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24/11/2008, ô zééééé »»

As vezes os quadrinhos mostram como a gente é trouxa. Principalmente quando a gente faz um papel como o do Zé.


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20/11/2008, Coisas do cotidiano do Québec »»

Três meses aqui já dá pra ter uma boa referência de como é viver por aqui. Não dá pra conhecer a fundo, mas já é tempo suficiente pra plantar e colher cogumelos.

Enfim, a Márcia já fez isso antes e agora me sobrou um tempo fazer eu também. Vou colocar algumas coisas curiosas que notei por aqui:

  • Fila de ônibus: Pode parecer estranho mas, não tem fila pra entrar no ônibus. Nada daquelas minhocas quilométricas que a gente tinha que enfrentar e quando chegava o coletivo todo mundo ia se empurrando pra entrar. Pelo contrário, além de não ter ordem, quando o ônibus chega todo mundo sem se matar. E dependendo do lugar até te dão a vez.
  • Fazendeiro != Matuto: Pois é. Tive a oportunidade de ir nesses mercados diretos do produtor antes de começar a esfriar pra valer. Parava nas barracas e ficava conversando com os próprios produtores sobre os produtos, os diferentes tipos de solo, a região, o país, a condição financeira dos produtores, os modelos novos dos carros, a história da colonização da Autrália, o período Meiji no Japão, a psiquê e os efeitos nocivos da exposição à violência, a história do império egípcio. Pois é. Logo cheguei à conclusão que o inverno deve ser muito, muito, muito frio e TV a cabo e Internet são a base da sobrevivência…
  • As línguas deveriam ter outros nomes: Sou partidário de que os idiomas deveriam ter suas denominações mudadas a partir do momento que evoluem. Por exemplo, no Brasil já não se fala português faz muito tempo. Tem gente que até me olha torto quando digo que falo brasileiro, mas é a pura realidade. Aqui é a mesma coisa. O que se fala no dia-a-dia aqui já foi francês e há muito tempo atrás. Filmes franceses da TV5 nunca foram problema pra mim, até o telejornal daqui eu entendia, mas o cotidiado é um troço totalmente diferente, principalmente se você ouve velhos ou adolescentes falando. É mais fácil fazer sudoku no escuro.
  • Faça você mesmo: Depois de se habituar ao jeito de ser daqui a gente aprende como nossa cultura no Brasil é colonialista e escravagista ainda. O sul do país nem tanto mas caras quem morou no norte/nordeste vai entender melhor isso. Taxista te leva de um lugar pra outro, nao te ajuda com mala nem nada. Caixa de mercado passa tuas compras, tu é quem tem que ensacar tudo. Frentista?! A cultura aqui é muito, muito voltada ao do-it-yourself. Por causa disso tem muitas opções de bricolagem, artesanato, pintura, tudo que vocês imaginar tem. Mas não espere que façam pra você. Trate de se mexer.
  • A torre de Babel é aqui: No Brasil a gente simplesmente fala português. Quem fala qualquer outro idioma, até mesmo a língua do P, é tido como diferente. Aqui é diferente. As pessoas mantém seu idioma materno vivo e isso se integra na vida cotidiana. Recebi um newsletter da minha empresa falando da nova empresa de contabilidade onde os funcionários tem descontos. O atendimento é feito em inglês, francês, espanhol, hindi, italiano, checko, filipino, grego, hebraico e até klingon se duvidar. E fica assim o dia inteiro. Você conversa com as pessoas em francês, te respondem em inglês. Você fala inglês, te respondem em francês e misturam qualquer outro idioma junto. Isso aqui em Québec. Dizem que Montréal e outras cidades isso é muito mais acentuado. E o mais interessante é que todo mundo vive tranquilo, sem se matar.
  • Carro não é artigo de luxo: São poucas as coisas que já vi por aqui que realmente são artigos de luxo. Se bem que eu ainda sonho em ter uma casa onde eu possa ter uma banheira de hidromassagem gigante onde eu possa ficar assistindo TV… Mas enfim, carro é barato e todo mundo realmente acaba tendo acesso a um. Também, veja só. Tem carro 0km vendido a juros zero e em 72x. E não é um carro, é um Toyota Corolla. Detalhe é que o valor do carro é proporcional a um carro popular no Brasil, só que pelado, sem nem motor se duvidar. E aqui o veículo só falta vir com heliponto e frigobar.
  • Impostos e legislação: O fato de ser diferente não basta pra explicar as coisas por aqui. Tem muita, muita, muita, muita informação sobre impostos por aqui. Você só conhece o pico do iceberg. Não bastasse os impostos federais aqui tem a independência provincial também, o que te põe à mercê da legislação local também. Com base no que eu já andei lendo dá pra reduzir muito o que se pagar. De fato, tem situações em que você até recebe a mais, mas pra isso tem que estudar. Depois de ver tudo isso descobri que a legislação do Brasil é só mau organizada, mas é simples. Aqui é MUITO intricada meeesmo. Contadores daqui ganharam meu respeito.
  • Aprenda a ter paciência: Se tem uma palavra que me dá medo essa palavra é “rendez-vous”. TUDO por aqui se faz na base do rendez-vous. Não espere ser atendido na hora na maioria dos locais onde vai, com exceção de lojas. Aliás, se duvidar deve ter até loja onde você tem que marcar rendez-vous pra ser atendido. Outro dia recebemos uma carta da Igreja onde o Matsuru vai fazer catequese convidando para um evento. Perdemos a data ou não iríamos poder ir, não lembro o que era, mas entramos em contato com a Igreja que nos pediu parar irmos lá. Chegando lá, adivinha só. O tal do encontro era única e simplesmente pra marcar um rendez-vous quando a gente ia conversar sobre a catequese.
  • Crise? Não em TI: É incrível. Em meio a todo esse papo de crise financeira TI continua sendo um campo de guerra. Tem muita vaga sendo aberta diariamente. E prá tudo, programador, analista de sistemas, Q&A specialist, admin de redes, suporte técnico, gerente de proejtos. Estava até lendo e uma lista outro dia de uns caras que são brasileiros, engenheiros, e que pensam em mudar pra TI por causa do aquecimento do mercado e da falta de necessidade de ter que ficar fazendo as provas da Ordem, mas isso é uma questão pessoal. Acho que as empresas recrutam esse monte de gente pra transformar em ração mesmo. Sabe qual o cúmulo do barato? Um programador chinês =)
  • TV aberta é difícil: Claro, depois da Internet, sem a qual a gente não sabe viver aqui, a próximo coisa a ter ido atrás foi uma televisão. Mas tinha comigo que não ia ter TV a cabo como no Brasil porque a programação local é mais que o suficiente pra eu assistir ao que passa. Bom, isso SERIA verdade se a TV pegasse direito. O aparelho é novo, ZERO, e só pega UM canal. Não adiantou nem meter uma antena externa que não tem jeito. A gente assiste só a Radio Canada e se dê por feliz com os chuviscos na imagem. Mas parando pra analisar preços compensa muito ter TV a cabo, mesmo com o pacote mais simples. São 25$ que você pagar por uma gama de uns 30 canais. Achou muito canal? Isso porque tem os pacotes de 300 canais! (alguém REALMENTE assiste isso!?)
  • Aprenda a se programar pra comer também: É preciso ser organizado aqui, sendo realmente obrigatório ter e USAR uma agenda e um relógio. Pontualidade e compromisso são essenciais. Quando você começa a trabalhar então é preciso extender isso pra comida. Todo mundo aqui leva a lancheirinha pro trabalho, normal mesmo. O mínimo que você tem que fazer é preparar o almoço no noite dia anterior. O melhor mesmo é você cozinhar com antecedência pra pelo menos uma semana e deixar congelado. Isso realmente salva MUITO tempo durante a semana e você evita de ficar podre acordado cozinhando um monte após um dia de trabalho e tanto.
  • Salários NÃO são mensais: Diferente de como a gente está acostumado, a grande maioria das pessoas não recebe salários mensais, mas anuais. BRINCADEIRA! Pelo contrário, é comum receber o salário quinzenalmente e até semanalmente. Minha opinião é que isso é pra estimular o consumo mesmo. Dessa maneira não se fica muito tempo sem dinheiro.
  • Dinheiro eletrônico:  Aqui é natural se usar cartão de crédito, mais do que débito. Diferente do Brasil a grande parte dos cartões pode ser controlado online. Você consulta o que gastou, quando e onde. É bom, mas ao mesmo tempo a facilidade de crédito deixa meio sem controle. Use um caderno de padeiro, um quadro branco, um PDA, qualquer software de gerenciamento de contas, até mesmo um chinês!, mas tenha cuidado com seus gastos.

É isso por enquanto. Tem mais coisas mas eu preciso trabalhar agora =)

Eu conto mais coisas à medida que for lembrando.


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24/10/2008, Québec e o mercado financeiro mundial »»
Tá perdido sobre o mercado também?

Tá perdido sobre o mercado também?

 

Semana passada alguém me enviou um e-mail perguntando sobre a atual situação financeira do Québec com relação aos efeitos causados por conta da crise financeira nos E.U. Bom, o e-mail rendeu frutos e ficou bem longo. Achei interessante copiá-lo aqui porque pode ser útil para outras pessoas.

Só lembrando, as coisas que escrevi aqui são resultado de pesquisas e leituras. Não sou especialista em economia nem nada afim, mas gosto do assunto e procuro ficar informado. Se alguém tiver informações/opiniões diferentes, respondam porque o assunto é interessante e bem diversificado.

Como está o mercado do Québec em relação aos problemas da crise financeira mundial?

Por aqui tudo anda tranquilo, até demais na verdade. O Québec sofreu sim com a c*gada dos E.-U., mas não teve grande impacto na sociedade. As três indústrias mais afetadas são a florestal, a aeroespacial e minérios (inclua nesse último a Vale do Rio Doce que entrou na hora errada por aqui). Fiquei sabendo recentemente também que o mercado petrolífero também entrou no grupo dos que apanharam bastante com isso, mas não tenho detalhes da situação. O principal aspecto que afetou as três primeiras indústrias é o fato de que o principal mercado era o estadosunidense. Contudo, mesmo com esse aspecto, o país luta para que os efeitos sejam salvaguardados pelo Governo a ponto de proteger as instituições bancárias. As pessoas esperam as conclusões das últimas eleições provinciais com otimismo. Pra te ser bem honesto não tenho acompanhado muito de perto esta parte (política), por isso não sei te dizer ao certo como está por aqui, mas só vejo o (Stephen) Harper sempre falando que tudo está indo bem (parece até o Lula falando do Brasil ser o paraíso e que nunca vai ser afetado por crise nenhuma).

Não dá pra te dizer ao certo o impacto dos preços nessa época do ano, principalmente porque no inverno boa parte dos alimentos fica mais caro. Por outro lado, o combustível tem baixado bastante ultimamente. Alguns amigos insistem em dizer que isso acontece todos os anos porque, como no inverno as pessoas usam mais carro o Governo tenta forçar a baixa dos preços no sentido de favorecer a população, mas eu discordo um pouco. Acredito que isso é reflexo do retorno do valor do barril de petróleo no mercado internacional para um valor próximo ao que era praticado antes da última alta desgovernada de preços. 

Mercado de trabalho ainda continua aquecido. Do nosso lado (IT) sempre tem vagas pra gente especializada. Por chegar próximo ao final do ano, comércio também tem contratado bastante. Todas as semanas eu vejo anúncios novos para trabalhos temporários, mas isso deve esfriar (metafórica e meteorologicamente falando) até depois do Natal, voltando a esquentar de novo (agora só to falando do Mercado, nada do clima) por Fevereiro.

E o mercado de trabalho?

Sobre emprego, tem bastante coisa mesmo. Programador então, é só dizer que você programa que tem emprego, sem exageros. Claro, francês é importante, importante mesmo. Em Montreal já ouvi dizer que atualmente nem é tão importante assim, basta você ter inglês suficiente para conversação que já consegue ser empregado. Isso muda quando você vai pra outras cidades, tipo Québec (onde estou eu e minha família). Claro, tudo isso é relativo. Por aqui isso é exigência porque 90% das empresas trabalham para o Governo provincial, o que implica em ter uma boa conversação e (dependendo da sua função) escrita e técnicas de negociação também. Mas isso pode ser relativo mesmo, vai depender da empresa onde você pretende trabalhar. Opinião pessoal: estude francês. Se você vier para uma cidade onde isso é fortemente exigido, você já está garantido. Senão, francês (e inglês) SEMPRE é um diferencial para a contratação.

A área de infra-estrutura também tem bastante coisa. Ao contrário do que acontece no Brasil, o governo prefere tecnologias proprietárias (Microsoft, Oracle, IBM, etc), enquanto que (algumas, não todas) empresas privadas se arriscam em tecnologias OpenSource (Linux e afins).

Se eu tivesse que te indicar algo, diria pra se especializar em tecnologias Microsoft, Oracle e Java, tanto para infra-estrutura quanto para desenvolvimento. Isso sempre tem vaga por aqui.

Se quiser ter uma idéia de salários, sugiro que você se cadastre no PayScale (http://www.payscale.com/) e monte seu perfil. As estimativas de lá são bem próximas da realidade, isso por experiência própria e com relatos de amigos que também trabalham na área.


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Para Refletir
"Cabe ao Grande Criador do universo perdoar os marginais por seus crimes. Cabe ao Grupo de Operações Especiais da Polícia organizar esse encontro!"