Calgary

Resolvemos passar as festas de final de ano junto a amigos nossos que conhecemos há muitos anos e que também fizeram o processo de imigração pro Québec mas acabaram indo morar em Calgary, Alberta.

A primeira dúvida começa no vôo. É inverno então, está frio e vai ter gelo. Como será que esse maldito avião se comporta pra decolar / aterrisar? Saindo do aeroporto de Québec já vimos que tem neve pra tudo quanto é lado, inclusive na pista, mas a vida continua, com aeronaves subindo e descendo sem se importar com a neve. Grande parte de tudo isso se deve ao anti-freezing espalhado por todo o equipamento que impede que o gelo se acumule e aumente ainda mais o peso transportado. Este, aliás, é um dos grandes custos da aviação comercial, junto com o combustível e as taxas de pouso e decolagem dos aeroportos.

Foi a primeira vez que passamos pelo Jean Trudeau, o aeroporto internacional de Montréal. Engraçado que, diferente do Pearson (Toronto) o Trudeau parece uma rodoviária, literalmente, e na época de final de ano, com gente viajando adoidado, a semelhança é ainda mais próxima. Some-se a tudo isso o fato de que os vôos atrasavam e tinha gente correndo pra chegar nos portões de embarque, então tá feita a festa. Mas, resumo da ópera, chegamos tranquilos em Calgary, com algumas horas de atraso mas ainda a tempo de tirar um bom cochilo.

É, um descanso merecido

É apenas nossa segunda experiência pelo Canadá inglês, mas dá pra notar que as coisas são bem diferentes que no Québec. Nosso primeiro contato foi em Ottawa, mas não conta muito porque fomos lá só ver tulipas e elas não são de falar muito. Bom, as diferenças começam pela língua: não se falar NADA de francês. Raramente vemos alguma placa, mas é mais fácil achar escritos em Mandarim devido a enorme população de chineses que moram na região, tão grande que chegaram a fundar um Chinatown. Mas o que mais chama a atenção mesmo são as casas. A arquitetura já é muuuuuito diferente do que estamos acostumados a ver, com casas novas, grandes mas com pouco espaço entre elas. Em alguns casos os intervalos são de poucos metros, o que é muito peculiar por conta da quantidade de espaço sobrando no país. Do alto de uma colina onde passamos dava pra ver bem o mar de casas que se forma. Quase não vimos “condos” por lá também.

Tudo isso é compreensível por Alberta ser uma das regiões mais caras do país e uma das mais ricas também. A economia é muito baseada na extração de betume e petróleo, além da pecuária local e claro, a área financeira. Muitos bancos e financeiras têm importantes escritórios em Calgary e Edmonton. Por outro lado, o Governo da província, preocupado com os efeitos causados pela crise principalmente na área de extração e processamento de delivados do petróleo, tem buscado diversificar esses mercados, incentivando várias empresas a investir em outros nichos, principalmente na área de tecnologia, mas ainda com cautelosa adesão. Um dos grandes incentivos da província é a isenção das taxas provinciais.

A cidade também conta com um bom sistema de transporte com trens e ônibus, mas o principal meio de transporte das pessoas ainda é o carro mesmo. Talvez tenha sido pela época do ano, mas notamos que as ruas eram bem tranqüilas e o tráfego era de muito fácil circulação. Também tem o fato de ser inverno e das ruas terem o risco de congelamento e tal, além da neve , claro, mas mesmo assim é bem parecido até mesmo com o que vemos em Québec.

O transporte local conta com trens, ônibus, carroças, cavalos e até pau de arara (joking!)

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Calgary tem quase o dobro do tamanho de Québec, próximo de 1 milhão de habitantes. O perfil das pessoas que moram lá também é diferente. O nível financeiro das pessoas é maior e consequentemente o custo também é mais alto. Frutas e verduras principalmente foi onde eu vi a maior diferença de valores. Por outro lado, a variedade e as opções de produtos é incomparavelmente maior e até em mercados “normais” é possível encontrar produtos indianos, chineses, japoneses, árabes e muito mais.

Em 1988 a cidade foi a primeira no Canadá a ser sede de uma Olimpíada de inverno. Entre outras coisas, construíram o Canadian Olympic Park (COP) e o Olympic Oval, este último parte da Universidade de Calgary e considerada a pista de gelo mais rápida do mundo. O lugar é realmente muito bacana e tivemos a oportunidade de ver gente ainda competindo para as eliminatórias das Olímpiadas de Vancouver que aconteceram este ano.

O centro da cidade lembra qualquer grande cidade da América do Norte, mas muito mais tranquila e organizada. Grandes arranha-céus, prédios modernos, lojas famosas do mundo inteiro como Gucci, Louis Vuitton e todas as outras conhecidas do país, como Canadian Tire, Value Village, Dolarama e outras.

A cidade é tão rica que a entrada das cadeias mais parecem hotéis

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Quem falou que os calgarianos possam ser frios tá mentindo. Até descuti negócios com esses senhores na rua

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Os nativo-americanos são super amigáveis, e não se importam de interagir com a gente

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Lembra aquela história que toda cidade tem uma igreja, uma delegacia e um coreto ? Pois bem, no Canadá além dessas tem que ter uma torre também

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No caso da torre de Calgary, são 160 metros de concreto

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2 thoughts on “Calgary

  1. Sandrinha says:

    Muito bacana este blog, especialmente sobre Calgary!!! Vou para lá em julho e agora tenho uma leve noção do lugar…
    bjinhos!
    Sandrinha

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