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A Questão Pessoal PDF Imprimir E-mail
Por hoshi.com.br   
17 de dezembro de 2004

Sites que dediquem seu conteúdo integral ou parcial a falar sobre doenças não são a grande maioria dos que encontramos enquanto navegamos. Naturalmente, doenças e mortes são assuntos poucos abordados pelas pessoas. Então, porque um site de um analista de sistemas cede seu espaço a falar sobre isso?

A razão é bem simples. Em julho de 1992, eu contraí o HCV durante uma série de cirúrgias a que tive que me submeter sob regime emergencial. O que era prá ser uma mera apendicectomia acabou se tornando um problema com o qual convivo até hoje. Na época, eu morava em Belém com meus pais. A comunidade científica pouco sabia sobre o HCV, seus efeitos, contágio e a doença em si.

Assim, apesar da grande atenção dispensava ao meu cuidado por um grande amigo da minha família que trabalhava no Hemopa, dando vital preocupação à questão do HIV, contraí o vírus em uma das transfusões a que fui submetido. Eu tinha 14 anos na época.

Recuperado das cirurgias, mudei-me o ano seguinte para Curitiba, junto com minha mãe e irmãs. Dois anos depois, minha mãe, médica com mais de 20 anos de profissão, resolveu me submeter a um exame de hepatite B por achar que eu estava apresentando um quadro de icterícia (amarelidão) muito acentuado. Dito e feito. Hoje sabemos que certos genótipos do HCV podem passar despercebidos como um falso vírus B. Mais tarde viemos a descobrir que as flutuações das transaminases já eram sinal de que a doença se manifestava em meu corpo e nada tinha a ver com a hepatite B.

Bom, efetivamente só vim a descobrir que estava com o vírus C pouco antes do meu casamento, quando houve uma campanha de doação de sangue na empresa onde trabalhava. Após submeter-me aos exames para doação, fui convidado a repetí-los pois havia acusado, novamente, quadro de hepatite. Na repetição, e dando maior atenção à possibilidade do possuir o HCV, foi que descobri que estava com a doença.

Estudos indicam que, no caso do genótipo do vírus que possuo, existe maior sucesso de eliminação os pacientes tratados com o Interferon Peguilado juntamente com a Ribavirina. Fato esse que só vim a descobrir 4 anos após detectar a doença, quando efetivamente iniciei o tratamento. Hoje, 17 de dezembro de 2004, estou no 4o mês de tratamento e aparentemente tem bons prognósticos de cura.

Gostaria de terminar falando três coisas. O primeiro é sobre as pessoas que criticam a saúde pública do Brasil sem nunca terem precisado dela. Não vou dizer que tudo funciona às mil maravilhas pois existem, sim, muitos problemas, mas se não fosse por ela, milhares de pessoas não teriam acesso a medicamentos e tratamentos, muitas vezes caríssimos, para resolver um problema simples: continuar vivendo.

Em segundo queria lembrar que é direito de todo cidadão ter sangue testado. Muito mais que direito, é obrigação. Seria muito melhor se todos tomassem atitudes preventivas, e não fossem atrás de reclamar somente quando precisassem. Lembrem-se que não se escolhe a hora das fatalidades acontecerem.

Por fim, àqueles que são portadores do HCV ou de qualquer outra doença contagiosa. Existem várias sociedades de apoio ao portador nas grandes cidades. Gente que se preocupa desde a divulgar formas de combate e prevenção, até mesmo a lutar frente aos órgãos responsáveis por melhores condições para quem quer continuar vivendo. Não desistam!

"Só se começa perder uma batalha quando não se acredita mais nela."

 
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