Cozinhar pra quê?

07.05.2007

Segunda-feira, tava todo mundo podre de tanto andar no final de semana. Todo mundo com exceção do Espiga. Fico tentando lembrar se eu tinha tanto pique assim ou é algo que colocam na comida hoje em dia.

Hoje era o dia de conhecer o Mr. Ray Saxe, chefe do Steve e o patrocinador de nossa viagem. A reunião ficou marcada para irmos em Manhattan, juntamento com o Shah e o gerente de projetos dele. Teoricamente seria algo em torno das 15h, mas nem o Steve tinha certeza. Chegando próximo desse horário saímos de Jersey e pegamos nosso trem para enfim conhecer o chefão e as instalações do banco na Cidade.

Era diferente andar com o Steve na rua. O cara é enorme, então cada passo dele é o equivalente a três meus. Então tivemos que andar rápido mesmo. À princípio existem vários prédios do HSBC em Manhattan. Obviamente TI fica com o mais bizarros de todos. Pelo que deu pra notar era um loft, enorme, onde colocaram divisórias e baias pra acomodar a macacada na frente dos computadores. Uma espécie de zoológico tecnológico onde os bichos ficam amontoados na frente de seus desktops enquanto fingem que estão em ambiente social.

Sobre a reunião, foi espantoso. Acho que isso é o que chamam de ser direto e eficiente. O Mr. Saxe foi exatamente isso. Falou o que esperava da gente, o que está reservado pro projeto e mandou ver. Foi uma hiper-reunião de 15 minutos e seria menos ainda se eu não tivesse ficado embasbacado com a velocidade do homem falando. Aliás, todo mundo ficou calado, com exceção do Steve fazendo piadinhas. O chefe falou o que tinha que falar e saiu correndo pra pegar um avião pra Paris. Um dia eu quero ser importante assim.

Saindo de lá fomos dar uma volta no resto da cidade pra conhecer as outras instalações do banco. O tal do prédio onde funciona a parte de investimentos corporativos é de chorar. Um saguão monstruoso com o chão em mármore vermelho, as paredes e as portas douradas. Uma espécie de sarcófago egípcio moderno, extremamente suntuoso. Acho que essa deve ser a idéia do “3o maior banco do mundo” quer passar pra quem tem muuuuuuuuuuuuuito dinheiro pra investir: que eles sabem fazer seu dinheiro virar mais dinheiro.

O resto do dia não teve muita agitação. Voltamos pra Jersey pra terminar algumas pendências e depois escolhemos fazer uma comida caseira ao invés de comer em restaurantes. Minha sugestão foi fazer um strogonoff, mas acabei descobrindo como é difícil cozinhar por aqui. De fato você acha todos os ingredientes do mundo que sonhar ou desejar, mas todos tem sabores e odores diferentes. Não sei porque diabos, se a gente come coisas de 5a categoria ou se tudo que é vendido daqui é entochado de vitaminas ou coisas parecidas que fazem com que o alimento mude de saber, mas é complicado. Meu strogonoff, por exemplo, ficou bom, mas tem um gosto absolutamente diferente. Aliás, alguém sabe me dizer como se chama “creme de leite” por aqui? E eu falo de creme de leite de verdade. Eu achei um troço chamado Heavy Milk mas era leite comum, um pouco mais grosso, mas anos-luz do que eu defino como creme de leite. Então, já dá pra imaginar como ficou meu jantar, né?

Ah, sim, aqui vai uma foto de como ficou o jantar.

Strogonoff

2 thoughts on “Cozinhar pra quê?

  1. Nadia says:

    O nosso creme de leite, aqui se chama TABLE CREAM e pode ser encontrado em qualquer supermercado inclusive fabricado pela propria Nestle.

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