas o suficiente pra não parecer uma picanha. Tenha em mente o seguinte: no Japão 1kg de carne pode sair tão caro quanto uma reforma de um apartamento de 3 quartos, então eles não vão esbanjar. Também não é sukiyaki pra ficar transparente de tão fino. Tente encontrar um meio termo.

Descasque o gengibre e corte-o em fatias finas. De novo, não precisa ser da grossura de papel, mas tem que ser fino. Ele serve só pra dar um gosto pra comida. Se você quiser, pode até tirar ele depois, mas eu não faria esse sacrilégio.

Descasque a cebola e corte-a em 8. Sem viadagem, prático e rápido. Se quiser complicar, tente fazer isso com 3 cortes apenas.

Preparação

Em uma panela coloque óleo, o gengibre e a cebola pra dourar. Antes de queimar (cuidado, seu anú!) coloque em fatias e coloque pra fritar. Faça com que ela se misture bem e a cebola se abra, fazendo a carne ficar dourada sem deixar o gengibre e a cebola queimar.

Se você não sabe o que é molho de Dashi, tem uma maneira extremamente preguiçosa de fazer isso. Vá no mercado, siga até a seção de comida oriental ou coisas pra gente que quer emagrecer e procure por “Hondashi” ou “Dashi no Moto”. É peixe Bonito seco e ralado. Ignore seus preconceitos e compre. O Dashi vai em quase tudo quanto é comida japonesa. Então, se você gosta da culinária, nunca deixe faltar nem isso nem Sakê em casa. Pode ser que você ache ele em outra embalagem e mesmo em vidros, mas é a mesma coisa.

Dashi no Moto. Você com certeza já viu esse peixinho mas nunca ligou pra ele.

Dashi no Moto. Você com certeza já viu esse peixinho mas nunca ligou pra ele.

Dissolva uma colher de sopa de Dashi (geralmente um envelope) em 5 copos d’água morna. Mexa pra que não fique empelotado. Adicione as batatas cruas na panela e jogue o dashi diluído por cima.  Depois, adicione todos os outros ingredientes, mexendo bem pra misturar tudo. Coloque tudo pra cozinhar em fogo médio com a tampa meio aberta e cuide pra não queimar. Cozinhe até que as batatas estejam macias e com uma cor meio dourada.

Sirva com arroz branco (GOHAN!) ou separado em pratos rasos. Não esqueça de salpicar com cebolinha verde!

Truques

Você pode personalizar a receita de diversas maneiras. Primeira, a batata pode ser feita assada antes de ser colocada na panela. Eu acho que isso muda todo o gosto da comida, mas tem gente que faz isso.

Outra variação da receita fala em usar açúcar mascavo. Já fiz isso e realmente o gosto é muito bom, mas nem todo mundo tem um estoque de açúcar mascavo em casa, além de que você tem que saber usar ele senão o bicho fica doce igual caramelo.

Por fim, se você quiser deixar ainda mais bacana o prato, pegue Nori e esmague com as mãos, fazendo ficar em pequenos pedaços. Não precisa ser ogro e transformar o negócio em pó, é só pra esfarelar um pouco. Jogue por cima junto com as cebolinhas quando for servir. Isso fica realmente bom.

Se você tiver tempo e quiser incrementar mais ainda, além das batatas coloque cenouras cortadas em pedaços e ervilhas em fava inteiras. A cenoura tem quase o mesmo tempo de cozimento das batatas, mas tome cuidado pra não cozinhar demais senão uma das duas pode acabar desmanchando e virar sopa. Com as ervilhas é a mesma coisa. Só deixe cozinhar o suficiente pra amolecerem, então ponha-as depois que a batata já estiver cozinhando pra não se desmanchar na panela.

4 thoughts on “Nikujaga

  1. Katsudon, Udon, okonomiyaki, kare… essas coisas são mesmo as melhores! Não perdem em nada pros mais “comuns” sushi e sashimi.

    Aqui no Rio, só consigo comer essas coisas quando tem Festa do Japão no Aterro do Flamengo (quando eu posso comer takoyaki também), que é uma festa da associação Nikkei de japoneses no Rio.

  2. Concordo planemente contigo. Especialmente na parte de que a culinária não se restringe só a sushi e sashimi =)

    Agora morando no Canadá, sinto uma falta ainda MUITO maior dessas comidas. Acabei me obrigando a aprender a fazer muitas delas pela falta que me fazem. Como em todo lugar, as comidas aqui são adaptadas ao paladar local e, com exceção de um único restaurante daqui que é feito com paladar japonês (que por sinal é bom demais!), eu fico na lembrança mesmo.

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