Japão – Parte II

Seguindo minha teoria de ficar acordado o maior tempo possível durante a viagem, tive uma noite de sono como eu não tinha a meses e ainda consegui acordar cedo (antes das 8 da manhã).

Como de costume, minha tia, a única mulher da casa, já estava acordada fazendo o café da manhã de todo mundo. No Japão as pessoas tem o costume de ter um café da manhã realmente bem reforçado, e quando eu digo reforçado é comida mesmo. Com a adoção do ritmo de vida cada vez mais insano impulsionado pela necessidade de crescimento econômico e financeiro, isso tem mudado bastante nos últimos 20 anos. Muitas pessoas já consideram o breakfast americano como modelo de café da manhã, com ovos, pão, café e afins. Mas ainda tem muita gente que segue o clássico modelo japonês, o Asa Gohan, ou refeição da manhã: arroz (gohan [arroz branco]), sopa de miso, tsukemono (conservas), peixe assado ou qualquer outro acompanhamento.

O café da manhã é quase isso aí

O café da manhã é quase isso aí

A crise financeira já está presente no país há muitos anos e cada vez mais o desemprego e a competição acirrada por trabalho tem se tornado uma constante entre os japoneses. Na casa do meu tio não é diferente. Dos 4 homens da casa, 3 estão trabalhando, dentre os 3 meu tio e o filho mais velho dele. Meu tio herdou a construtora de casas do meu avô, um negócio familiar que chegou a ter bons tempos. Mas hoje, por conta do surgimento das grandes construtoras e da competição, tem ficado cada vez mais difícil continuar sobrevivendo com ela. Hoje trabalham juntos apenas os dois na empresa e, mesmo assim, neste dia meu tio havia ficado em casa porque não tinha trabalho para os dois. Ele levou tudo na esportiva e saímos para passear pelo bairro, dar um volta com o cachorro e botar o papo em dia. Prá mim foi ainda mais interessante porque tive a oportunidade de conhecer mais sobre o dia-a-dia no Japão, coisas simples como carteira de motorista, serviços de água, luz, gás, telefone, internet e coisas do gênero, além de saber mais sobre o que aconteceu nesses últimos 15 anos que eu não passava por lá.

Fomo dar uma volta com o cachorro de casa, o Subaru. Foi engraçado ver quanto algumas coisas tinham mudado e outras eram exatamente as mesmas. Na frente da casa do meu avô, por exemplo, antes tinha um condomínio. Agora estava tudo derrubado! Conta meu pai que aquelas casas estavam ali há mais de 40 anos e de repente PUFF, tudo o que restava era um terreno limpo, já com placas de venda.

A casa da família

A casa da família

Dá pra se perder nessas coisas facinho

Já sei porque não se exige exame de carteira de japonês quando se vem pro Canadá. Quem se vira com essas placas, qualquer lugar é fácil...

Passear por lá sempre trás ótimas lembranças da minha infância e por diversas vezes me faz pensar em como teria sido a vida se eu tivesse ido de vez, mas é bom ver que muitas coisas estão as mesmas apesar de todo esse tempo e além do mais por ser o Japão. A gente sempre tem a visão de que tudo por lá é tecnológico ou futurista mas não é bem assim. Tem muita gente mesmo que sofre até pra mudar o canal da televisão por causa da quantidade de botões que tem por lá. Internet então pra alguns é coisa do outro mundo. Em contra-partida, ficaram uns viciados em telefone celular. Pra tudo quanto é canto que a gente olha, se eles tiverem um tempinho, tão com esses 携帯 (keitai) na cara digitando. Antigamente quando a gente andava de trem via a galera lendo qualquer coisa, geralmente livrinhos de bolso ou mangás, mas agora não. Parecem até que tão se reprogramando olhando praquele negócio na frente da cara e digitando rapidinho. Por sinal, juro que ainda não caiu a ficha de como é que eles conseguem digitar tantos kanjis tão rápido com esse negócio.

O tamanho da bicicleta

Rodas pequenas e banco alto: bicicleta para mulheres. Com isso não precisa levantar muito a perna.

Restaurante de yakitori

Restaurante de yakitori. Por sinal, ótima pedida pra se comer. Fácil, barato e muuuuuito gostoso.

Entrada de um restaurante de "spagetti"

Já pensou um restaurante e spaghetti japonês ? Seu choque deve ser o mesmo que sushi de goiabada pra eles

Eu sei que é de mentira, mas sempre tem uma ótima aparência

Eu sei que é de mentira, mas esses cardápios sempre têm uma ótima aparência

2 thoughts on “Japão – Parte II

  1. Pô, Japa, essas placas são simples até pra gente, é só interpretar:

    Placa redonda 1: Proibido caminhões azuis
    Placa redonda 2: Proibido azul
    Placa de base retangular e topo triangular: Permitido bicicleta que ande sozinha cruzando a faixa de pedestres, desde que acompanhada de um cara de chapéu.

    Cara, os descendentes de japoneses que moram aqui em Goiânia (todos os 3) odeiam meu restaurante japa favorito aqui. É que as invenções deles vão MUITO além do sushi com goiabada. Mas tradição à parte, eu acho que fica tudo perfeito!

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