30.04.2007
Acho que todo mundo que trabalhou com um americano alguma vez já teve um amigo que se chama Steve ou Jack. Deve ser o equivalente a Paulo ou José por aqui. Você encontra esses caras em tudo quanto é o lugar. No meu caso não foi diferente. Fui contratado para trabalhar com um Steve, em um projeto onde ele é o cara que sabe tudo e seria nosso tutor. Até hoje o cara era apenas uma imagem na minha cabeça e uma voz no telefone. Hoje, porém, chegou a vez de encontrar o cara.
Ele havia combinado conosco de nos encontrarmos com ele às 9h15 AM +/-. Estava perfeito demais. Era só acordar, tomar banho, fazer a barba, comer alguma coisa e irmos pro HSBC. Vou sendo logo direto. Esqueci de trazer lâmina e creme de barbear, bem como gel fixador (sim, eu tenho que usar isso senão fico com o cabelo arrepiado igual mangá), desodorante, pasta e escova de dentes. Perfeito. O esquecimento do kit de higiene pessoal fez nascer o Sr. Fedesbundo. Usando um pouco de criatividade e ficando no ar condicionado tentei dar um jeito para que minha situação não piorasse mais. Você deve estar se perguntando: “por que diabos você não comprou essas coisas em alguma lojinha por perto?” Porque não tinha lojinha alguma! Eu falei, isso aqui era uma cidade fantasma e a gente mal e porcamente achou um lugar aberto pra comer!
Pra ajudar um pouco mais, não tem café da manhã no hotel. É cada um por si e vamos nessa. Por sorte tem uma nano-lojinha de conveniência à disposição dos hóspedes por um precinho “Brimo”. Após um suco de maçã e uma pêra pegamos a estrada até o prédio do HSBC. Como já havíamos andando por lá e descoberto onde era no dia anterior, fomos confiantes que tudo estava certo e nada daria errado. Claro.
Chegando ao prédio entramos e nos identificamos na portaria. Só precisamos mostrar nossos crachás e nos deixaram entrar. Queriam saber se sabíamos o andar pra onde iríamos. Esse foi um problema. Até onde a gente lembrava era no 11o, entamos fomos prá lá. Adivinha? Não era. Voltamos à portaria e perguntamos se tinha como achar o homem. Obviamente não acharam ninguém, aliás, porteiro nunca sabe de nada quando você precisa, mas conhece a vida de todo mundo. Resolvemos então arriscar e fomos no 9o andar. Vou dizer: se fosse a mega-sena a gente tinha ganhado o prêmio sozinho. Lá estava aquele cara de 2m de altura, barbudo e com cara de papai noel antes da terceira-idade esperando pela gente. Ultra-simpático, nos levou para passear no andar todo mostrando quem era quem e nos apresentando a todos. Claro que com a minha memória de urso com sono eu não lembro o nome de ninguém, mas é pra isso que existe crachá, não é?
Ah sim. Nesse meio tempo o Espiga chegou, com aquela cara de sono que só uma viagem de 12 horas do Brasil até New York sem dormir e indo direto pro trabalho pode fazer por você. O cara já chegou contando desgraça. Disse que estava no aeroporto, esperou o motorista da carona por quase meia hora e nada dele. Resolveu comprar um cartão de ligação internacional e ligou pra empresa perguntando o telefone da companhia que iria buscá-lo. Ligou na companhia e disse que só não foi mais mal-tratado porque não tinha mais condições de entender o que o cidadão do outro lado falava, naquele pseudo-dialeto indo-americano do outro lado do telefone. E que, pra finalizar, ainda o mandou estudar inglês (!). Coisas da vida. Sem ter o que fazer o cara pegou um taxi (uma breve fortuna, comentemos) e foi pro hotel. Sorte dele que o apartamento estava liberado assim que ele chegou, senão esse merecia o prêmio pé-frio do ano.
Voltando ao trabalho, não fizemos nada de mais. Fomos tentar arrumar nossas máquinas para que funcionassem, organizando trabalhos, fazendo apresentações e coisa e tal. O habitual fumar do cachimbo da paz. Terminado o árduo (oi?) dia de trabalho, resolvemos fazer aquilo que deveríamos ter feito antes: compras. Como era dia de semana obviamente havia um mercado aberto, o que nos facilitou a vida e muito. Pegamos nossas cestinhas e, no melhor estilo “turista que nunca viu supermercado” fomos andando de corredor em corredor catando as porcarias mais padrão do mundo: suco de frutas de 1/2 galão, cookies, waffles, manteiga, frutas, doces, salgadinhos, sucrilhos e o resto dessas porcarias cheias de açúcar que fazem qualquer criança feliz. Claro, não esqueci de levar o kit “não quero ficar fedendo de novo”.
Após jogar as compras no apartamento no Espiga (bem mais próximo do Shopping que o nosso), fomos ao Newport Mall pra jantar. Como já estava quase fechando, não tivemos muitas opções. Eu queria comer uma comida japonesa, mas meus planos foram frustrados porque o dono do restaurante resolver fechar mais cedo. Fui então na escolha do Espiga e do Marcelo: Popeye’s. Em três palavras, vou resumir minha experiência culinária: NÃO COMA LÁ. Nós três estamos com péssimas recordações desse lugar. Se quiser arriscar sua saúde pode ir, mas depois não diga que eu não avisei.
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Pra questão de localização, o prego vermelho é o HSBC, a caminha logo abaixo é onde o Espiga está e outra caminha é o condomínio onde eu estou morando.
