Enfim: EUA

Ainda 29.04.2007

Após uma viagem tumultuada, chegou a grandiosa hora de desembacar, passar pela alfândega, pegar as malas e ir de limosine para o hotel onde vou poder dormir de verdade e só acordar na hora de comer. Ah sim, não tinha falado da limosine? Pois é. Segundo contaram na GLT, haveria uma limosine nos esperando no aeroporto. Essa eu precisava ver.

Tá, vou logo pra parte verdadeira. 6h30 da manhã. Saímos do avião e fomos pra alfândega. Após esperar 1 hora na fila, fomos literalmente os últimos a serem atendidos porque nos enrolamos para preencher os papéis da imigração. Portanto, DICA! Quando for para os Estados Unidos, preencha a ficha o mais breve que puder, desembarque rápido e vá na frente!(mas, por favor, sem violência nem empurra-empurra. Isso é o fim da picada).

Voltando, o oficial da imigração fez as perguntas padrão: o que faz aqui, porque veio, vai fazer o que, etc. Fui saindo porque até as esteiras já tinham parado de girar. O Marcelo ficou pra tras porque uma oficial da imigração pediu para que ele ajudasse um cara que não falava inglês. Isso, aliás, merece um comentário. Segundo meu colega, ele tinha certeza que o cara era ilegal entrando no país. Veio com a desculpa padrão de vir fazer curso de inglês, não falava LHUFAS do idioma e tremia mais que aquela sua tia avó. E o pior de tudo: o cara passou. ehehehhe. E viva a democracia.

Enfim, após passar por essa situação, saímos para encontrar a tão falada limosine. Nunca havia feito isso na minha vida, tinha que ter essa emoção. Pois bem, como já dá pra imaginar, não era bem o que eu esperava. O cara que foi nos esperar estava com uma placa com o nome do Marcelo. Na verdade uma folha de papel amassado, com o nome do cara escrito com caneta BIC. Deu pra sentir o drama, né? Além disso, ele era tão americano quanto os tênis que você compra hoje em dia. Um sotaque pesado e uma cara de sono que só podia ter alguém que acordou as 5 da manhã pra pegar dois brasileiros no aeroporto que saíram 1 hora atrasados. A limosine era, na melhor concepção possível, um carro grande e muito velho. Um dia, talvez no dia em que foi construído, ele tenha sido um carro de luxo, mas não mais hoje. Na viagem para Jersey eu conheci porque os motoristas de New York são conhecidos. Numa via expressa com limite de 50 milhas / h ele andava a pelo menos 90, isso sem contar a habilidade de cortar na frente dos outros (businadas revoltadas acompanham, claro) e fazer curvas em alta velocidade. Primeira impressão fantástica!

Finalmente, chegamos no hotel. Tá, nem demorou tanto assim com o cara correndo como estava. Como minha reserva havia sido confirmada apenas para o dia em que chegamos, só poderia fazer o check-in às 3 PM, mas felizmente a suíte do Marcelo já estava liberada desde o dia anterior. Pelo menos é o que a gente achava. Segundo a recepcionista do hotel teríamos que esperar até o quarto ser limpo e isso só aconteceria após as 9h, quando chegaríam as camareiras. Sem muita opção, fomos passear. Dois caipiras na cidade grande. Deixamos as malas no hotel e fomos procurar um lugar onde comer.

Primeiras impressões: a cidade parece um lugar fantasma. Lembram daquela cena de Resident Evil 2, quando a Lila levanta do hospital, os carros estão parados nas ruas, tudo parece que foi abandonado lá e não ter um ser vivo na cidade? Foi o que vimos. Não tinha NINGUÉM NA RUA. Tudo bem que era domingo de manhã, mas NINGUÉM era algo que eu não esperava de New Jersey. Andamos por mais de 1 horas e nada, até encontrarmos a polícia, que nos mandou prestar atenção no semáforo e não andar quando ele estiver vermelho para os pedestres… Primeiro fiasco, claro.

Pensamos em ir até Manhattan de trem, mas os caipiras de novo não sabiam nem que trem tomar, muito menos como comprar um ticket, o que nos obrigou a voltar ao hotel. Era quase 11h da manhã, já havíamos encontrado pessoas andando na rua no que deveria ser o dia “vamos andar seus gordos sedentários”, promovido por alguma organização que não aguentava mais falar das pessoas gordas, o que nos fez crer que estávamos nos Estados Unidos mesmo e que a fama de cidade fantasma era realmente por conta da hora que havíamos chegado.

Sacanagens a parte, a cidade é muito bonita. Pelo menos as quadras por onde andamos. Tudo muito limpo, organizado, largo. Como diria o Homer Simpson, parece tudo muito caro. Como é início de primavera encontramos muitas árvores floridas e até tulipas no canteiro! Isso foi emocionante, mesmo.

Mas bem, voltando ao hotel. Adivinhem só? Não estava pronto. Tivemos que sair novamente para esperar. Aquilo já estava enchendo a paciência e da próxima vez alguém iria ter sérios problemas. Mas, fomos almoçar. Onde comer numa cidade onde tudo estava fechado? A resposta é: shopping. Claro que tem shopping! Já haviámos visto em 1 milhão de simulações no Google Maps que havia um shopping logo atrás do prédio do HSBC. E, após andar e se perder um pouco, achamos o tal do Shopping. Realmente, bunitinho, bem organizado, igual o resto da cidade. Primeira impressão: EU QUERO UM WII! $240.00, não tem como resistir mas, consegui me conter. Por hora. Vamos pra praça de alimentação. Claro que deve ter milhões de opções pra comer. Bastava escolher. E o mané aqui não fugiu à regra do turista de primeira viagem. Foi logo onde? Taco Bell. Reação alimentícia: imediata. Depois de alguma coisa que não lembro o nome fiquei arrotando tacos o resto do dia. O Marcelo curtiu um Burger King e quase não terminou de tão grande era o bicho.

Ah sim. Esqueci de um comentário interessante. Falo inglês e me viro bem, mas a prática é uma coisa completamente diferente. Por exemplo. Até hoje devo estar tentando entender o que o atendente do Taco Bell estava tentando me dizer. Aliás, ele não falou, ele cuspiu 5 palavras que sei lá o que eram. Portanto: quando tiverem oportunidade, viagem ao país cuja língua estão aprendendo. Vocês vão se descobrir como recém-formados no mercado de trabalho, só conhecem a teoria.

Bom, passeamos um pouco no shopping e voltamos decididos a conseguir aquele quarto, nem que pra isso tivéssemos que quebrar tudo. Mas não foi preciso. Tanto o quarto do Marcelo quanto o meu já haviam sido liberados, para a sorte do hotel (e da gente, que não aguentava mais andar com aqueles sapatos duros). Os quarto, uma outra hora eu conto como eram, mas posso adiantar que eram muito mais do que eu esperava (e prá melhor!).

De resto, eu só precisava dormir um pouco. Já estava podre e não aguentava mais. Olá cama, lá vou eu.

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