Please to meet you. Hope you guess my name.


01.05.2007

Não, nada tão apavorante assim aconteceu, apenas conhecemos o Shah. Pra variar não era exatamente como eu imaginava, mas é tão gente fina quanto pude notar pelo telefone. Uma pessoa super amigável, com um sotaque fácil de compreender. Uma das coisas mais curiosas que acontece por aqui é você descobrir de onde a pessoa é. Ele, por exemplo, imaginava que fosse indiano por conta do nome (Shahjehan), mas acabei descobrindo que ele é do Paquistão, e com isso vieram novas dúvidas. Conhecer pessoas tem essa grande vantagem, você sempre tem coisas novas pra perguntar e geralmente são muito diferentes do que já está acostumado. No caso dele, descobri que falam a mesma índia que o norte da Índia, mas escrevem as coisas de maneira diferente. Poderiamos dizer que, caso ele estivesse na Índia, seria um analfabeto funcional, mas não é o caso. O cara morou vários anos em Toronto e Boston, acabando conseguindo a nacionalidade Canadense. Pessoa super simpática mesmo, sem contar que tem uma paciência de Jó. Aliás, preciso tirar uma foto dele pra colocar aqui.

Sobre o resto do dia, bom, foram os ossos do ofício. Ainda estava sofrendo as conseqüências de ter comida no Popeye’s. Definitivamente, não comam lá. A comida é excelente pra quem quer morrer do coração depois de andar uma ou duas quadras: frango frito em gordura pura com molho hiper-apimentado. Dá pra imaginar algo pior? Desesperador. Este foi um dia de comer salada, nada que pudesse me matar, apenas o bom e velho pasto verde com torradinhas e chá, claro.

Ah sim. Esqueci de dizer. Ontem conhecemos a “chefe” do Espiga por aqui. Seu nome é Kunj Ganji, é, como o cara que você já ouviu falar que lutou pela Índia. Não, eles não são parentes. Ganji é algo como “Silva” por lá. Sobre ela, uma moça super simpática. Está terminando sua segunda faculdade. A primeira foi em Ciência da Computação (claro), e agora é um MBA. A mulher é foda. Bom, eu também seria se tivesse a vida pra estudar e condições pra isso. Mas é também muito gente boa. Tem um sotaque inglês pesadíssimo mas bem compreensível, pelo menos pra mim. Ultimamente é quem tem nos ajudados em se virar nesse lugar, não nos deixando esquecer dos recibos dos restaurantes, tickets de metro e coisas do gênero. E por sinal, a mulher não tem nada das indianas que a gente ouve falar. Bebe, fala palavrão e é ultra descolada. Nos levou num bar nesse mesmo dia, um típico bar americano, com mesa de sinuca e tal. Muito bacana. Mas, como temos que trabalhar no dia seguinte, caimos fora cedo e voltamos andando mesmo, porque Jersey… é um ovo =)

Como será o Steve?


30.04.2007

Acho que todo mundo que trabalhou com um americano alguma vez já teve um amigo que se chama Steve ou Jack. Deve ser o equivalente a Paulo ou José por aqui. Você encontra esses caras em tudo quanto é o lugar. No meu caso não foi diferente. Fui contratado para trabalhar com um Steve, em um projeto onde ele é o cara que sabe tudo e seria nosso tutor. Até hoje o cara era apenas uma imagem na minha cabeça e uma voz no telefone. Hoje, porém, chegou a vez de encontrar o cara.

Ele havia combinado conosco de nos encontrarmos com ele às 9h15 AM +/-. Estava perfeito demais. Era só acordar, tomar banho, fazer a barba, comer alguma coisa e irmos pro HSBC. Vou sendo logo direto. Esqueci de trazer lâmina e creme de barbear, bem como gel fixador (sim, eu tenho que usar isso senão fico com o cabelo arrepiado igual mangá), desodorante, pasta e escova de dentes. Perfeito. O esquecimento do kit de higiene pessoal fez nascer o Sr. Fedesbundo. Usando um pouco de criatividade e ficando no ar condicionado tentei dar um jeito para que minha situação não piorasse mais. Você deve estar se perguntando: “por que diabos você não comprou essas coisas em alguma lojinha por perto?” Porque não tinha lojinha alguma! Eu falei, isso aqui era uma cidade fantasma e a gente mal e porcamente achou um lugar aberto pra comer!

Pra ajudar um pouco mais, não tem café da manhã no hotel. É cada um por si e vamos nessa. Por sorte tem uma nano-lojinha de conveniência à disposição dos hóspedes por um precinho “Brimo”. Após um suco de maçã e uma pêra pegamos a estrada até o prédio do HSBC. Como já havíamos andando por lá e descoberto onde era no dia anterior, fomos confiantes que tudo estava certo e nada daria errado. Claro.

Chegando ao prédio entramos e nos identificamos na portaria. Só precisamos mostrar nossos crachás e nos deixaram entrar. Queriam saber se sabíamos o andar pra onde iríamos. Esse foi um problema. Até onde a gente lembrava era no 11o, entamos fomos prá lá. Adivinha? Não era. Voltamos à portaria e perguntamos se tinha como achar o homem. Obviamente não acharam ninguém, aliás, porteiro nunca sabe de nada quando você precisa, mas conhece a vida de todo mundo. Resolvemos então arriscar e fomos no 9o andar. Vou dizer: se fosse a mega-sena a gente tinha ganhado o prêmio sozinho. Lá estava aquele cara de 2m de altura, barbudo e com cara de papai noel antes da terceira-idade esperando pela gente. Ultra-simpático, nos levou para passear no andar todo mostrando quem era quem e nos apresentando a todos. Claro que com a minha memória de urso com sono eu não lembro o nome de ninguém, mas é pra isso que existe crachá, não é?

Ah sim. Nesse meio tempo o Espiga chegou, com aquela cara de sono que só uma viagem de 12 horas do Brasil até New York sem dormir e indo direto pro trabalho pode fazer por você. O cara já chegou contando desgraça. Disse que estava no aeroporto, esperou o motorista da carona por quase meia hora e nada dele. Resolveu comprar um cartão de ligação internacional e ligou pra empresa perguntando o telefone da companhia que iria buscá-lo. Ligou na companhia e disse que só não foi mais mal-tratado porque não tinha mais condições de entender o que o cidadão do outro lado falava, naquele pseudo-dialeto indo-americano do outro lado do telefone. E que, pra finalizar, ainda o mandou estudar inglês (!). Coisas da vida. Sem ter o que fazer o cara pegou um taxi (uma breve fortuna, comentemos) e foi pro hotel. Sorte dele que o apartamento estava liberado assim que ele chegou, senão esse merecia o prêmio pé-frio do ano.

Voltando ao trabalho, não fizemos nada de mais. Fomos tentar arrumar nossas máquinas para que funcionassem, organizando trabalhos, fazendo apresentações e coisa e tal. O habitual fumar do cachimbo da paz. Terminado o árduo (oi?) dia de trabalho, resolvemos fazer aquilo que deveríamos ter feito antes: compras. Como era dia de semana obviamente havia um mercado aberto, o que nos facilitou a vida e muito. Pegamos nossas cestinhas e, no melhor estilo “turista que nunca viu supermercado” fomos andando de corredor em corredor catando as porcarias mais padrão do mundo: suco de frutas de 1/2 galão, cookies, waffles, manteiga, frutas, doces, salgadinhos, sucrilhos e o resto dessas porcarias cheias de açúcar que fazem qualquer criança feliz. Claro, não esqueci de levar o kit “não quero ficar fedendo de novo”.

Após jogar as compras no apartamento no Espiga (bem mais próximo do Shopping que o nosso), fomos ao Newport Mall pra jantar. Como já estava quase fechando, não tivemos muitas opções. Eu queria comer uma comida japonesa, mas meus planos foram frustrados porque o dono do restaurante resolver fechar mais cedo. Fui então na escolha do Espiga e do Marcelo: Popeye’s. Em três palavras, vou resumir minha experiência culinária: NÃO COMA LÁ. Nós três estamos com péssimas recordações desse lugar. Se quiser arriscar sua saúde pode ir, mas depois não diga que eu não avisei.

hsbc jersey
Pra questão de localização, o prego vermelho é o HSBC, a caminha logo abaixo é onde o Espiga está e outra caminha é o condomínio onde eu estou morando.

Enfim: EUA


Ainda 29.04.2007

Após uma viagem tumultuada, chegou a grandiosa hora de desembacar, passar pela alfândega, pegar as malas e ir de limosine para o hotel onde vou poder dormir de verdade e só acordar na hora de comer. Ah sim, não tinha falado da limosine? Pois é. Segundo contaram na GLT, haveria uma limosine nos esperando no aeroporto. Essa eu precisava ver.

Tá, vou logo pra parte verdadeira. 6h30 da manhã. Saímos do avião e fomos pra alfândega. Após esperar 1 hora na fila, fomos literalmente os últimos a serem atendidos porque nos enrolamos para preencher os papéis da imigração. Portanto, DICA! Quando for para os Estados Unidos, preencha a ficha o mais breve que puder, desembarque rápido e vá na frente!(mas, por favor, sem violência nem empurra-empurra. Isso é o fim da picada).

Voltando, o oficial da imigração fez as perguntas padrão: o que faz aqui, porque veio, vai fazer o que, etc. Fui saindo porque até as esteiras já tinham parado de girar. O Marcelo ficou pra tras porque uma oficial da imigração pediu para que ele ajudasse um cara que não falava inglês. Isso, aliás, merece um comentário. Segundo meu colega, ele tinha certeza que o cara era ilegal entrando no país. Veio com a desculpa padrão de vir fazer curso de inglês, não falava LHUFAS do idioma e tremia mais que aquela sua tia avó. E o pior de tudo: o cara passou. ehehehhe. E viva a democracia.

Enfim, após passar por essa situação, saímos para encontrar a tão falada limosine. Nunca havia feito isso na minha vida, tinha que ter essa emoção. Pois bem, como já dá pra imaginar, não era bem o que eu esperava. O cara que foi nos esperar estava com uma placa com o nome do Marcelo. Na verdade uma folha de papel amassado, com o nome do cara escrito com caneta BIC. Deu pra sentir o drama, né? Além disso, ele era tão americano quanto os tênis que você compra hoje em dia. Um sotaque pesado e uma cara de sono que só podia ter alguém que acordou as 5 da manhã pra pegar dois brasileiros no aeroporto que saíram 1 hora atrasados. A limosine era, na melhor concepção possível, um carro grande e muito velho. Um dia, talvez no dia em que foi construído, ele tenha sido um carro de luxo, mas não mais hoje. Na viagem para Jersey eu conheci porque os motoristas de New York são conhecidos. Numa via expressa com limite de 50 milhas / h ele andava a pelo menos 90, isso sem contar a habilidade de cortar na frente dos outros (businadas revoltadas acompanham, claro) e fazer curvas em alta velocidade. Primeira impressão fantástica!

Finalmente, chegamos no hotel. Tá, nem demorou tanto assim com o cara correndo como estava. Como minha reserva havia sido confirmada apenas para o dia em que chegamos, só poderia fazer o check-in às 3 PM, mas felizmente a suíte do Marcelo já estava liberada desde o dia anterior. Pelo menos é o que a gente achava. Segundo a recepcionista do hotel teríamos que esperar até o quarto ser limpo e isso só aconteceria após as 9h, quando chegaríam as camareiras. Sem muita opção, fomos passear. Dois caipiras na cidade grande. Deixamos as malas no hotel e fomos procurar um lugar onde comer.

Primeiras impressões: a cidade parece um lugar fantasma. Lembram daquela cena de Resident Evil 2, quando a Lila levanta do hospital, os carros estão parados nas ruas, tudo parece que foi abandonado lá e não ter um ser vivo na cidade? Foi o que vimos. Não tinha NINGUÉM NA RUA. Tudo bem que era domingo de manhã, mas NINGUÉM era algo que eu não esperava de New Jersey. Andamos por mais de 1 horas e nada, até encontrarmos a polícia, que nos mandou prestar atenção no semáforo e não andar quando ele estiver vermelho para os pedestres… Primeiro fiasco, claro.

Pensamos em ir até Manhattan de trem, mas os caipiras de novo não sabiam nem que trem tomar, muito menos como comprar um ticket, o que nos obrigou a voltar ao hotel. Era quase 11h da manhã, já havíamos encontrado pessoas andando na rua no que deveria ser o dia “vamos andar seus gordos sedentários”, promovido por alguma organização que não aguentava mais falar das pessoas gordas, o que nos fez crer que estávamos nos Estados Unidos mesmo e que a fama de cidade fantasma era realmente por conta da hora que havíamos chegado.

Sacanagens a parte, a cidade é muito bonita. Pelo menos as quadras por onde andamos. Tudo muito limpo, organizado, largo. Como diria o Homer Simpson, parece tudo muito caro. Como é início de primavera encontramos muitas árvores floridas e até tulipas no canteiro! Isso foi emocionante, mesmo.

Mas bem, voltando ao hotel. Adivinhem só? Não estava pronto. Tivemos que sair novamente para esperar. Aquilo já estava enchendo a paciência e da próxima vez alguém iria ter sérios problemas. Mas, fomos almoçar. Onde comer numa cidade onde tudo estava fechado? A resposta é: shopping. Claro que tem shopping! Já haviámos visto em 1 milhão de simulações no Google Maps que havia um shopping logo atrás do prédio do HSBC. E, após andar e se perder um pouco, achamos o tal do Shopping. Realmente, bunitinho, bem organizado, igual o resto da cidade. Primeira impressão: EU QUERO UM WII! $240.00, não tem como resistir mas, consegui me conter. Por hora. Vamos pra praça de alimentação. Claro que deve ter milhões de opções pra comer. Bastava escolher. E o mané aqui não fugiu à regra do turista de primeira viagem. Foi logo onde? Taco Bell. Reação alimentícia: imediata. Depois de alguma coisa que não lembro o nome fiquei arrotando tacos o resto do dia. O Marcelo curtiu um Burger King e quase não terminou de tão grande era o bicho.

Ah sim. Esqueci de um comentário interessante. Falo inglês e me viro bem, mas a prática é uma coisa completamente diferente. Por exemplo. Até hoje devo estar tentando entender o que o atendente do Taco Bell estava tentando me dizer. Aliás, ele não falou, ele cuspiu 5 palavras que sei lá o que eram. Portanto: quando tiverem oportunidade, viagem ao país cuja língua estão aprendendo. Vocês vão se descobrir como recém-formados no mercado de trabalho, só conhecem a teoria.

Bom, passeamos um pouco no shopping e voltamos decididos a conseguir aquele quarto, nem que pra isso tivéssemos que quebrar tudo. Mas não foi preciso. Tanto o quarto do Marcelo quanto o meu já haviam sido liberados, para a sorte do hotel (e da gente, que não aguentava mais andar com aqueles sapatos duros). Os quarto, uma outra hora eu conto como eram, mas posso adiantar que eram muito mais do que eu esperava (e prá melhor!).

De resto, eu só precisava dormir um pouco. Já estava podre e não aguentava mais. Olá cama, lá vou eu.

Uma viagem do BIP



29.04.2007

Após passar por tudo aquilo no aeroporto, agora chegou o merecido descanso no avião da Delta Airlines até o aeroporto JFK em New York. 9 horas, saindo de noite, cansado. Parecia que tudo perfeito, mas não foi exatamente assim.

Essa história de sentar junto realmente parece muito gay, mas não é. Você lembra das viagens que fez em que sentou ao lado de uma mulher gorda que ocupava seu espaço da poltrona ou de um cara que parecia não tomar banho faz duas semanas ou ainda a mistura dos dois?! Pois é por esta razão que buscamos sentar juntos. Como dizem por aí, é melhor pegar um demônio conhecido. À princípio tínhamos conseguido o lugar perfeito: próximo a uma televisão, poltronas confortáveis e espaçosas e bem arejado. Bem, não foi bem assim. No final conseguimos um lugar gelado, ao lado da turbina do avião, ao lado do banheiro, ultra-gelado e logo abaixo do alto-falante que avisa quando as aeromoças são chamadas. Não poderia ter sido pior. Sim, poderia. Esqueci da filha da mulher que viajava algumas cadeiras atrás que chorou a viagem inteiro e não deixou ninguém (nem o Supla) dormir sossegado.

O frio foi uma coisa a parte. Se não fosse pela brilhante idéia da minha esposa de fazer um mega sobre-tudo com lã de bisão ela teria ganho um velório de um picolé. Acho que pegamos as companhias aéreas bem na época de economia. É como aconteceu com o papel higiênico; no princípio reduziram o comprimento, depois os picotes ficaram são espaçados que parecia fichário de caderno e por fim descobriram como diminuir mais ainda a espessura do papel, de tal maneira que agora dá pra ver do outro lado. Foi o mesmo com as companhias aéreas. Acreditem se quiser, o papel higiênico do banheiro acabou durante a viagem, entregaram um cobertor que parecia lençol das Casas China (e tão fino quanto o papel higiênico de hoje em dia), o travesseiro era igual pastel de rodoviária (você apertava ele sumia) e por fim os fones de ouvido que se desmontaram quando eu fui tentar ligados igual acontecia com aqueles bonecos antigos do Falcon que você guardou por 20 anos e um dia quando foi abrir ele desmontou porque o plástico ressecou.

Ao menos tivemos comissárias super legais na viagem, o que contradisse o que algumas amigas haviam falado sobre a companhia, onde as mulheres eram tão mal humoradas que pareciam que iam bater em você. Além disso, a comida estava boa, muito boa mesmo, mas eu sou suspeito de falar porque acho comida de hospital gostosa também. O filme foi legal, um tal de Freedom Writers, que recomendo a quem ainda não viu. Mais um daqueles filmes americanos onde a professora salva a turma que era considerada revoltada e sem futuro numa escola sem grandes previsões de sucesso. Pelo que contam a história é real, mas, vai saber.

Ah! Outra coisa que não tinha visto em avião (não me critiquem, faziam mais de 10 anos que não fazia uma viagem mais comprida que Curitiba-São Paulo-Curitiba) são aquelas televisões onde mostra o avião em relação ao mundo, inclusive onde você está, distância percorrida, velocidade média e tempo decorrido. Muito bacana e diminui aquela sensação que você tem de “pelo amor de Deus, me tira desse troço de metal senão vou acabar com a mulher gorda atrás de mim”.

E, pasmem: o voo chegou na hora no JFK. Agora basta passar na imigração e tudo vai dar certo.

A saída de Curitiba e a saída de São Paulo


28.04.2007

Chegamos cedo no aeroporto. Aliás, cedo demais. O voo para São Paulo era pra sair às 13h00 e, desesperado como sou, resolvi sair mais cedo. Resultado: Chegamos lá era 11h da manhã. O Check-in para o bendito não havia nem sido aberto. Bom, como eu esperava o Pazzinatto chegar, resolvi ficar sentado com minha mulher e filho. (Óbvio que ficar sentado com o Matsuru é lenda).

Alguns minutos sentados e o Marcelo chega, com mulher e sogros. Como não tinha nada o que fazer, disse que ficava cuidando das bagagens dele enquanto iam passear. Saímos de lá exatamente no horário, por incrível que pareça e descemos dentro do previsto.

Em São Paulo tudo nos conformes. Desembarcamos e iniciamos nossa jornada de espera de 8 horas até a hora do voo. Fomos então dar uma volta. Era hora do almoço e nenhum de nós havia comido algo descente, apenas o lanchinho da Tam (que aliás é muita comida para os 45 minutos de voo entre Curitiba e São Paulo). Foi então que tivemos a brilhante idéia de comprar uma lembrancinha do Brasil para nossos amigos nos Estados Unidos.

Que idéia idiota…

Como era uma conexão tivemos que ficar andando com nossas malas pelo aeroporto, andando de loja em loja. Isso foi ultra-cansativo. Acabamos descobrindo que somos mais enrolados pra dar presentes que mulher na frente do guarda-roupas quando vai sair. Depois de andar por quase 3 horas, resolvemos comprar alguns presentinhos, nada que identificasse Bahia ou Carnaval, mas com temas bem brasileiros, como uma caneca de Tucano e aqueles enfeites de mesa de Quartzo.

Paramos pra comer no Baked Potato e, o Marcelo foi engano pela técnica do Marketing descarado, onde tiram uma foto da comida, metem photoshop até não mais poder e transformam-na numa coisa deliciosa. Desta vez meu companheiro caiu no conto do Bacon Bronzeado, que na foto de 2 metros de altura parecia realmente apetitoso, mas que na verdade veio como um resto de carvão queimado. Realmente deprimente.

Cansados de tanto carregar as malas fomos buscar o check-in da companhia. Ainda não havia sido aberto mas já tinha uma breve fila de umas 20 pessoas. Esperando os 20 minutos que faltavam pra começar, ficamos por lá mesmo e nesse meio tempo só vimos a fila realmente crescer.

Detalhe muito importante: enquanto estávamos nos dirigindo para o check-in da Delta, notamos a fila do embarque internacional realmente comprida, mas achamos “não, não pode ser a mesma prá nós”. Bom, isso muda depois.

Ainda na fila do check-in da Delta, fomos abordados por vendedores de aeroporto, acho que uma nova variante dos ambulantes de rua que antes eram vendedoras da Avon, depois viraram vendedores de ônibus e então vendedores da Amway (?). O cara estava andando no aeroporto, vendendo chaveiros na forma do mapa do Brasil. 3 por 5.00. O Marcelo conseguiu reverter a situação e acabou fazendo 5 por 10 e levamos alguns brindes a mais pra viagem.

Voltando à história do check-in. Deu pra perceber que Estados Unidos era algo meio bizarro desde lá. Na fila padrão havia uma etapa que resolvi chamar de “pré-vistoria de terroristas”. Eles basicamente paravam as pessoas, pediam o passaporte e faziam o mesmo papel da imigração, perguntando que diabos você vai fazer por lá, o que você quer deles e se tinha algo bizarro dentro da sua bagagem de mão, tal como sabonete, pasta de dente, shampoo, TNT, nitroglicerina, kriptonita ou algo do gênero. Só após isso conseguimos ir para o check-in propriamente dito. Como sabíamos que a viagem seria meio longa, resolvemos combinar de sentarmos próximos. Por sorte fomos atendidos em guichês um ao lado do outro e conseguimos combinar de encontrar lugares próximos. Nosso único azar: ficaríamos na saída de emergência e seríamos acionados pelos comissários para verificar se tínhamos condição de atender às exigências deles caso acontecesse algum desastre. Era como se eu tivesse sido escalado pra seleção de futebol como reserva do gandula. Quase me senti importante. Mas essa história ainda teria conseqüências desastrosas.

E haja fila

Acho que não fiquei contando o número de filas até aqui, certo? Bom, sejam espertos e façam isso. Após a fila do check-in da Delta, foi a hora do check-in da imigração. Lembram daquela fila que falou antes, comprida igual jibóia? Pois é. Chegou nossa vez de entrar nela. Eram 19h00 e o voo sairia apenas as 21h30, mas já nos mandaram pra lá porque disseram que ia demorar. E demorou. Após quase uma hora de fila passamos para uma SEGUNDA fila dentro dessa. Dá pra crer? Era como se houvessem solitárias dentro de solitárias. Desta vez era a hora do Raio-X. Mais alguma meia hora esperando e pronto, finalmente foi a hora de ir pra sala de espera. Ao passar pela super vistoria da polícia federal (que fazia os estrangeiros falarem português mesmo que só soubesse dizer “samba” e “futebol”) estava o Duty Free. As luzes e as cores daquele lugar, somados às curvas das modelos que andavam por lá já nos davam a impressão de que não estávamos mais no Brasil, nem mesmo no mundo real, mas em algum lugar que eu descreveria como prévia de filme pornô, onde tudo parecia extremamente falso e muito excitante mas que na verdade eram as mesmas coisas que você veria na viagem toda: perfumes, eletrônicos e outras tralhas que te fazem consumir, consumir, consumir.

Já na sala de espera, ficamos esperando enquanto o Marcelo tentava desesperadamente acessar a rede Wi-Fi anunciada em todo buraco onde você andava. Depois de muitas e muitas tentativas ele conseguiu acessar a rede, sendo que era automaticamente transferido para a página da Oi Internet, que te oferecia as inúmeras vantagens de ser associado Oi, inclusive o fato de ter acesso à rede deles sem fio. Que ótimo! Imagine só eu assinar internet via wireless e não tê-la? Ia ser super interessante, sem contar que infame e estúpido, mas tudo bem. Como nenhum de nós era tão deseperado assim pra acessar a Internet, deixamos prá lá e resolvemos esperar chegar no hotel pra tentar buscar isso.

Pouco antes do embarque encontramos quem?! O PAPITO! SIM! O SUPLA TAVA LÁ! Aproveitamos a parada e tiramos uma foto com ele, comendo mesmo! E sabe o que, o cara é muito gente boa. Depois encontramos com ele no voo, sentando na classe econômica. É, econômica. Esse lance de não ceder aos interesses da indústria fonográfica faz isso com você, mas o cara continua com personalidade. Viajando sozinho, com a guitarra e só. ehehhehe. Uma outra hora eu ponho a foto dele aqui.

Enfim, tava na hora de embarcar. Agora era só sentar e descansar…

Indo para NY

Começo aqui uma fase de vários capítulos que vão relatar minha viagem para New Jersey pela GLT. Será uma viagem de 1 mês pela Big Apple. Desculpem por escrever em português mas é a maneira mais rápida que entrou pra relatar a história toda.

À minha querida esposa e ao meu filho, fiquem com Deus e vou estar sempre pensando em vocês.


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