Tecnologia e opinião

Era final dos anos 80; 87 ou coisa do gênero. Não lembro direito. Não tínhamos computador em casa. Aliás, quase ninguém tinha. Faltavam uns bons 10 anos pra que isso começasse a se tornar algo popular. Na esquina de casa tinha uma empresa de treinamento de informática que por coincidência era de um dos nossos vizinhos. Fiz meus cursos de introdução à informática lá: DOS, Lotus 1-2-3, Wordstar, o crème de la crème daquele tempo! Os cursos eram à noite e eu, obviamente, era o único pirralho ali. Por sinal, o mais novo depois de mim devia estar na faixa dos seus 40. Meus amigos todos estavam mais interessados em ver “TV Pirata”, jogar bola ou ficar simplesmente correndo na rua. Mas pensa que eu me importava? Eu adorava aquilo! Teclar aquele monte de comando em uma tela preta ou verde e ver as coisas acontecendo? Não tinha igual! Mouse? Pra ser bem honesto eu não sabia nem falar inglês na época, quanto mais ter visto um periférico desses. Disquete? Era aqueles 5 1/4 que cada um custava o mesmo que uma semana de lanche na cantina! Por sinal, ainda tenho ele guardado nas minhas coisas. Ou deve ser da minha esposa. Nerds saudosos guardam essas coisas (sim! Eu também tenho um chaveiro de 8088 em algum lugar!)

Quem me conhece, sabe: sou programador por teimosia, não por vocação. Quando eu tinha meus 12, 13 anos enchi a paciência da minha mãe por tanto tempo pra que ela me deixasse fazer um curso de programação que devo ter feito um calo no ouvido dela. “Pra que isso?”, ela me perguntava incrédula e tentando me desencorajar. “Eu vou poder fazer jogos de computador, mãe!”, argumentava aquele moleque cheio de energia e empolgação mas sem nenhum juízo na cabeça. Era o efeito daqueles cursos de “Introdução à Microinformática”. Finalmente a teimosia foi maior e eu acabei conseguindo. Lá ía eu pra meu curso de “Programação I”, aprender conceitos de lógica com um professor que só fazia referências a culinária. Tenho que confessar. Aquele curso de xBase não me ensinou muita coisa; não sou nenhum prodígio e sinceramente foi um grande ganho eu não cair dormindo durante (todas) as aulas. Havia momentos em que eu boiava mais que esgoto a céu aberto, mas nada se comparava àquela moça que sentava do meu lado que em todas as aulas reclamava que o computador não estava funcionando e que havia perdido todo seu trabalho mas nunca se lembrava de ligar a máquina e colocar o disquete no drive. Acabei largando o curso pelo caminho. Nunca ouvi minha mãe falando isso, mas tenho certeza que a vontade de soltar um “eu te disse” foi abafada por pena daquele moleque teimoso.

Acho que só mais de uma década depois fui finalmente capaz de fazer meu primeiro jogo. Era meu primeiro ano de bacharelado em informática e era o objetivo do curso de Programação 1. Depois de dias e dias finalmente consegue fazer minha versão de Tetris, que obviamente era de bugs e travava por nenhuma razão aparente. Via colegas meus fazendo coisas fantásticas que faziam eu me questionar se realmente eu estaria no lugar certo. Talvez eu devesse ter feito ciências sociais ou biblioteconomia, onde ninguém precisava ter nascido pensando em bits em bytes. Essa sensação me acompanhou por todo o tempo em que eu permaneci no curso: quatro semestres. Abandonei tudo e dediquei minha vida trabalhando em um provedor de Internet. SIM, a “super-rede de computadores”, que naquele tempo nem era tudo isso e tínhamos que nos contentar com sofríveis conexões de 14.400bps que ocupavam a linha telefônica de casa e faziam a fatura disparar. Mas no provedor tudo era diferente. Lembro do dia que nosso link passou para 1Mpbs. Era insano! A página da CNN abria quase instantaneamente e finalmente parecia viável assistir vídeos, mas só quando se estava no trabalho.

Mas minha teimosia por programação ainda estava lá. Depois de alguns meses no suporte técnico acabei passando pra fazer websites e logo depois as primeiras aplicações; tudo de maneira artesanal, desbravando Perl, ASP e o tenebroso PHP 2.0. Era o preço de querer ser pioneiro. O bate-papo do UOL e o IRC deram lugar ao ICQ e os servidores de News foram abandonados por vários fóruns no Geocities. E nós, parecia que estávamos criando a Internet. Éramos todos inocentes e teimosos. Veio o MSN aos poucos abandonávamos o “oh! oh!” da florzinha piscando no canto do Windows. Quake em rede logo daria lugar ao CS e LAN Houses se tornariam Cyber Cafés depois de serem abandonadas por conexões mais em conta e dezenas jogos online e MMORPG. Juro que tentei surfar essa onda de novidades e atualizações mas levei um caldo em algum momento e esmagado na arrebentação. A gente culpa a idade, a falta de tempo e dinheiro, mas a verdade é que tudo passa muito rápido e a gente é obrigado a escolher um caminho porque não vai conseguir abraçar o mundo. A vida, vejam só, me pregou uma peça. Depois de vários anos trabalhando com sistemas de bancos de dados e instituições financeiras, me trouxe a oportunidade de trabalhar em uma das maiores empresas de jogos do mundo e mais de 20 anos depois lá estava eu alimentando o vício de gente em todo o planeta com o grande bônus de estar fazendo tudo isso morando do outro lado do continente e conhecendo a vida canadense. Foram 5 ótimos anos e vários títulos conhecidos. É impossível fazer um desses sozinho, são muito detalhes e mais detalhes que só uma equipe de dezenas de pessoas é capaz de dar conta. Mesmo assim, não deixo de sentir uma ponta de orgulho quando alguém me olha com um ponta de encanto ao saber que fui responsável por aquele título que todo mundo na escola está jogando. A realidade, porém, é outra. O romantismo por trás de fazer um jogo se foi depois de conhecer o ritmo e a dedicação envolvida para manter o mercado rentável. Aquele garoto, que há 20 e poucos anos atrás pediu pra mãe a chance de fazer um curso de programação, finalmente fechou aquele capítulo da vida, mas o livro continua.

A Internet, vejam só, mudou. E como mudou! O Shockwave, que prometia ser a grande revolução, desapareceu. Flash, quase esquecido. Mesmo o HTML 3.0 que era promessa da Web 2.0 hoje já é tão banal quanto bala Juquinha. Nem de HTML se fala tanto mais. Só se falar de conversão: e-mail virando mensagem de texto, fóruns de discussão virando mensagens instantâneas, a TV indo pra Internet, a Internet ditando o que vai ser a TV. Aliás, isso se resolvermos levantar a cabeça e deixar de olhar pro celular pra ver o que está passando.

Nunca foi tão fácil compartilhar nossos pensamentos, nossas opiniões, nossos gostos e desgostos. Demonstrar o ódio e repúdio por pessoas ou movimentos sociais é tão simples e banal quanto xingar o juiz quando você sente que seu time está sendo roubado. O que deveria ser palco de grandes avanços é cenário de intolerância e hedonismo. Discordar de uma opinião (me desculpem os ateus e agnósticos mas acreditem, é apenas figura de linguagem) é pecado. Somos obrigados a andar em ovos e medir nossas palavras e ações porque uma frase mal colocada pode ser o assassinato do arquiduque Francisco Fernando e desencadear uma batalha mortal medida em 150 caracteres ou likes. Nelson Rodrigues já dizia que toda unanimidade é burra mas não tem nada de errado se você quiser discordar disto. Tirando aqueles que vivem em ditaduras, ninguém é obrigado a concordar com a opinião alheia. Porém, deveríamos ter, no mínimo, a cortesia e o bom senso de respeitar e escutar o que o outro lado tem a dizer. Senão por respeito, mas ao menos buscando aprender o outro lado da história. Já diz o ditado: ninguém estuda tanto a bíblia quanto o diabo.

O que nos aproximou tanto hoje também é o que nos afasta. Como espécie, não deixo de acreditar que somos dotados da capacidade de raciocinar e encontrar soluções para quaisquer problemas. Talvez a verdadeira questão seja exatamente essa: querer. Quem

taihojutsu

Taiho Jutsu

Histórias envolvendo o Japão e artes marciais sempre mostram lutadores extremamente habilidosos em karate, judo, ju-jutsu, aikido, ninjutsu, kendo e até mesmo o sumô. O cinema já imortalizou grandes clássicos de artes marciais do Japão, tais como Karate Kid (o verdadeiro, não o com o filho do Will Smith) e Os 7 Samurais, sem contar astros como Jean-Claude Van Damme (Shotokan Karate), Steven Seagal (Aikido 7th Dan, Kenjutsu, Karate, Judo), Jason Statham (Jiu Jitsu), Dolph Lundgren (Kyokushin & Goju-Ryu Karate – 3rd Dan, Judo), Wesley Snipes (Shotokan Karate – 5 Dan, Brazilian Jiu-Jitsu), Sho Kosugi (Ninjutsu, Judo, Kendo) e claro, Sonny Chiba (Goju-Ryu – 2 dan, Kyokushin Karate – 4 dan, Ninjutsu  – 4 Dan, Judo – 2 Dan, Kenpo – 1 Dan, Kendo – 1 Dan).

Apesar da popularidade que esses estilos ganharam no decorrer dos anos e dos inúmeros adeptos, vários estilos de artes marciais ainda são pouco conhecidos do mundo em geral. Um deles é o Taiho Jutsu, um estilo desenvolvido no Japão e amplamente utilizado nas forças armadas e policiais.

Nome e Origem

O Taiho Jutsu (逮捕術) significa literalmente arte de prender.

Apesar de não ter uma origem clara, a prática do uso de artes marciais para assegurar a lei remonta ao período feudal do Japão, quando os oficiais utilizavam técnicas de juttenjutsu, toritejutsu e hojojutsu para capturar e prender suspeitos sem o uso de força letal, tal como espadas e semelhantes.

O taiho jutsu contemporâneo foi criado durante a década de 40 no Japão pós-guerra. Impossibilitados de utilizar armas de fogo devido o tratado de rendição e com o uso de espadas proibido desde o fim do shogunato, os policiais precisavam encontrar uma maneira eficaz de subjugar e capturar criminosos sem que para isso utilizassem armas. Com a assessoria de mestres de diversas técnicas (como o Karate, Judo Ju Jutsu, Aikido e Bo Jutsu), a polícia japonesa recriou o taiho jutsu.

Somente em 1947 o estilo tornou-se realmente oficial, após um esforço conjunto coordenado pela polícia de Tokyo que envolveu mestres de artes marciais que vinham desde o ju jutsu até o karate. Técnicas das versões modernas do jujutsu, karate-jutsu, kendo e judo foram revistas e as práticas que melhor servinham ao dia-a-dia da manutenção da paz pela polícia foram adotadas. Com isso foi publicado o Taiho-jutsu Kihon Kozo, um guia que explicava as técnicas resultantes desse trabalho.

Desde então o estilo tem passado por várias evoluções. Entre elas foi incluído o uso do diversos instrumentos. Entre eles o Keibo (警棒), uma espécie de bastão utilizado pela polícia, e do tokushu keibo, uma versão alongával do keibo. O uso do keibo no taiho jutsu resultou na criação do Keibo-soho, um conjunto de técnicas que utilizam essa ferramenta. São também utilizados o seijo (algemas) e o hiki-tate oyobi (técnicas de imobilização).

keibo

Características

A principal preocupação na criação do taiho jutsu era ser uma arte marcial que permitisse imobilizar sem causar danos ao adversário. O confronto, controle e imobilização devem ser feitos tendo em mente a segurança de tanto o oficial quanto o prisioneiro. Causar a morte do adversário deve ser adotado a qualquer preço.

Outra prática introduzida no taiho jutsu é o heijo-shin, manter o calma e o controle, familiar aos praticantes do budo, que envolve o uso de técnicas de respiração para atingir esse fim.

O taiho jutsu utiliza intensivamente o controle do pulso com técnicas que vêm do ju jutsu, aikido e judo. Técnicas do karate foram adicionadas quando o uso de maior força torna-se necessário.

A prática do taiho jutsu melhora a auto-confiança em momentos onde é necessário o controle da situação. A pessoa também se torna mais ciente de suas capacidades quando confrontando um adversário. Isso ajuda a diminuir as chances de um fluxo de adrenalina que geralmente é acompanhado de uma situação de crise e que eventualmente termina em ambas as partes agredidas.

O ponto forte do taiho jutsu está no fato de que ela não descende de um único estilo. Ao invés disso, ela incorpora os aspectos leves e fortes de diversas artes marciais.

Devido o fato da arte requerer um amadurecimento mental, o taiho jutsu só começa a ser ensinado a pessoas com pelo menos 16 anos.

Fontes: The Best Martial Arts Actors/Actress, International Taiho Jutsu Federation, The Martial Art Used by Japanese Police

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Trabalhando com Games

Depois de meses parado e com este blog praticamente abandonado, recebi um incentivo no melhor estilo “te mexe” da minha esposa pra ressucitar este projeto. E como primeira iniciativa, resolvi experimentar um negócio novo, pra mim pelo menos. Organizei um Google Hangout com dois amigos para falarmos sobre algo que muita gente me pergunta: trabalhar com games. Com a idéia lançada, o mais difícil foi fazer com que nós três tivésses um horário em comum pra conversar. Depois de muito sofrimento, eu, Everton e Danny conseguimos começar o hangout no sábado à noite. Apesar de faltar uma cervejinha, minha webcam ter me deixado na mão e a falta de preparo de nós três com relação ao Google Hangout, deu certo. Passamos uma hora falando no que parecia ter sido uns 15 minutos onde falamos sobre como cada um entrou na área, o que pensa dela hoje em dia, como sente a diferença entre trabalhar com isso no Brasil e aqui no Canadá e o que sentimos de perspectivas para os próximos anos. Meu grande obrigado a Everton Fernando Pattitucci da Silva e Danny Angelo Carminati Grein por terem dedicado seu tempo a este projeto. Espero que a gente possa marcar outro desses em breve! http://www.youtube.com/watch?v=ZW8EkJ9OiWE

Para 2013

Ao invés de falar de tudo o que acontece este ano, vou fazer algo diferente. Encontrei um post no facebook de uma amiga a alguns dias atrás. Gostei muito do que li mas vou discordar de algo. O post era um “Manual para 2013″, mas eu não concordo. Isto deveria ser um manual para a sua vida.

Portando, fica aqui meu presente a todo mundo que lê este blog. Como nerd e funcionário de uma empresa que desenvolve jogos, transformei o manual em um check-list pra você imprimir e ter consigo todos os seus dias. Faça dele um jogo pessoal e tente marcar o maior número possível de pontos. Neste jogo, com certeza você só vai conseguir ganhar!

Manual para a Vida

Saúde:

Beba muita água
Coma mais o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;
Viva com os 3 E’s: Energia, Entusiasmo e Empatia;
Arranje tempo para meditar;
Jogue mais jogos;
Leia mais livros;
Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;
Durma 8 horas por dia;
Faça caminhadas de 20-60 minutos por dia, e enquanto caminha sorria.

Personalidade:

Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz idéia de como é a caminhada dos outros;
Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tenha controle;
Não se exceda. Mantenha-se nos seus limites;
Não se torne demasiadamente sério;
Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas;
Sonhe mais;
Inveja é uma perda de tempo. Tem tudo que necessita….
Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;
A vida é curta demais para odiar alguém. Não odeie.
Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;
Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;
Tenha consciência que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;
Sorria e gargalhe mais;
Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância;

Sociedade:

Entre mais em contato com sua família;
Dê algo de bom aos outros diariamente;
Perdoe a todos por tudo;
Passe mais tempo com pessoas e menos olhando para seu celular e na frente do seu computador;
Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;
Não te diz respeito o que os outros pensam de você;
O seu trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Os seus amigos o farão. Mantém contato com eles.

A Vida:

Faça o que é correto;
Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre;
Por muito boa ou má que a situação seja…. Ela mudará…
Não interessa como você se sente; levante, se arrume e bola pra frente;
Pense que o melhor ainda está para vir;
Quando acordar vivo de manhã, agradeça pela graça.
Mantenha seu coração sempre feliz.

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PoDeixar

Já faz algum tempo que a Márcia sempre me incentivava a começar um programa de rádio ou coisa parecida porque achava que eu tinha todo o perfil de caras como “O Pânico”. Insultos a parte, eu sempre gostei mesmo de ficar falando abobrinhas e fazendo palhaçadas porque eu gosto quando as pessoas riem ao invés de ficarem com cara de braba ou emburradas.

Assim sendo, tomei vergonha na cara e comecei, junto com meu amigo Lindoberg, o projeto PoDeixar, um podcast gravado e produzido aqui em Québec, totalmente em português, que visa contar para as pessoas, de maneira irreverente e descontraída, nosso dia-a-dia, as coisas que acontecem na cidade, na província, no país, e porque não dizer, no mundo. Afinal, ninguém paga pra falar (ainda).

Antes de anunciar oficialmente o blog, quero agradecer a todos que acessam este espaço (não tão atualizado quanto eu gostaria) e pedir que continuem clicando nas propagandas que isso ajuda bastante a pagar as contas =). Sem mais delongas, fica aqui meu convite a todos que lêem este blog para prestigiar nosso projeto.

Nosso endereço é http://podeixar.wordpress.com. Vamos nos esforçar para manter o blog atualizados o máximo possível e publicar nossos podcasts, pelo menos, uma vez por semana. Espero que vocês que lêem meu blog gostem e fiquem a vontade de compartilhá-lo com seus amigos e familiares.

Canada mosaic

TI e Imigração

Eu e minha esposa ficamos algum tempo pensando quanto a escrever ou não este texto, já tendo em vista evitar eventuais flames, mas achamos que seria mesmo uma boa idéia darmos nossa opinião pois talvez isto venha a ajudar quem está pensando em vir pra cá ou que esteja aqui a pouco tempo.

Quando estávamos pensando em imigrar pra cá tudo era muito misterioso para nós quanto ao Québec e o Canadá. Ambos, eu e minha esposa, já tínhamos vários anos de experiência na área de TI, inclusive trabalhando para empresas nos EUA, Inglaterra, França e o escambau a quatro, mas tudo isso dentro dos regimes de trabalho brasileiros, seja CLT ou PJ. Morar no Canadá, começar num mercado recém-chegado no país, quanto ganhar e como se encaixar. Essas e muitas outras eram nossas dúvidas naquele tempo. Infelizmente naquele tempo não tinha uma lista de informática, missões de contratação, facilidade para encontrar informações a respeito desses nem muitas das facilidades que hoje se pode contar.

Finalmente, gostaríamos de deixar aqui algumas coisas que aprendemos a respeito do mercado e que, se alguém tivesse nos dito naquele tempo, teria feito uma grande diferença.

“Meu francês não é muito bom e minha especialidade (PM, Analista, etc.) depende que eu fale e/ou escreva bastante. Será que continuo na minha área no Québec?”

Não, não continue. Principalmente se sua intenção é trabalhar num meio predominantemente francófono. Você corre vários riscos se optar por esse caminho: não ser contratado por falta de segurança em você; se você tiver a sorte de ser contratado, pode vir a passar por situações de extrema pressão e eventualmente pode acabar sendo dispensado e perdendo uma boa oportunidade de carreira. Se mesmo assim você resolver assumir o risco, boa sorte. Mas pelo menos tente compensar seu idioma o mais rápido possível estudando o máximo que puder.

“Sou desenvolvedor, tenho experiência nas linguagens X,Y,Z mas como estou chegando no Québec agora, aceito qualquer proposta pra começar”

Com todas as letras ? NÃO FAÇA ISSO. Não é porque você nunca trabalhou aqui que é melhor ou pior do que os profissionais daqui. A mesma tecnologia que você usa no Brasil existe aqui. A mesma experiência técnica que você adquiriu aí eles também tem aqui. O mesmo código que você gera é o que eles geram aqui. Então, porque trabalhar por menos ? Porque você não tem a “experiência canadense”? Na área de desenvolvimento, esqueça isso! Negocie seu salário sabendo que você está no mesmo patamar que um desenvolvedor daqui.

“Mas eu sou imigrante (ou tenho work permit, whatever). Preciso começar ‘por baixo’ até me provar no mercado”

Se provar? Por quê? NO quê? Independente se você é canadense ou brasileiro ou venezuelano ou indiano ou o que quer que seja, sua maior barreira é a de conseguir que te chamem para uma entrevista. E não é sua nacionalidade o problema. Aqui em Québec, as empresas que têm brasileiros no quadro de funcionários os têm como altamente qualificados e extremamente versáteis. Então, se em algum lugar dentro de você houver essa síndrome de inferioridade, esqueça. Trabalhe seu currículo, busque caminhos (redes sociais, telefones, eventos, etc.) para conseguir ser “visto” pelas empresas e busque sua entrevista. Quando isso acontecer, saiba negociar muito bem sua entrada.

Diferente do Brasil que tem uma política trabalhista que é uma mãe para o empregado (e uma madrasta pro empregador), aqui tudo depende da sua negociação. É possível que você trabalhe ao lado de uma pessoa no mesmo cargo que você que ganha 25%, 30% ou mesmo 50% a menos que você e que tem apenas 2 semanas de férias, comparadas às suas 4. Sim, isso é possível e acontece. Se a empresa precisar de você não vai ser porque você pediu “n” que vão deixar de te contratar. Tenha certeza de que pode haver uma contra-proposta e fica a seu critério continuar negociando. Em muitos casos, infelizmente essa vai ser sua única chance de conseguir um bom salário. Depois disso, aumentos devem ficar restritos ao reajuste anual, que muitas vezes fica entre 1% e 5% (com muita sorte). Ah sim. Aqui não tem 13o, não tem 1/3 de férias e, se você trabalhar no setor privado, o teto da sua aposentadoria pública não vai passar de 1,000$. Tenha certeza de ter na sua negociação um bom plano de assistência dentária, médica e uma boa estratégia de contribuição do seu REER (RRSP).

Quer um outro motivo de porque você não deve aceitar um salário muito menor que a média ? Porque sua atitude prejudica quem está no mercado. Se o salário médio de um desenvolvedor .NET sênior em Québec é de 65,000$, por quê você deveria aceitar ganhar 40,000$ pela mesma posição? Sua capacidade técnica é a mesma que a de qualquer um daqui, quem sabe até melhor no lugar onde você acabar indo trabalhar, então isso não justifica 40% de diferença. Caso contrário, lembre-se que isso pode ser negativo pra você mesmo, pois se esse for o resultado da sua negociação, talvez esse seja o seu salário por um boooooom tempo.

“Posso ter certeza de que vou ser tratado como igual no Québec?”

Veja só, o Canadá se orgulha de ser um dos países mais etnicamente e culturalmente abertos do mundo. MAS, isso não quer dizer que “o céu é sempre azul”. Você não nasceu aqui, nem o inglês nem o francês são seus idiomas nativos e você está em desvantagem numérica (a menos que você seja chinês e vá morar em Vancouver).

Sendo bem franco, a maioria dos québequences é ignorante no tocante a como funciona o programa de imigração. Boa parte deles acha que falamos espanhol, obviamente, e por isso mesmo devemos ser como “os outros hispanofônicos” que vêm para cá, que é uma comunidade muito maior que a de brasileiros.

Falando especificamente de hispanofônicos, um grande número dos que vêm para o Québec chegam aqui em programas de imigração ou são refugiados. Geralmente são rotulados como de origem humilde, com pouca instrução. Talvez porque é comum contratar mão de obra de mexicanos e colombianos para trabalhar em colheitas (durante os períodos de safra). Eventualmente aqueles que não retornam acabam ficando trabalhando no comércio ou em trabalhos mais braçais. Obviamente que isso não é uma regra. Muitos são médicos, engenheiros, advogados, químicos, bioquímicos e a lista vai longe. Minha esposa mesma trabalha com um mexicano que é desenvolvedor Java, fala francês, inglês e espanhol, que é vítima desse rótulo de quem trabalha com colheita. Ele mesmo já faz piada com sua própria realidade. Toda vez que as pessoas perguntam como um mexicano trabalha com desenvolvimento aqui em Québec, ele conta que um dia, enquanto trabalhava colhendo morangos na Ilha de Orleans, o CEO da empresa o encontrou e perguntou-lhe se ele saberia falar bonjour. Ao responder “oui” o CEO disse : “ótimo! você está contratado como desenvolvedor java!”

Os refugiados são um assunto que sempre gera controvérsias. Alguns nem mesmo chegam a falar o francês e, em alguns casos, chegam mesmo a formar guetos e gangues (vide situações que acontecem em Montréal e que chegaram a acontecer aqui mesmo em Québec). Geralmente por estarem fugindo de situações muito difíceis em seus países (guerras, catástrofes, etc.) essas pessoas não vêm buscando a integração e é aí que os rótulos nascem. Alguns anos atrás o Canadá inclusive mandou de volta vários refugiados argumentando exatamente a falta de integração dessas pessoas ao serem trazidas para cá, episódio este que causou muita discussão (pra variar).

O processo hoje está mais exigente do que quando viemos morar aqui ? Sim, está, mas acompanhando os avanços nas políticas de imigração e como o mercado tem se comportado, eu considero as mudanças algo natural visto que cada vez mais fica claro o tipo de profissional necessário para o país. Não adianta falar os idiomas “mais ou menos” e achar que ser suficiente pra viver aqui. Talvez até seja, mas você nunca vai saber o quanto pode estar perdendo em não aprender mais. Pense assim: ninguém está te obrigando a vir para cá, você está vindo porque quer. É a vida que você escolheu, no país que você escolheu viver. Então, invista em evoluir seu francês E o seu inglês (ISTO AINDA É UMA NAÇÃO BILÍNGUE, MME. PAULINE MAROIS!) ao ponto deles serem tão naturais para você quanto é seu português. Aprenda a cultura e a história do país. Tenha certeza de que isso vai fazer de você uma pessoa diferenciada e apreciada pelos próprios canadenses.

Pode acontecer de você ter seu trabalho criticado e/ou desvalorizado por não ser daqui? Sim, pode e acontece, mas isso nem sempre é claro ou direto o suficiente. Felizmente, eu nunca sofri comentários discriminatórios, mas tenho amigos que infelizmente passaram por esse tipo de situação. Coisas como “você está roubando o emprego de alguém daqui” ou “você deveria voltar pro seu país” ou ainda “você é marrom (em tom de ‘que nojo’)”. Obviamente, nenhuma dessas situações aconteceu em ambiente de trabalho porque se acontecesse com certeza daria prisão ou no mínimo uma situação MUITO, mas MUITO desconfortável. Como contornar esse tipo de situação? Vou contar uma historinha:

Meu pai imigrou para o Brasil quando tinha 18 anos. Foi sozinho pro país, sabia “zero” de português. Ele casou, criou 3 filhos, assumiu uma empresa com mais de 300 funcionários onde ele entrou sendo entregador e acabou como presidente. Até hoje o português dele é uma piada, mas ele nunca desistiu e apesar de todas as chances que teve de voltar pro Japão, ele nunca desistiu do sonho dele e continua morando no Brasil. Tirando as piadas clássicas que a gente ouve sobre japonês e que acaba rindo junto pra descontrair, presenciei cenas muito duras dos mesmos níveis e até piores do que essas que aconteceram por aqui com meus amigos, muitas das quais são responsáveis por meu repúdio ao povo brasileiro e pela minha saída definitiva daí; mas isso não tem que ser uma regra. O Canadá é um país civilizado, onde as regras e as leis são iguais para todos e onde todos lutam por uma vida melhor. Cabe a nós mesmos fazer com que aqueles que venham a menosprezar quem somos saibam o quanto realmente lutamos para conseguir sermos quem somos e estarmos onde estamos.

Finalizando este texto que com certeza foi o mais longo que eu escrevi em uma sentada desde minha última monografia, peço minhas mais sinceras desculpas se cheguei a insultar alguém por expor situações ou opiniões previamente discutidas nesta lista. Perdão também pelos erros de português (o corretor ortográfico do GMail não faz milagre com que não escreve há tanto tempo em português). Não espero que este texto vá mudar a vida de ninguém, mas tenho a esperança de que vai ser útil em algum momento, nem que seja como template pra filtro de spam =)

Abraços cordiais e boa sorte.

Informações financeiras:
  1. Calculadora de salários: http://www.paycheckcity.com/canada/coeatonca/cacalculator.aspx
  2. Informações sobre impostos: http://www.taxtips.ca/
  3. Planejamento da aposentadoria:  http://www.servicecanada.gc.ca/eng/lifeevents/retirement.shtml
  4. Tendo uma família:  http://www.servicecanada.gc.ca/eng/lifeevents/family/index.shtml
Informações gerais:
  1. Melhores cidades para morar no Canadá: http://www.moneysense.ca/2012/03/20/canadas-best-places-to-live-2012/
  2. Empresas de TI no Québec:  http://www.vetiq.org/membres/index.html
  3. Informações úteis para profissionais de TI no Québec: http://www.najar.ca/fr/main-fr/88-immigration/22-ressources-pour-professionels-ti-quebec
Multidão de Brasileiros

Temporada de Solteiro: Dia 14

Três desses nossos amigos fazem aniversário por estes dias e como todos se conhecem já é de costume aproveitar essa coincidência e fazer uma festa coletiva. O problema, claro, é quantidade de gente que todos convidam e a bagunça que a gente faz quando estamos juntos.

Québecois são pessoas discretas, calmas e, na maior parte do tempo, silenciosas. Brasileiros são, como posso dizer, exatamente o oposto. Não foram poucas as ocasiões que nos reunimos e que no mínimo deixamos quem estava olhando com a expressão de que aquilo deveria ser ou um massacre de galinhas ou um mercado árabe em dia de liquidação. A primeira vez que eu lembro que isso aconteceu e que eu estava presente foi pouco depois que havíamos chegado por aqui. Naquela época morávamos em um condo de 3 andares; nós no segundo andar e o Marmé e a Tati no primeiro. Resolvemos então fazer a “Despedida do Verão” e convidamos todo mundo que conhecíamos (por razões óbvias, eles conheciam muito mais gente que nós). Resultado: se eu contei direito eram mais de 50 pessoas subindo e descendo escadas, transitando entre os dois apartamentos, fazendo churrasco, com música alta, tocando rock bank, dançando na sacada e nas salas, as crianças correndo e gritando. Enfim, o caos. Daquela vez por pouco não fomos chamados pela polícia, mas fomos chamados a atenção pelo concièrge duas ou três vezes.

Depois daquela vez sempre acabamos fazendo algo parecido, nem próximo em escala de bagunça e pessoas mas na mesma intensidade, coisas como churrascos na praia, jogar volei e brincar na piscina nos parques, jantares em restaurantes e/ou na casa de um ou de outro. Acho que o mais assustador para as pessoas deve ser quando estamos em restaurantes porque nunca falamos baixo e tampouco somos discretos. Tenho certeza que isso puxamos dos portugueses, espanhóis e italianos que foram morar no Brasil. Coisas como gargalhar de forma estridente, xingar uns aos outros, puxar e juntar mesas, trocar de lugar várias vezes pra conversar com outros é o mínimo que fazemos. E esta festa de aniversário não poderia ser diferente.

O local escolhido foi o restaurante Chez Grecco, um restaurante de comida grega muito conhecido pelas diferentes promoções feitas em diferentes dias da semana. Quinta-feira é o dia da promoção mais conhecida onde pedimos um prato e o segundo prato sai por 1$. Teve até um episódio muito curioso que aconteceu certa vez que um de nós foi lá. A promoção não era clara quanto a exceções ou exigências para o prato que custa 1$, apenas que certos pratos não faziam parte da promoção e que, no caso da escolha de pratos com valores diferentes, o prato cobrado seria o mais caro e o mais barato sairia por 1$. Pois bem. Esses nossos amigos foram nesse restaurante. Ele, a esposa e a sogra, cada um pediu um prato. Oras, para aproveitar a promoção eles resolveram pedir um quarto prato que, caso sobrasse, levariam para casa. Quando todos fizerem seus pedidos a garçonete não falou nada demais e tomou nota do que cada um comeria. Todos comeram, a comida muito boa, etc. Quando chegou a conta , eis o momento do susto: três dos quatro pratos foram cobrados com o valor integral. Ou seja, um dos pratos que deveria custar 1$ foi cobrado normalmente. Ele chamou a garçonete e pediu explicações a respeito daquilo. Ela, na  maior naturalidade, respondeu que como eles estavam em 3 pessoas, ela supôs que o quatro prato seria consumido por uma das pessoas e que, a promoção só era válida se cada pessoas consumisse um prato. Bom, logicamente o barraco foi armado e ele se recusou a pagar por aqui. A garçonete ficou indignada e disse que nunca na vida tinha visto alguém achar a lógica dela incorreta e que ELE seria a pessoa errada.

Então, como eu havia dito, o restaurante onde foi a festa de aniversário foi nesse mesmo estabelecimento onde esse episódio se passou. Estávamos em nada menos que mais de 30 pessoas, todas discretas e silenciosas como sempre, entre crianças e adultos. Eu até agora não consegui entender como a garçonete conseguiu se entender nos pedidos e como também não nos mandaram embora depois de todo aquele barulho. Até cantar parabéns em português para outras pessoas que faziam aniversário por lá nós chegamos a fazer, só pra dar uma idéia do que aconteceu. De qualquer forma, é sempre divertido ver essa galera e a expressão de desespero nas pessoas que nos olham, especialmente os mais velhos.

Ah sim. Gump, desde já e sempre eu compartilho seu momento de indignação. Eu mesmo só fui lá porque as pessoas são meus amigos =)

Roupa suja

Temporada de Solteiro: Dia 13

Já tinha esquecido dessa necessidade já que as roupas ainda estavam limpas no armário. Mas quando acordei esta manhã me dei conta que amanhã eu não teria nada limpo pra usar e ia ficar meio estranho eu ir fedendo a macaco morto no trabalho. Então, comecemos do básico.

Olhei a máquina de lavar e o cesto de roupa suja. Ambos pareciam que se conheciam há algum tempo. Olhei no armário de produtos de limpeza e notei que alguém estava faltando lá, meu amigo alvejante. Lembre-se que eu faço karate e que meu kimono sempre chega em estado avançado de putrefação após o treino. Felizmente ele é branco então posso usar produtos mais violentos pra lavá-lo e tirar manchas de suor, pó, gordura, sangue, comida e outras coisas que fazem parte do comercial do Omo. Aliás, alguém mais além de mim mesmo lembra daqueles comerciais ? Apareciam duas mães na lavanderia envoltas num discurso do tipo : “Omo é perfeito para as roupas das crianças. Ele tira manchas de barro, comida, lama, sangue e muito mais”. Eu sempre ficava imaginando as crianças filhas daquelas mulheres em algum tipo de ringue da morte no intervalo, armadas com correntes, tacapes com pregos e coisas parecidas…

As crianças do comercial do Omo na escola

Bom, fui pro trabalho com o lembrete de trazer algo mais violento para lavar roupas brancas. O lado ruim: hoje tem karate e eu NÃO tinha lavado meu kimono. É, o cheiro vai ser de doer mas, paciência. Terminada minha jornada diária de luta contra as forças do mal, me mando pro karate, atrasado, claro. Chego na escola 10 minutos depois que o treino já tinha começado. Conclusão: 50 flexões de castigo já pra começar. Fiquei sabendo que sábado vai ter exame de faixa. O sensei falou que eu estava pronto para fazer esse exame e perguntou se eu estaria lá ou não. Falei que ia esperar o Matsuru voltar de viagem pra que pudéssemos fazer juntos.

Por sinal, abre um parênteses aqui. Eu e Matsuru fazemos karate juntos. Tive essa idéia porque queria poder fazer alguma coisa junto com ele, alguma atividade física que nos permitisse trabalhar essas coisas juntos. A princípio tentei levá-lo para a escalada mas chegamos à conclusão que não é tão animador assim para ele pois o que interessa pra ele é ter alguém com quem interagir. Como escalar é um esporte onde a interação com outra pessoa limita-se a “pelamordedeus não me deixa cair” ou “solta essa corda, seu miserável!”, realmente é mais complicado. O karate é uma arte marcial e como tal requer atenção, perseverança, caráter, auto-controle, domínio, etc. Sinceramente todo mundo deveria fazer algo que permitisse trabalhar esses valores.

Voltando ao dojo, curso pesado, trabalhando técnicas e posicionamento. Não foi mole, mas eu sobrevivi de novo, ensopado de suor, fedendo mais que gambá morto. Isso me lembrou obviamente que eu teria que lavar aquele kimono e comprar meu alvejante. Passei no mercado e comprei um tal de Resolve, que pelo nome parecia ser promissor. E não é que foi mesmo ? Meu kimono nunca ficou tão branco. Mas agora vinha a pior parte: dobrar as roupas. PQP, alguém deveria ter inventado alguma máquina que fizesse isso sozinho…

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Temporada de Solteiro: Dia 12

Realmente, só estou escrevendo este post para dar continuidade ao meu projeto de descrever meu dia-a-dia, senão não teríamos nenhuma diferença. Pra começar, ainda não estou gástrica e enterologicamente falando 100% de volta ao normal. Por causa disso, minhas marmitas e minhas refeições noturnas não tem sido exatamente… deliciosas. Minha alimentação está baseada em tofu e vegetais que não causem acúmulo de gases. Hoje ainda consegui ter um pouco de imaginação e fiz um salteado de vegetais e tofu. Por fim essa temporada de dieta tem tido seus méritos. Perdi 3.2kg desde que entrei nessa brincadeira e um pouco da minha alegria de viver também, mas uma hora tudo volta ao normal.

Não vou comentar do trampo hoje. Vou apenas dizer que, na minha subida pessoal do Everest não consegui nem mesmo chegar no acampamento base e vou me sentir muito feliz se chegar lá. Em casa consegui finalmente terminar de assistir a “Angel”, seriado que passava na Fox derivado de “Buffy”. Lembro que na época que passava na TV eu não conseguia assistir por “n” razões e hoje, graças ao Netflix consegui assistir à série inteira. Só achei muito chato que ela acabou no clímax da história. Felizmente deram continuidade a ela na forma de quadrinhos, os quais já estou devidamente providenciando (não que eu não saiba já como termina, mas eu curto quadrinhos =D).

Flying back home

Temporada de Solteiro: Dia 11

O vôo dele é as 16h, mas combinei com ele de chegarmos lá pelas 2h-2h30 porque o aeroporto de Québec não é realmente um lugar de muito rush aeroviário a menos que o assunto seja viajar para a América Central. É incrível como as pessoas viajam para países como Cuba, República Dominicana, México, Caribe e afins. É muito fácil encontrar pacotes em torno de 650$/pessoa, incluindo 1 semana no hotel com tudo incluso (comida, bebida à vontade), passagem e estadia! Duvida ? Então veja isto aqui. Ainda não tivemos a oportunidade de aproveitar esse tipo de passeio, principalmente porque durante o verão a Márcia prefere tirar férias e viajar para o Brasil para visitar os pais junto com o Matsuru (e aproveitar o “fantástico” inverno curitibano à 3C, sem aquecedor e sem isolamento térmico).

Claro! Nada como passar as férias de verão no Brasil...

Bom, voltando à viagem do Luiz, saímos de casa já com as malas dele no carro, assim evitaríamos de passar de volta por aqui para pegá-la a caminho do aeroporto. Fomos em direção ao centro e, enquanto eu ficava no trabalho ele aproveitava os últimos momentos antes de voltar pra casa revendo ou conhecendo outros lugares lá por perto. Enquanto isso, eu voltava para minha montanha de tarefas pra fazer. Já estou até me sentindo sir Edmund Hillary subindo o Everest, só estou sentindo falta de um Sherpa pra subir comigo…

Chegada as 13h me encontro com o Luiz e partimos em direção ao aeroporto. No caminho ainda páro pra comprar cordas pra guitarra que o Junior mão-de-bombril pediu para mandar pra ele. Mesmo passando na loja de música nosso trajeto completo compreendeu menos de 20 minutos e, chegando no Jean Lesage e olhando pra dentro, notei que ia ser um embarque como eu imaginava: ninguém na fila da Air Canada. Em compensação, no guichê da companhia que embarca pro caribe, uma fila kilométrica.

Depois de me despedir do Luiz voltei pro meu Everest particular. Ainda tinha uma semana até a Márcia e o Matsuru voltarem de férias, mas pela quantidade de coisas pra fazer já pude ter uma idéia que seria uma semana sem muitas emoções e alegrias.

Rainy day

Temporada de Solteiro: Dia 10

De novo, 10h30 da manhã. Pelamadrugada! Eu só lembro de ter dormido tanto assim quando ainda morava na casa da minha mãe e fazia faculdade. A primeira faculdade (Vamos deixar datas fora deste assunto, ok?) Desço as escadas, ainda com a cara amassada. O Luiz já tá de pé (claro! Só urso no inverno dorme tanto quanto eu!) De novo, como já é quase meio-dia, saímos pra tomar café fora. Outro brunch, desta vez no Le Cochon Dingue aqui perto de casa. Como o próprio nome diz, comemos iguais uns porcos num café da manhã à base de bagel, bacon, manteiga de maçã, fèves au lard, ovos, salada de frutas, suco de laranja, panqueca e mais alguma coisa que eu não consigo nem lembrar senão já começo a passar mal.

Batatas! Era isso que eu tinha esquecido!

Ah sim. Lembram da chuva que me fez dormir a noite (e um bom pedaço da manhã) inteira ? Pois é. Ela continuou caindo o dia inteiro, em volume suficiente pra deixar qualquer espertalhão que sai de bermuda de casa completamente ensopado. Mas, é melhor isso do que a neve cubrindo a sua casa.

Saímos do restaurante e fomos dar uma volta pra ver se encontrávamos um presente pro filho do Luiz. Depois de andar em algumas lojas, compramos o presente do guri e voltamos pra casa, ainda estufados como peru em véspera de Natal. Depois daquela enrolada padrão e de lavar a louça da semana, o ócio bateu em casa e era preciso fazer algo pra passar o tempo enquanto a chuva AINDA desabava lá fora. Solução clássica: filme com pipoca. Netflix ao meu socorro, sugeri que assistíssemos “Predators”. Em três palavras? NUNCA ASSISTAM ISSO! Filmezinho sem vergonha, mequetrefe. Perdi meu tempo vendo o que pretendiam que fosse uma versão atualizada do Schwarzenegger. Aff…

Enfim, café da manhã digerido, hora de jantar, resolvi fazer um yakisoba pra gente. Apesar de ter ficado BEEEM meia boca, o Luiz foi educado e disse que estava bom. ehhehehe. Bom guri =)

Amanhã é segunda-feira de novo e dia de batalhar. Pro Luiz é dia de viagem. O vôo dele sai as 16h, então eu devo deixá-lo no aeroporto em torno das 13h30. Logo, é bom ir domir (algo que eu QUASE não fiz hoje).

Churrasco

Temporada de Solteiro: Dia 9

Bom, pra começar acabei dormindo mais do que deveria. Acordei as 10 da manhã, um pouco tarde pra tomar um café da manhã e ainda cedo demais pra almoçar. Acabamos indo tomar um brunch aqui perto e depois fomos no shopping. Enquanto estávamos por lá o Cesar me liga perguntando onde eu estava e convidando para passar na casa nova dele mais tarde. Como eu não sou de recusar convites E eu achei que seria uma boa oportunidade para o Luiz conhecer outros brasileiros que imigraram pro Québec, falei que iria passar lá mais tarde.

Enquanto estávamos nos shopping acabei passando em uma loja de quadrinhos a qual nunca lembro o nome. Encontrei um jogo de tabuleiro que me chamou violentamente a atenção. Chama-se “Axis & Allies” e se passa durante a Segunda Guerra. O jogo foi lançado originalmente em 1984 e já teve inúmeras expansões tais como “Pacífic”, “D-Day”, “Guadalcanal”, “Europa”, entre outros. Os tabuleiros das expansões juntos pode chegar a quase 2 metros de comprimento, com diversas unidades e Nações. Fiquei extremamente tentado em comprar uma das edições mas os 79$ que envolviam isso acabou deixando meus planos para outra oportunidade.

Saímos do shopping e fomos na casa nova do Cesar, completamente mobilhada com a mudança terminada. Passamos um fim de tarde e uma noite super agradáveis à base de cerveja e churrasco. Ficamos batendo papo por um bom tempo, falando besteira. Ah! E o melhor de tudo isso, consegui duas pessoas pra dividir o custo do Axis & Allies! Então, aguardem mais notícias nerds minhas logo em breve =)