| Pesquisadores atestam cura da hepatite C em estágio inicial |
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Publicada em 21/05/2007 no Jornal O Globo.
RICHMOND, Estados Unidos - O uso de peginterferon, combinado ou não com a ribavirina, aponta para a cura da hepatite C, a principal causa de cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplantes. A conclusão é de um estudo apresentado na 38ª Semana Anual de Doenças Digestivas, em Washington, nos Estados Unidos. Quase todos - 99% - dos portadores de hepatite C que tiveram sucesso no tratamento com peginterferon sozinho ou combinado com a ribavirina não apresentaram carga viral detectável sete anos depois. Segundo os pesquisadores, os dados permitem o uso da palavra cura para este grupo de pacientes. "Estamos animados com esse resultado porque é raro no tratamento de doenças virais fatais poder dizer aos pacientes que eles podem ficar curados", disse Mitchell Shiffman, professor da Virginia Commonwealth University e um dos coordenadores da pesquisa. "No caso da hepatite C, nós podemos ajudar os paciente a atingir um resultado que efetivamente permite que eles deixem a doença para trás." Estudo acompanhou 997 pacientes Os resultados se baseiam num estudo de longo prazo para determinar se o vírus da hepatite C (HCV) reapareceram em pacientes que atingiram sucesso com o tratamento. Os pesquisadores acompanharam 997 pacientes, tanto infectados apenas pelo vírus da hepatite quanto portadores do HCV e HIV, que atingiram resposta virológica sustentada com interferon ou com interferon e ribavirina.
Depois do tratamento bem sucedido, os pesquisadores monitoraram os níveis sorológicos de HCV uma vez por ano por uma média de quatro anos - a faixa variou de 5 meses a sete anos. Dos 997 pacientes, 989 mantiveram níveis indetectáveis do vírus. Os oito pacientes restantes apresentaram resultados positivos para o vírus em média dois anos depois de completarem o tratamento. Os pesquisadores não apresentaram qualquer traço em comum que explicasse a recidiva. Eles não conseguiram verificar se eles foram infectados novamente pelo HCV. Segundo o médico Alexandre Cerqueira, cirurgião do Programa de Transplante de Fígado do Hospital Geral de Bonsucesso e da Clínica São Vicente, no Rio, o estudo é o primeiro a acompanhar os pacientes por tanto tempo: "Já sabíamos que os pacientes que tivessem a carga viral controlada após três a seis meses de tratamento teriam grande chance de zerá-la em um ano. Ainda não se sabia por quanto tempo a doença ficaria controlada. Segundo Cerqueira, nem todos os pacientes têm o mesmo êxito. Tudo depende do estágio da doença quando a terapia é iniciada. "Se for diagnosticada precocemente, podemos falar em até 70% de cura. Mas se o paciente já chegar com uma cirrose é muito difícil que responda ao tratamento - diz o médico, alertando que todas as pessoas que receberam transfusão sangüínea antes de 1992 procurem um serviço médico para realizar exames de detecção da hepatite C. - Até esse período, o sangue doado não era testado para a hepatite C, e os sintomas, em geral, só se manifestam de 20 a 30 anos após a infecção." Para o médico, o termo cura não é exagerado, apesar de não poder ser aplicado a todos os casos. "A hepatite C é curável em casos em que o diagnóstico é feito precocemente. Mas essa informação não é de domínio de todos os médicos. É importante que eles saibam disso e encaminhem os portadores do vírus para o tratamento adequado. Às vezes, perde-se tempo, quando se confunde a hepatite C com uma doença de sangue já que o nível de plaquetas cai muito - diz ele, que pesquisa os transplantes de fígado em sua tese de doutorado na UFRJ. Danos ao fígado exigem tratamento permanente Chefe do Serviço de Hepatologia da Santa Casa da Misericódia do Rio, Claudio de Figueiredo Mendes explica que mesmo pacientes que conseguem zerar sua carga viral precisam de acompanhamento permanente: "Alguns pacientes conseguem negativar a carga viral, porém, devido aos danos hepáticos sofridos por anos e anos, continuarão a exigir um acompanhamento permanente" |
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