Hotel de Gelo

Final de semana ensolarado e finalmente o primeiro dia da primavera. Tendo nascido no norte do Brasil, nunca tinha sequer dado importância pra essa estação do ano, especialmente pelo fato que só temos duas estações do ano por lá: a época em que chove todos dias e a que chove MUITO todos os dias. O quê? Vai dizer que nunca ouviu falar do clima de Belém?

Enfim, saindo da floresta Amazônica e falando do pólo norte de novo, a primavera é realmente algo notável por aqui. Aquele gelo todo que tinha na frente de casa, na sacada, aquela montanha de neve de 15 m de altura na quadra do condomínio, as calçadas que desaparecerem embaixo das crostas de gelo e neve, tudo isso está desaparecendo aos poucos. Já tem até grama! Tendo sido este nosso primeiro inverno por aqui, eu pessoalmente achava que ia penar muito mais, mas nem foi tudo isso. Graças aos amigos que fizemos, à ajuda que essa moçada nos deu e também ao fato de ter conseguido comprar nosso carro, tudo isso fez uma baita diferença. Eu e a Márcia acabamos não aproveitando tanto assim a estação como dá pra se fazer, mas não dá pra dizer que deixamos passar em branco (com toda a never, isso foi um trocadilho infame mesmo).

E prá não perder a tradição, claro que deixamos algumas coisas prá última hora. Uma delas fomos conferir neste domingo. Há uma semana de começarem a desmontá-lo, fomos visitar o famoso Hotel de Gelo de Québec.

Primeiro fato curioso: Apesar das reportagens feitas no Brasil falarem que o Canadá falarem sempre da cidade subterrânea de Montréal e do Hotel de Gelo de Québec, as pessoas que vivem aqui não são de uma raça mutante de toupeiras-esquimós.

Falando do hotel, o lugar é construído dentro do terreno de um parque de atrações “nevísticas” da Station touristique Duchesnay, onde existe uma série de outras atividades não tão apáticas como ver uma construção feita de água congelada, tais como um lagos congelado,s montanhas e grandes campos onde as pessoas podem praticar dessas atividades geladas como ski alpino, ski nórdico, patinação, mergulho (um dia eu falo sobre isso…), passear de motoneige e o meu preferido: comer muito!

A estação fica a pouco mais de 30 km de Québec, e dá pra chegar lá em pouco mais de meia hora de carro, dirigindo muito tranquilamente. A viagem nos mostrou que mesmo com o degelo das últimas semanas, a região menos urbana ainda tem MUITA coisa pra descongelar, com aquelas camadas de gelo que ainda não se permite plantar. Descobri algo muito curioso sobre essa época e essa neve toda. Como as temperaturas fluturam muito neste período, indo de negativo ao positivo muito rápido com extensos períodos de calor, aquela neve toda que estava virando água congela muito rápido. Conlusão: gelo. E aquela coisa fofinha onde dava pra andar se torna algo tão agradável quanto asfalto. Conclusão: MUITO cuidado quando for fazer algo em cima dele. Impactos no gelo são especialmente desagradáveis (minhas costas que o digam).

Muita neve nos campos ainda

Muita neve nos campos ainda

De Québec ao Hotel de Gelo

De Québec ao Hotel de Gelo

Porque eu falei que agora é em cima da hora? Porque o hotel só fica funcionando um período um certo período do ano. Agora em 2009 ele estava aberto de 4 de Janeiro a 29 de Março. Como fomos dia 22… Depois disso é fim do inverno e o tempo já não é mais tão propícia pra manter a tal da escultura lá.

Segundo fato curioso: Por incrível que pareça, aqui não faz frio o ano inteiro e tem épocas em que a gente até mesmo anda sem camisa. Sim, não morremos de frio o ano todo e não fazemos nossas casas de gelo, assim como não tem animais e índios andando pela rua no Brasil (com exceção da fauna urbana de sempre)

Como tudo que é patrocinado pela rede Sépaq (um tipo de ministério do turismo daqui), não é de graça. E nesse caso não vou nem dizer que é um valor simbólico porque $15.00 por pessoa é extremamente doloroso pra um passeio desses. Pelo menos o filhote não teve que pagar, senão eu ficar indignado mesmo. Mas enfim, o lugar é bonito mesmo, realmente bem feito. Os bloco são feitos com blocos de gelo retirados do Fleuve St-Laurant e esculpidos manualmente. Como é um hotel, a idéia é que tenha os mesmo serviços de uma instalação normal, com recepção, salão de estar, bar e claro, quartos, tudo feito em gelo e recobertos com pele de animais no melhor estilo Inuit.

Recepção com TV

Recepção com TV

Candelabro todo esculpido em gelo

Candelabro todo esculpido em gelo

Uma igreja com altar e tudo o mais

Uma igreja com altar e tudo o mais

Prá quem está morrendo de frio, tem até uma lareira

Prá quem está morrendo de frio, tem até uma lareira

Durante o dia ele fica aberto à visitação, inclusive aos quartos que são desocupados durante o período do dia. À noite ele dá lugar à balada mais frio do mundo (humm, péssimo trocadilho), onde todo mundo tenta se manter quente dentro desse lugar translúcido. Não fomos lá nesse horário, mas eu acredito que as luzes devem dar um efeito bem especial no escuro e refletindo nessas colunas.

No mesmo lugar da balada existe até uma lareira, com fogo de verdade, mas com efeito meramente ilustrativo mesmo. Ela é revestida com um vidro que reflete o calor e a fumaça, além de uma chaminé que canaliza ambos para fora do lugar. Ou seja, é só pra fazer bonito mesmo. Esquentar que é bom, necas. Mas mesmo assim é bonito.

Um destaque a parte está na hospedagem em quartos feitos de gelo (claro) mas que tentam imitar um ambiente confortável e romântico. Na minha modesta opinião de crítico de hotéis, romântico o escambau. É frio pra cacete lá dentro, não tem cachaça ou sacanagem que possa esquentar esses quartos. Hummm, tá, pode sim, mas mesmo assim é frio e não tem como mudar isso. Não bastasse isso, o hóspede tem também a opção de fazer uso das saunas ao ar livre do hotel. Sim, sauna, abertas, ao ar livre onde geralmente faz -10C ou menos, mas aquecidos dentro de “furôs” gigantescos para 10, 15 pessoas. O corajoso que resolver se hospedar vai ter que desembolsar em torno de $350.00 por pessoa por uma simples noite ou até $524.00 para um pacote que inclui também jantar para duas pessoas, massagem, o direito a um quarto no chalé da estação, bebidas e atividades típicas do local.

Mas, se você pensar numa atividade inesquecível é possível também agendar seu casamento no hotel, com direito a um álbum de fotos, casamento na capela de gelo para 40 convidados, coordenação e acompanhamento de profissionais dedicados na organização de casamentos, jantar e café da manhã, além de obviamente a noite de núpcias. Tudo isso pela bagatela de $5900.

BUm bar que funciona de dia e durante as baladas

Um bar que funciona de dia e durante as baladas

Romântico, certo?

Romântico, certo?

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