Japão – Parte II

In: Viagens

11 mar 2010

Seguindo minha teoria de ficar acordado o maior tempo possível durante a viagem, tive uma noite de sono como eu não tinha a meses e ainda consegui acordar cedo (antes das 8 da manhã).

Como de costume, minha tia, a única mulher da casa, já estava acordada fazendo o café da manhã de todo mundo. No Japão as pessoas tem o costume de ter um café da manhã realmente bem reforçado, e quando eu digo reforçado é comida mesmo. Com a adoção do ritmo de vida cada vez mais insano impulsionado pela necessidade de crescimento econômico e financeiro, isso tem mudado bastante nos últimos 20 anos. Muitas pessoas já consideram o breakfast americano como modelo de café da manhã, com ovos, pão, café e afins. Mas ainda tem muita gente que segue o clássico modelo japonês, o Asa Gohan, ou refeição da manhã: arroz (gohan [arroz branco]), sopa de miso, tsukemono (conservas), peixe assado ou qualquer outro acompanhamento.

O café da manhã é quase isso aí

O café da manhã é quase isso aí

A crise financeira já está presente no país há muitos anos e cada vez mais o desemprego e a competição acirrada por trabalho tem se tornado uma constante entre os japoneses. Na casa do meu tio não é diferente. Dos 4 homens da casa, 3 estão trabalhando, dentre os 3 meu tio e o filho mais velho dele. Meu tio herdou a construtora de casas do meu avô, um negócio familiar que chegou a ter bons tempos. Mas hoje, por conta do surgimento das grandes construtoras e da competição, tem ficado cada vez mais difícil continuar sobrevivendo com ela. Hoje trabalham juntos apenas os dois na empresa e, mesmo assim, neste dia meu tio havia ficado em casa porque não tinha trabalho para os dois. Ele levou tudo na esportiva e saímos para passear pelo bairro, dar um volta com o cachorro e botar o papo em dia. Prá mim foi ainda mais interessante porque tive a oportunidade de conhecer mais sobre o dia-a-dia no Japão, coisas simples como carteira de motorista, serviços de água, luz, gás, telefone, internet e coisas do gênero, além de saber mais sobre o que aconteceu nesses últimos 15 anos que eu não passava por lá.

Fomo dar uma volta com o cachorro de casa, o Subaru. Foi engraçado ver quanto algumas coisas tinham mudado e outras eram exatamente as mesmas. Na frente da casa do meu avô, por exemplo, antes tinha um condomínio. Agora estava tudo derrubado! Conta meu pai que aquelas casas estavam ali há mais de 40 anos e de repente PUFF, tudo o que restava era um terreno limpo, já com placas de venda.

A casa da família

A casa da família

Dá pra se perder nessas coisas facinho

Já sei porque não se exige exame de carteira de japonês quando se vem pro Canadá. Quem se vira com essas placas, qualquer lugar é fácil...

Passear por lá sempre trás ótimas lembranças da minha infância e por diversas vezes me faz pensar em como teria sido a vida se eu tivesse ido de vez, mas é bom ver que muitas coisas estão as mesmas apesar de todo esse tempo e além do mais por ser o Japão. A gente sempre tem a visão de que tudo por lá é tecnológico ou futurista mas não é bem assim. Tem muita gente mesmo que sofre até pra mudar o canal da televisão por causa da quantidade de botões que tem por lá. Internet então pra alguns é coisa do outro mundo. Em contra-partida, ficaram uns viciados em telefone celular. Pra tudo quanto é canto que a gente olha, se eles tiverem um tempinho, tão com esses 携帯 (keitai) na cara digitando. Antigamente quando a gente andava de trem via a galera lendo qualquer coisa, geralmente livrinhos de bolso ou mangás, mas agora não. Parecem até que tão se reprogramando olhando praquele negócio na frente da cara e digitando rapidinho. Por sinal, juro que ainda não caiu a ficha de como é que eles conseguem digitar tantos kanjis tão rápido com esse negócio.

O tamanho da bicicleta

Rodas pequenas e banco alto: bicicleta para mulheres. Com isso não precisa levantar muito a perna.

Restaurante de yakitori

Restaurante de yakitori. Por sinal, ótima pedida pra se comer. Fácil, barato e muuuuuito gostoso.

Entrada de um restaurante de "spagetti"

Já pensou um restaurante e spaghetti japonês ? Seu choque deve ser o mesmo que sushi de goiabada pra eles

Eu sei que é de mentira, mas sempre tem uma ótima aparência

Eu sei que é de mentira, mas esses cardápios sempre têm uma ótima aparência

Calgary

In: Canada

10 mar 2010

Resolvemos passar as festas de final de ano junto a amigos nossos que conhecemos há muitos anos e que também fizeram o processo de imigração pro Québec mas acabaram indo morar em Calgary, Alberta.

A primeira dúvida começa no vôo. É inverno então, está frio e vai ter gelo. Como será que esse maldito avião se comporta pra decolar / aterrisar? Saindo do aeroporto de Québec já vimos que tem neve pra tudo quanto é lado, inclusive na pista, mas a vida continua, com aeronaves subindo e descendo sem se importar com a neve. Grande parte de tudo isso se deve ao anti-freezing espalhado por todo o equipamento que impede que o gelo se acumule e aumente ainda mais o peso transportado. Este, aliás, é um dos grandes custos da aviação comercial, junto com o combustível e as taxas de pouso e decolagem dos aeroportos.

Foi a primeira vez que passamos pelo Jean Trudeau, o aeroporto internacional de Montréal. Engraçado que, diferente do Pearson (Toronto) o Trudeau parece uma rodoviária, literalmente, e na época de final de ano, com gente viajando adoidado, a semelhança é ainda mais próxima. Some-se a tudo isso o fato de que os vôos atrasavam e tinha gente correndo pra chegar nos portões de embarque, então tá feita a festa. Mas, resumo da ópera, chegamos tranquilos em Calgary, com algumas horas de atraso mas ainda a tempo de tirar um bom cochilo.

É, um descanso merecido

É apenas nossa segunda experiência pelo Canadá inglês, mas dá pra notar que as coisas são bem diferentes que no Québec. Nosso primeiro contato foi em Ottawa, mas não conta muito porque fomos lá só ver tulipas e elas não são de falar muito. Bom, as diferenças começam pela língua: não se falar NADA de francês. Raramente vemos alguma placa, mas é mais fácil achar escritos em Mandarim devido a enorme população de chineses que moram na região, tão grande que chegaram a fundar um Chinatown. Mas o que mais chama a atenção mesmo são as casas. A arquitetura já é muuuuuito diferente do que estamos acostumados a ver, com casas novas, grandes mas com pouco espaço entre elas. Em alguns casos os intervalos são de poucos metros, o que é muito peculiar por conta da quantidade de espaço sobrando no país. Do alto de uma colina onde passamos dava pra ver bem o mar de casas que se forma. Quase não vimos “condos” por lá também.

Tudo isso é compreensível por Alberta ser uma das regiões mais caras do país e uma das mais ricas também. A economia é muito baseada na extração de betume e petróleo, além da pecuária local e claro, a área financeira. Muitos bancos e financeiras têm importantes escritórios em Calgary e Edmonton. Por outro lado, o Governo da província, preocupado com os efeitos causados pela crise principalmente na área de extração e processamento de delivados do petróleo, tem buscado diversificar esses mercados, incentivando várias empresas a investir em outros nichos, principalmente na área de tecnologia, mas ainda com cautelosa adesão. Um dos grandes incentivos da província é a isenção das taxas provinciais.

A cidade também conta com um bom sistema de transporte com trens e ônibus, mas o principal meio de transporte das pessoas ainda é o carro mesmo. Talvez tenha sido pela época do ano, mas notamos que as ruas eram bem tranqüilas e o tráfego era de muito fácil circulação. Também tem o fato de ser inverno e das ruas terem o risco de congelamento e tal, além da neve , claro, mas mesmo assim é bem parecido até mesmo com o que vemos em Québec.

O transporte local conta com trens, ônibus, carroças, cavalos e até pau de arara (joking!)

O transporte local conta com trens, ônibus, carroças, cavalos e até pau de arara (joking!)

Calgary tem quase o dobro do tamanho de Québec, próximo de 1 milhão de habitantes. O perfil das pessoas que moram lá também é diferente. O nível financeiro das pessoas é maior e consequentemente o custo também é mais alto. Frutas e verduras principalmente foi onde eu vi a maior diferença de valores. Por outro lado, a variedade e as opções de produtos é incomparavelmente maior e até em mercados “normais” é possível encontrar produtos indianos, chineses, japoneses, árabes e muito mais.

Em 1988 a cidade foi a primeira no Canadá a ser sede de uma Olimpíada de inverno. Entre outras coisas, construíram o Canadian Olympic Park (COP) e o Olympic Oval, este último parte da Universidade de Calgary e considerada a pista de gelo mais rápida do mundo. O lugar é realmente muito bacana e tivemos a oportunidade de ver gente ainda competindo para as eliminatórias das Olímpiadas de Vancouver que aconteceram este ano.

O centro da cidade lembra qualquer grande cidade da América do Norte, mas muito mais tranquila e organizada. Grandes arranha-céus, prédios modernos, lojas famosas do mundo inteiro como Gucci, Louis Vuitton e todas as outras conhecidas do país, como Canadian Tire, Value Village, Dolarama e outras.

A cidade é tão rica que a entrada das cadeias mais parecem hotéis

A cidade é tão rica que a entrada das cadeias mais parecem hotéis

Quem falou que os calgarianos possam ser frios tá mentindo. Até descuti negócios com esses senhores na rua

Quem falou que os calgarianos possam ser frios tá mentindo. Até descuti negócios com esses senhores na rua

Os nativo-americanos são super amigáveis, e não se importam de interagir com a gente

Os nativo-americanos são super amigáveis, e não se importam de interagir com a gente

Lembra aquela história que toda cidade tem uma igreja, uma delegacia e um coreto ? Pois bem, no Canadá além dessas tem que ter uma torre também

Lembra aquela história que toda cidade tem uma igreja, uma delegacia e um coreto ? Pois bem, no Canadá além dessas tem que ter uma torre também

No caso da torre de Calgary, são 160 metros de concreto

No caso da torre de Calgary, são 160 metros de concreto

Mais de um ano se passou desde que chegamos aqui e chegou a hora de fazer algumas reflexões a respeito desse tempo. A Márcia andou falando de suas impressões alguns dias depois de termos chegado aqui e esporadicamente eu colocava alguma coisa sobre o que acabávamos passando por aqui. Agora, sentamos juntos e fizemos um balanço desse tempo aqui.

Como acontece com muita gente que escreve um blog só pra mostrar o que vem passando durante a imigração, as atualizações tendem a ficar mais distantes umas das outras e pouca coisa nova é adicionada. É normal acontecer porque realmente a gente entra na rotina e o que era novidade pra gente acaba sendo quotidiano. Bom, pra evitar que essas coisas aconteçam e buscando tornar a pesquisa pra quem está interessado em morar aqui, vamos colocar informações mais comuns em um FAQ , um formato mais prático e de fácil atualização.

Aproveitei e coloquei os tópicos mais genéricos sobre imigração e sobre morar por aqui em um quadrinho na barra do site pra que fique mais fácil encontrar as informações. O blog não morreu, eu é que ando muito preguiçoso mesmo.

Em agosto voltei a escalar , desta vez com uma novidade: consegui convencer a Márcia a ir comigo. A última experiência dela com isso foi a 6 anos atrás, quando ela foi diretamente escalar na pedra. Acabou passando mal e, algumas semanas depois descobriu a causa da tontura: O Matsuru =)

Enfim, começamos a escalar na Délire Escalade, uma academia montada por um escalador, muito bem construída e mantida também. O interessante é a quantidade de gente que vai lá. Ao contrário da maioria dos lugares que a gente vê em Québec, a academia tá quase sempre cheia e a grande maioria que vai lá é mulher e por sinal escalam muito bem.

Enfim, desta vez resolvi levar um pouco mais a sério a escalada que da última vez. Primeiro porque já estou acima do peso e segundo porque quero melhorar minha performance como escalador pra valer. Parti pra literatura e, depois de pesquisar vários livros me decidi por dois: Training for Climbing e Conditioning for Climbers. Minha idéia é montar uma rotina de treino e seguí-la a risca. Vou usar o blog pra reportar os avanços ou tropeços que eu for tendo seguindo meu plano e usar isso como referência.

Primeiro Passo

O livro começa com uma parte histórica contando como foram as primeiras iniciativas de treinamento do esporte e os avanços que houve no decorrer dos anos. Um dos fatores que o autor se baseia é na questão genética. Segundo o livro e pesquisas coletadas pelo autor, a maior parte da população tem capacidade de fazer vias do nível 5.12, ou vias de 8o e até 9o graus conforme a escala brasileira.  Aberrações como Chris Sharma estão na extremidade direita do gráfico, capazes de fazer vias de 12 e até mais que isso, mas também pode haver casos de gente que sequer consegue subir na parede.

Muita gente pode escalar e ser feliz

Muita gente pode escalar e ser feliz

De qualquer forma, a parte interessante é que escalada não requer somente força muscular. Pelo contrário, 30% do esporte é força. Com isso, a idéia principal é a que, apesar de haver gente com potencial de fazer coisas fantásticas, esse potencial nunca vai poder ser atingido sem treinamento adequado. Isso é assim pra qualquer esporte. Se você não desenvolver de maneira certa, talvez sempre fique na média, apesar de fazer bem menos esforço que os outros.

Demanda de habilidades entre esportes

Demanda de habilidades entre esportes

É com base nesses três pontos e em práticas suplementares que se concentra o treinamento de escalada. Isso tudo e, claro, comer e dormir bem, duas coisas que eu estou precisando fazer urgentemente e parar de encher o bucho com qualquer coisa que aparece na minha frente. Como isso vai ser feito nesse livro eu vou descobrir daqui em diante.

UPDATE: A esposa está afastada de atividades físicas por ordens médica. Aguardamos liberação dela ainda em Novembro.

Começou a nevar

In: Québec

22 out 2009

Québec, 22 de Outubro de 2009. Ela chegou antes do que eu esperava e está aí, branca e gelada, acumulando nas ruas. Seja bem vindo, inverno.

Resolvi que chegara a hora de fazer carne de sol em casa. Já estava com vontade há algumas semanas. Parti do básico: Google. Depois de achar várias receitas e discutir um pouco com alguns amigos (dentro os quais vários cearenses) cheguei à seguinte fórmula:
  1. Compre uma carne boa, uma peça, nada de bifes que se compra em supermercado. UMA PEÇA DECENTE!
  2. Abra a carne em mantas (aprox. 3 a 4 cm de espessura).
  3. Abra em uma mesa espalhe o sal (de preferência sal grosso) uniformemente.
  4. Enrole a manta de carne e coloque em uma bacia, cubra e deixe por aprox.12 horas.
  5. Retire e deixe escorrer num varal à sombra ( apesar de ter o nome de “carne de sol”, não vai ao sol)
  6. Deixe “curar” por no mínimo 48 horas (de preferência no sereno) e pronto.

Encontrei também outro site com uma outra versão mais reduzida que deve dar certo também. Se alguém tentou ou faz parecido com esta ou qualquer outra receita, me fale. Vamos trocar figurinhas.

A carne comprada no mercado era assim...

A carne comprada no mercado era assim...

...e ficou assim

...e ficou assim

Infelizmente não tirei fotos dela pronta na farofa nem na feijoada, mas posso garantir que ficou muito bom. Esse pedaço deu pra temperar muita comida e rendeu por alguns meses. Por sinal, está na hora de preparar outra. Dessa vez eu tiro a foto dos pratos prontos com ela pra mostrar que realmente valeu a pena.

O Tempo Passa

In: Divagações

20 ago 2009

Depois que eu descobri o isofa consegui acentuar ainda mais meu nível de ócio.

Lembra dessas ?

Quando as pessoas pensam em sair do Brasil e ir para o exterior pensam logo em melhorar a vida, fugir de problemas como trânsito, poluição, violência, corrupção, etc. Várias pessoas com quem converso falam que também não se importariam em trabalhar ganhando menos desde que consigam viver melhor, ou ainda, que consigam viver. Eu acho isso algo bem pessoal, é de cada um e não tem uma definição pra certo ou errado.

Mas, tem duas coisas que você nunca vai escapar dessa vida: pagar impostos e morrer. No caso do último, dizem que ainda é um descanso, mas os impostos… Enfim, meu primeiro professor de francês me falava que o El Dorado não existe, você é quem tem que construí-lo. É a mais pura verdade. Por quê eu digo isso? Porque têm pessoas que vêm pro Canadá e reclamam dos impostos que têm que pagar, que são muito altos, et al. Essas pessoas esquecem da carga tributária que eram submetidos quando ainda moravam no Brasil e em como sofriam com a impossibilidade de comprar um produto por conta do alto valor referente a taxas de importação, impostos sobre produção, transporte, venda, que são acumulados por toda a cadeia produtiva. No Brasil raramente as pessoas sabem quais impostos estão pagando quando compram algo ou contratam um serviço e mesmo que isso viesse discriminado não é da natureza do brasileiro reclamar por algo que realmente valha a pena, tais como seu dinheiro ou sua saúde, mas experimente tirar a novela das 8 do ar pra ver o que acontece…

Um brasileiro inteligente mostrando como respeita as pessoas e a lei

Um brasileiro inteligente mostrando como respeita as pessoas e a lei

Impostos no Canadá

Aqui se paga impostos? Claro que sim! Até onde eu lembro, só em ditaduras você é isento de pagar impostos (você paga tudo com seu sangue e seu couro). Por aqui temos basicamente duas taxas:

  • GST: Goods and Services Tax, ou Taxa Sobre Bens e Serviços. Em Québec, ela é conhecida como TPS (Taxe sur les Produits et Services).
  • PST: Provincial Sales Tax, ou Taxa Provincial sobre Vendas. Em Québec ela é chamada de TVQ (Taxe de Vente du Québec, ou Taxa de Vendas do Québec).

Aqui existe a incidência de impostos únicos sobre bens e serviços. Como funciona ? Sempre que você vê o anúncio de um produto em uma loja ou de um determinado serviço, lembre-se que esse valor não é o final a ser pago. Em cima dele você tem que colocar o valor dos impostos, que varia de província pra província e, com exceção de quem vive em Alberta (como maneira de incentivar a ida para lá, o governo provincial não cobra a PST), todo mundo paga esses dois impostos pra tudo. Como sempre, impostos e finanças são assuntos longos e pode-se falar por muito tempo sobre isso. O Governo Canadense e os Governos das Províncias fornecem uma longa documentação sobre isso. Se você tiver interesse em se aprofundar no assunto, eu recomendo acessar e ler estes dois sites:

  • http://www.cra-arc.gc.ca/ : Canada Revenue Agency. Aqui você pode ler TUDO sobre a agência que regula a parte de finanças do país. É como se fosse a Receita Federal. Eu adoro o assunto e devo confessar que ainda não consegui ler e entender 1/3 do site inteiro.
  • http://www.taxtips.ca/ : Canadian Tax and Financial Information. Um site muito bacana que explica como controlar suas taxas, como programar sua aposentadoria e outros tipos de atitudes que envolvem o recolhimento de impostos.

Se você não quer ir muito a fundo no assunto mas quer saber quanto finalmente se paga nesses impostos,  no dia-a-dia, vale a pena dar uma olhada na calculadora aqui abaixo. Ela permite simular esses gastos pra diferentes províncias.

Lembrete: requer que você tenha Java instalado. (Se você tiver problemas para usá-la, veja mais instruções no site da calculadora).

Uma ótima calculadora usada para calcular os impostos pagos no Canadá

Uma ótima calculadora usada para calcular os impostos pagos no Canadá

Existe um artigo na Wikipedia bem completo falando sobre como funciona essa questão de taxação aqui no Canadá. Ele mostra de maneira bem genérica quanto é cobrado de impostos em cada província referente a bens e serviços.

Trabalho e Impostos

Bom, o GST e o PST são apenas os impostos do dia-a-dia, mas infelizmente não são os únicos. Quando você começa a trabalhar descobre que a brincadeira fica ainda mais divertida. Começa uma sopa de letrinhas que toda vez que aparecem no contra-cheque só fazem diminuir seu salário e você começa a chorar e xingar o governo sem parar…

Falando sério agora, existem algumas deduções recolhidas na folha de pagamento. De modo geral são quatro deduções:

  • Impostos Federais: Não tem como fugir deles. É como a mãe quando te manda tomar banho. Os descontos são baseados na sua renda. Este ano os impostos podem variar de 15% a 29% dependendo da sua renda anual.
  • CPP: Canadian Pension Plan, seu plano de aposentadoria Federal.
  • EI: Employment Insurance, o equivalente ao FGTS pago no Brasil. É o EI que garante o pagamento de uma assistência quando você fica desempregado ou quando seu filho nasce, você fica doente, etc.

Mas, não esqueça que aqui existem Governos provinciais também. Cada província tem a liberdade de cobrar impostos além dos federais. Nunca parei pra me informar sobre as cobranças no resto do país, mas em Québec existe basicamente a cobrança adicional destes dois:

  • Québec Income Tax: O imposto de renda provincial, recolhido sempre que você recebe qualquer tipo de pagamento que você receba enquanto residir no Québec.
  • QPP: Québec Pension Plan, o equivalente ao CPP da província. É recolhido compulsoriamente. 
  • QPIP: Québec Parental Insurance Plan. Começou a ser cobrado em janeiro de 2006, é cobrado adicionalmente ao QPP como forma de receita adicional quando você tem um filho. No Québec as mães tem licença maternidade de 12 meses. Dá pra enteder porque se paga este aqui.

A empresa tem o direito de cobrar outras taxas com base nos benefícios que lhe forem concedidos, tais como plano odontológico, plano de vantagens, transporte, et al., mas isso varia de empresa pra empresa. É importante descobrir isso no momento que você for contratado para não passar por uma surpresa quando chegar o seu pagamento.

A freqüência do recolhimento desses impostos também varia. Alguns são recolhidos uma vez por mês, outros a cada pagamento que lhe for feito (seja ele semanal, quinzenal, mensal, etc.), como são os caso dos impostos federais e provinciais.

Chega, japonês! Tu conseguites! Não vou mais ler esse negócio!

Chega, japonês! Não vou mais ler esse negócio!

Sua grande dúvida nessa hora deve ser “Como eu vou saber quanto vai me sobrar de dinheiro com esses impostos?”. Você não precisa entender de tudo isso pra poder calcular. Felizmente gente de bom coração deixou disponíveis calculadoras que nos ajudam nessa fantástica (e insana) tarefa. Mas, antes que você resolva clicar aí embaixo, vale o lembrete. Os formulários são bem extensos e requerem um certo tempo pra uso, bem diferente da calculadora de salários que eu utilizava quando trabalhava no Brasil e que me ajudava a negociar salário como consultor ou como funcionário. Por isso mesmo, dedique alguns minutos antes de sair brincando com isto.

  • Canadian Tax Calculator: Permite calcular quanto você deve ter de descontos anualmente. Serve para todas as província do país, com exceção de Québec. Para isso use a…
  • Québec Tax Calculator: Sim, no Québec tudo é diferente, até a cobrança e desconto dos impostos. Por isso, tem que ter uma calculadora específica para quando você presta serviços por aqui.

E quanto eu posso ganhar?

Eu acho que já escrevi um artigo sobre isso no passado, mas não consigo encontrar. De qualquer forma recentemente encontrei alguns sites interessantes sobre isso enquanto ajudava um amigo que está vindo para o Canadá. Os sites permitem ter uma idéia da média de salário pago a uma pessoa de uma determinada profissão

  • Canada Salary Calculator: O site é feito para pessoas que buscam o visto para morar aqui, mas eu nunca sequer li. Por outro lado, os resultados trazidos pela calculadora são razoáveis e é de fácil uso.
  • Payscale: O site é dedicado a agregar informações sobre salários e profissões por todo o mundo. Pelo menos as informações do Canadá na área de TI são bem próximas da realidade.
  • Salary Expert: O site é muito legal, permite pesquisar por médias salariais além da análise do custo de vida na região que você escolher. É todo cheio de links e propagandas, mas depois que você começa a ignorá-las dá pra usar bem. Só tem uma coisa que eu não gostei nele, a média de salário pro meu cargo está abaixo da média. Isso significa que vou ter que conversar com meu chefe em breve…

Pra terminar

Àqueles que acham que aqui se paga muito imposto, pense novamente em como era sua vida no Brasil, quanto tinha medo de sair a noite, como se sentia ao ver a condição das estações de metrô, dos pontos e dos terminais de ônibus, de como se sentia roubado quando via o valor da conta de luz, de água, de gás, dos financiamentos de carro, casa, os planos de saúde, etc.

Compare com o que você vê por aqui e tente achar onde está o dinheiro que você paga em impostos. Pesquise nos sites do governo, escreva para as agências. Acredite, elas respondem! E, se mesmo depois de tudo isso você estiver infeliz com os impostos que está pagando ou o que está vendo, você sempre pode voltar pro Brasil. Ninguém está te prendendo aqui.

Este verão está fantástico em Québec: só chove. Chove tanto que as lojas fazem promoção de coletes. Chove tanto que tem gente cancelando as férias durante as férias. Chove tanto que tem sapo pedindo abrigo. Chove tanto que tem cogumento nascendo nas calçadas. Chove tanto que até os passarinhos usam guarda-chuva. Chove tanto que estão pensando em mudar o esporte nacional pra pólo aquático. Chove tanto que tá parecendo Curitiba

Este post foi uma homenagem ao Thales falando sobre o calor na costa Oeste.

Que diabos é isto?

Meu blog. Sou programador, músico, cozinheiro, escalador, surfista, pai, marido e nerd nas horas vagas. Trabalho com TI desde 1997 mas comecei em 1986 programando em DBase III. Gosto de quadrinhos e novas tecnologias, bem como curtir um dia na praia (mesmo que esteja abaixo de zero).

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