| A Obrigação |
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| Por hoshi.com.br | |
| 17 de dezembro de 2004 | |
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Durante estes anos de convívio com a Hepatice C, existe um outro lado que está além do avanço dos medicamentos e da qualidade de vida. Além do lado pessoal, existe um outro fator que me motiva a publicar de informações sobre a Hepatite C: a responsabilidade social. Cada pessoa tem um comportamento diferente frente a uma doença, cada um tem uma reação. Muitos vivem anos sem sequer ter um sintoma, nem mesmo uma dor de cabeça. Estas pessoas são felizardos. Infelizmente, outros muitos passam pelo ciclo de contágio, incubação e óbito em questão de meses. É a peculiaridade do ser humano. O cotidiano nos leva ao comodismo, ao descaso, à preguiça e à ignorância. Isso é fato. Aconteceu comigo. Quando vemos algo sobre doenças ou qualquer tipo de desgraça, somos levados a crer que tudo isso está longe de nós, que nunca chegará ao nosso cotidiano. Foi o que conseguimos com anos de tecnologia, uma falsa sensação de que estamos seguros e intocáveis do mal. Felizmente muitas pessoas estão começando a acordar prá essa mentira, seja realmente se dando conta da sua responsabilidade no problema ou quando a desgraça finalmente se abate sobre si. Mas é um avanço de qualquer maneira. Não estamos sozinhos neste planeta, e muito mais que isso, somos responsáveis por tudo ao nosso redor. Recursos naturais são destruídos e consumidos sem uma responsabilidade pelo futuro. Da mesma forma, nas empresas, nas lojas, nas indústrias, nas ruas e mesmo nos relacionamentos que consideramos importantes, pessoas são tratadas de forma tão banal que é assustador pensarmos que chegamos onde estamos. Uma vez eu fiz esse mesmo discurso sobre a importância do que está ao nosso redor para um grande amigo meu, e dele eu ouvi: "japonês, é assim. O ser humano é assim. Como você acha que chegamos nesses milhares de anos de civilização?". Eu até aceito isso como verdade até os dias de hoje, mas é como produto disso que vamos querer viver? Cada vez mais "evoluindo" para uma raça de hipócritas individualistas? Dentro desse panorama é que eu ponho a minha obrigação junto à sociedade. Eu tinha que fazer algo a respeito dessa doença, mas tinha que fazer com o que sei que faço de melhor. De que adiantaria dar uma de John Lennon e ficar peladão protestando? Eu não sou um pacifista, tampouco uma figura marcante da sociedade, sou um analista de sistemas que tem acesso a um grande meio de divulgação e muita experiência nessa área. Hoje, é assim que eu faço a minha parte: informando. Amanhã, talvez as coisas mudem e eu possa ajudar de outra maneira. Hoje, é isso o que eu posso fazer de imediato, mas não é por isso que eu vou parar de tentar fazer mais. Pense nisso. Faça o que puder, mas faça! |
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